Mês: Julho 2016

Quando não há mais palavras

Quando não há mais palavras

Você deveria ser alguém com o qual eu iria contar. Bom, pelo menos é isso o que costumavam chamar de amigo antigamente. No entanto, se a procura de motivos pra te fazer permanecer é bem maior que o seu esforço para ficar, quem está mais errado, eu ou você? Nessa manhã, soube que você descobriu sobre a festa que eu iria dar, então não tinha como disfarçar que, na verdade, eu não queria te convidar. O fato, é que quando não há mais palavras, só sobra a mágoa que nos cala e distancia uns dos outros.

Assim como você não compreende meu excesso de sentimentos, não engulo a sua aparente falta deles. Nisso, entramos em um ciclo eterno para descobrir qual dos dois se aceita menos e no final, um deles sai machucado. É claro que as paredes nos dizem segredos e os olhos que encontram-se a sós sussurram verdades, mas a exaustão de empurrar uma carroça que já não sai do lugar a muito tempo, apenas tira minhas energias e mantém as suas. Contudo, se o propósito é ser uma balança, por quê você parece extrapolar o peso?

Eu pensei muito se entregaria meu bilhete ou falaria cara a cara, mas há pessoas que sofrem de um problema sério, elas só percebem as coisas quando alguém fala. O mais surpreendente é que há tantas merdas acumuladas, que você nem sabe mais por qual delas eu ainda derramo lágrimas. Não é sobre ter um buraco de ódio dentro de mim, é uma grande extensão de sentimentos enterrados e soterrados em uma caixa. Um dia, socada e entupida de coisas, a caixa simplesmente não aguentará e vai ceder. É mais ou menos isso o que acontece quando você guarda coisas tão fortes, mas que ao mesmo tempo, tão insípidas para serem ditas em voz alta.

Não curto muito quando as pessoas andam em bando, isso porque, me parece que são mais animais do que pessoas. Gosto de quando sou individual, original, diferente. O que me leva a crer que:

1. não sei por qual motivo somos amigos, considerando que você é a mais uma sombra do que um indivíduo.

2. Você me irrita com essa mania de nunca agir individualmente e precisar de outras pessoas para coexistir.

Levando em consideração que apesar de você ter me feito rir em muitos momentos trevosos da minha vida, ainda insisto que se eu quisesse um hobby, iria pescar. O que me faz concluir que pessoas não são distrações.

Acho que tenho muita coisa dentro de mim. É, estou falando isso de novo, até porque, esse texto é meu. Não é arrogância, perdoe-me pelo o que pareceu, é só que eu não quero mais te ver na minha frente. Nem o seu sorriso irônico, nem a sua cara esquisita, a sua coleção de casacos iguais que só mudam a cor ou a sua nítida vontade de fingir que é feliz. Eu só quero me ver livre do que me faz duvidar de mim mesma e da minha capacidade de me sentir confiante.

Não vou te falar o que fazer, se é isso que espera. Há coisas que as pessoas devem perceber sozinhas e uma delas é quando devem se retirar discretamente.

Penso que existe uma força dentro de mim que se cansa rápido de coisas auto destrutivas e isso definitivamente não exclui você.

Aliás, gostaria de perguntar se alguma vez considerou perguntar o porquê.

Por que nos relacionamos com algumas pessoas, mesmo sabendo que isso vai nos destruir?

Porque o vazio das nossas almas é muito maior do que o que está eminente e precisamos preenchê-la com o máximo de coisas que pudermos, inclusive, as que não nos levam a lugar nenhum.

A falta e o excesso

A falta e o excesso

Se o excesso ás vezes incomoda, o que dizer da falta?

Quando é que as pessoas vão perceber que assim como o excesso de carinho, amor, privacidade, cuidado, são ruins, a ausência dessas coisas é igualmente péssimo? Por que reclamamos tanto do exagero de problemas e não nos incomodamos com a inexistência de esforço para resolvê-los?

As únicas vezes que nos preocupamos com a ausência é quando essa ausência é a falta de alguém ou a falta de alguma coisa em nós mesmos. Estamos constantemente nos questionando sobre a falta de tempo quando não sabemos nem ao menos como administrá-lo. Reclamamos e falamos mal sobre a falta de atitude alheia, mas repetimos o mesmo vazio de iniciativa, e ainda assim, seguimos tagarelando sobre como seria melhor ter mais tempo, mais qualidades, mais dinheiro, mais carinho e mais iniciativa. No entanto, será que exercemos isso em relação à nossas vidas?

Será que adianta mesmo reclamar da sua solidão quando você não se abre para as novas possibilidades?

Mas é o que dizem; alguns só se ausentam, outros fazem valer a ausência.

O ponto

O ponto

37 minutos e o refrigerante já perdeu o gás.

Eu odeio café.

Não vou dizer que escrevo enquanto bebo café, porque na realidade eu odeio café.

Eu odeio também não saber o que escrever, principalmente quando infinitas palavras rondam a minha mente e nenhuma delas parecem fazer sentido juntas. Quando isso acontece abro o bloco de notas e digito o que vem nos meus pensamentos profundos.

O resultado foi um ponto.

Não qualquer ponto, mas O PONTO. Nem a vírgula, o parênteses ou as reticências, só o ponto mesmo. E pontos indicam o fim de alguma coisa.

Ponto pra aquela sensação de insuficiência. Ponto pra aquela dor na barriga quando eu ia apresentar um trabalho escolar. Ponto para os dias que eu só queria chorar, pois tudo estava dando errado. Ponto para a minha falta de fé em mim mesma. E acima de tudo, ponto pra você. Mas não ponto e vírgula, o final mesmo. Porque bem, adivinhe só; Você marcou tantos pontos negativos, que nunca mais poderá ter um saldo positivo. Você colocou tantas reticências e tantas vírgulas, que eu resolvi chegar e colocar um ponto final.

Junho, 2015

Junho, 2015

Eu não sou uma pessoa perfeita,

Sinto muito.

Consigo sentir seu olhar de decepção,

E isso corta meu coração.

 

Você penteava meus cabelos,

Pegava  minha mão para eu não ter medo,

Mas agora choro sobre meu travesseiro.

Porque querida, carregar suas palavras,

É como carregar o mundo inteiro.

 

Ouço isso tantas vezes,

Que começo a acreditar.

Sempre…

das mesmas coisas erradas,

Que você não pode mudar.

Das mesmas frustrações,

Que você escolhe em mim despejar.

 

Um dia, talvez, eu possa te orgulhar,

Só que querida, aceite que nunca serei como ele.

E desista dessas expectativas,

Eu nunca vou poder superar.

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