Mês: Maio 2016

Relacionamentos e Construções

Relacionamentos e Construções

Tudo o que se começa do zero dá trabalho. Mesmo que não se trate de um prédio ou uma casa, exige esforço, cuidado e paciência.  Relacionamentos são como construções, se não há uma boa base eles desabam. O cuidado também está no material usado, porque nem sempre nos preocupamos em investir e planejar o futuro, então quando ele chega não sabemos o que fazer.

Essa grande analogia sobre construções e relacionamentos foi para mostrar que tudo precisa de uma boa base, mas ás vezes não é só o planejamento que faz dar certo, também é o material e o que está disposto a se investir para que isso dê certo.  O material é você e o outro (a), o investimento é o que estão dispostos a sacrificar, fazer, realizar juntos e o futuro é o esforço que se coloca para dar certo.

Existe uma grande diferença entre querer e precisar, e é isso o que deixamos de enxergar nas pessoas. Nem sempre quem precisa de você, é quem te quer. Muitas vezes somos usados como uma segunda opção por indivíduos que queremos ao nosso lado, mas que só precisam de nós. Esquecemos de reparar a maneira como as pessoas de nosso convívio nos olham, principalmente aquelas que consideramos importantes. Em muitos relacionamentos, alguém dá muito mais de si do que o outro, isso acontece porque talvez a pessoa com quem esteja não te veja da mesma maneira, não te considere no mesmo nível e por mais que haja esforço, isso talvez nunca poderá ser mudado.

Não foi falta por esforço, nem por ausência de vontade, mas possivelmente tenha sido um sinal da vida. Muito provavelmente ela quer te dizer que você merece mais do que sempre estar se esforçando por quem não lhe vê, porque as pessoas se acostumam a te ter ao seu lado, mas quando isso muda elas percebem o que perderam.

Não existe uma fórmula para dar certo, independente se está se falando de amizades ou amores, mas tem que haver um clique em seu cérebro que te diga quando parar. Ás vezes nem sempre é a opção mais fácil, mas talvez nesse momento seja a melhor pra VOCÊ.

Então mesmo que a sua construção tenha desabado, não se preocupe, existe sempre uma saída para tudo o que está quebrado, pois se não se pode consertar, talvez seja melhor conseguir um novo.

Métricas e Palavras: Boulevard Of Broken Dreams, Green Day

Métricas e Palavras: Boulevard Of Broken Dreams, Green Day

A estranha estrada a percorrer, deserta e árida, com espinhos no caminho. O final dela será o arco-íris? Neste trajeto com poucos sobreviventes, alguns deixam o medo vencer e outros são o próprio medo.

Quando a cidade dorme estarei aqui, ouvindo meus batimentos cardíacos e o barulho da sola contra o chão, porque até minha sombra me abandona quando a escuridão chega.

A penteadeira de Joana

A penteadeira de Joana

Eu tinha aquele sonho insano de comprar a penteadeira na vitrine. Todos os dias na volta pra casa encarava seu lindo reflexo e me depara com a vontade de levá-lo comigo. No entanto, sabendo que as coisas estavam apertadas, desistia.

No dia do recebimento do salário eu passei por lá, virando em câmera lenta em direção a lustrada e cara mobília. A verdade é que depois de um longo temporal e três ônibus lotados, cheguei com a preciosa penteadeira em casa.

Para o espanto de minha irmã, eu a coloquei no nosso apertado quarto e fingi ser uma adolescente de novo, penteando meu cabelo cheio de tinta roxa imaginária. Ela rolou os olhos e saiu bufando, como se fosse a coisa mais ridícula já vista.

 Dali para as semanas seguintes fiz de tudo para cuidar do móvel, incluindo lustrá-lo. Era importante que ele fosse bem cuidado, tendo em vista que seu preço não foi dos mais generosos.  E tudo estava indo muito bem; Eu chegava em casa, tomava um banho e ia para a penteadeira escovar os meus cabelos.

No entanto, como tudo na vida tem seu lado negativo, as chuvas de final de ano começaram a prejudicar a nossa ida e volta para o trabalho, além de causar infiltrações em todo a casa. Porém, mesmo com as coisas indo de mal a pior, ainda tinha a penteadeira todos os dias, ainda podia sentar em seu banquinho dourado e pensar sobre a vida.

Em um dia raro de tempo ensolarado, cheguei na minha casa com um folheto de lanche para comer com minha irmã, mas tive uma grande surpresa ao chegar em meu quarto; A penteadeira não estava lá. Desesperada, comecei a revirar a casa inteira em busca dela, mesmo sabendo que era um móvel grande e seria impossível escondê-lo em qualquer lugar.

Minha irmã chegou na sala e cruzou os braços, olhando-me irritadamente. Nós começamos a discutir e ela me acusou de gastar o dinheiro da compra do mês, de ser irresponsável e tudo o que sempre fizeram questão de falar de mim. No final ela me explicou que a penteadeira havia dado fungos e cogumelos começaram a nascer assim que saí para ir ao trabalho.

Contestei dizendo que era injusto jogar fora sem me dizer nada, mas minha irmã não deu ouvidos, só disse que eu deveria saber quando tenho de abrir mão de algumas coisas, principalmente quando elas começam a fazer mal para mim mesma. Ela alegou que eu passava tempo demais dentro do quarto, admirando o móvel e esquecendo de tudo em volta.

 E quando ela disse com lágrimas, que nós duas havíamos parado de jantar juntas porque eu preferia comer com a penteadeira, percebi que ela estava certa; Era a hora de parar.

A perda de humanidade

A perda de humanidade

Eu costumava olhar pela a minha janela e ver flores, hoje só enxergo a aridez, a seca. Antigamente os passarinhos voavam sobre as lindas e verdes folhagens que lá haviam, tinham, até mesmo, petúnias e girassóis amarelos. Mas onde foi parar tanta beleza? A nossa vida está tão cercada de tecnologia que nós esquecemos de cuidar dos jardins e das árvores. Na nossa realidade atual, passamos a fazer coisas para que outras pessoas possam ver, queremos insanamente sermos vistos.

A nossa geração se transformou drasticamente. Algumas mudanças que ocorreram foram boas, inclusive, a luta pela a liberdade de expressão, religiosa, sexual, política…isso tudo foi uma conquista. No entanto, desde o surgimento dessa globalização tecnológica, nós passamos a absorver como padrão comportamental que quanto menos demonstrar, melhor. Há uma grande competição para ver quem mostra menos do que sente, isso tudo para ser mais interessante aos olhos do outro.

É engraçado que os que mais sofrem na verdade são os que não sentem, porque se você não sente, como vive?

Se evita todo o tipo de sensação por medo e covardia, então o problema real não é com o cara ou garota sentimental, é com você.

Me lembro quando estava vendo TV e vi uma matéria sobre aquele acidente no Rio de Janeiro, no qual haviam pessoas falecidas e cobertas na areia, envoltas por uma multidão gigante.

O que me chocou não foi só os indivíduos mortos, mas um grupo jogando bola ao lado, como se não significasse nada.

Estamos tão acostumados a ver coisas ruins acontecendo, que nos familiarizamos e tratamos-as como situações banais, com uma frieza surpreendente que somos capazes de ter.

Quando brigamos com alguém e temos aquela breve impressão de que precisamos fingir que ela não existe, é gritante como duas pessoas podem simplesmente agir como se não se importassem.

O ser humano começou a tratar o outro como um smartphone qualquer.

Enjoou de uma marca, troca pela a outra que julga ser melhor.

E assim, vamos vivendo em uma sociedade onde os sentimentos das pessoas são descartados com facilidade e jogados no lixo como se nada significassem.

Na qual humanos não tem compaixão com o sofrimento do outro e agem em função do próprio benefício.

Bem-vindo ao nosso mundo cruel.

O que é ser independente?

O que é ser independente?

Ainda me lembro de pagar meu primeiro sorvete. Sabe naqueles tempos que com 5,00 você saía lotado de doces na sacola? Em situações como aquelas eu me sentia super adulta, a garota grandinha que podia fazer tudo. No entanto, quando fui crescendo e tomando consciência que ser independente é muito mais do que pagar meu próprio sorvete, as coisas na minha mente mudaram.

Particularmente acredito que a independência tem de vir para TODOS. Se você limita alguém de ter suas próprias escolhas vai estar limitando-a pra sempre. De verdade, a liberdade é uma (se não a mais) importante de todas as coisas que um indivíduo tem direito de ter.

 Talvez você se ache independente porque vai no mercado sozinha (o), mas o seu amigo pensa que isso é uma besteira, já que ele já até viajou sem os pais. Porém penso que a independência tem relação com personalidade de alguém. Muita gente prefere que os outros tomem decisões por eles, gostam de não assumir os riscos que podem mudar suas vidas. Só que é como dizem;  Você não pode tomar chuva se não sair lá fora.

Ego ou Amor?

Ego ou Amor?

Ontem meu telefone tocou de madrugada. Não que seja uma informação relevante pra você, mas ele realmente apitou por longos 10 minutos. Olhei para o teto e pensei no que tinha a perder. Aliás, no que havia sobrado para ser perdido, não é?

Há tempos venho me arrastando em um monólogo interior sobre as minhas relações. A minha cabeça sempre me fala de modo mais frio (e inteligente) que tenho de cortar o que me faz mal, mas é tão relativo essa coisa de fazer mal ou não fazer mal, porque só te faz mal mesmo se VOCÊ deixar que lhe afete.

Então espera, pensando melhor… a culpa é minha?

Nós estamos sempre em busca de sentir. Sentir ódio, amor, saudade, raiva, ou qualquer coisa que desperte alguma vida dentro de nosso coração. É essa grande necessidade  que o ser humano tem de ter de sentir para estar vivo. Mas é sério mesmo que você precisa estar apaixonado (a) pra sentir-se feliz?

Você sente falta do que ele (a) te proporcionou, se pergunta o motivo do fim dessa amizade, desse relacionamento ou desse “rolo”. O que aconteceu? Quer dizer.. caramba, por que ele terminou comigo? Por que nossa amizade chegou ao fim?

A diferença é que as memórias são coisas fixas, elas não podem ser mudadas. Ninguém volta atrás e transforma algo que viveu com alguém em alguma coisa ruim, porque isso é impossível. As pessoas estão tão preocupadas em serem amadas que esqueceram de amar a si mesmas.

Se alguma coisa dentro de você diz que o que sente não é saudade e sim apego, desiste. Sai dessa, para com a mania de achar que memórias preenchem, porque elas só são chamadas de memórias por um motivo.

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