Mês: Agosto 2016

Lar não tão doce.

Lar não tão doce.

De repente o silêncio é quebrado por barulho de portas.

Eu fecho os olhos, mesmo sabendo que não consigo pará-los.

Dizem-me que eu não sou mais a mesma, que nem ao menos apareço,

Mas eles jogam-me suas cargas e palavras duras

Esperando sentirem-se melhores as custas do que me tortura.

Nós não somos como os outros, longe disso.

Eles me descrevem lembranças e os invejo em silêncio,

Contando sobre como um dia a vida e seus golpes não havia nos atingido.

Enquanto todos anseiam para voltar e desaparecem em seus mundos,

Imploro para que alguém me deixe entrar em alguns deles

E esquecer o meu por 1 minuto.

Você sentiu-se sozinho um dia,

Fadado a carregar um peso de uma responsabilidade que não era sua.

Mas adivinhe só?

Está se repetindo e todos dizem que somos iguais,

Desequilibrados, fechados e sonhadores.

Te julgaram, me julgam e você me faz reviver suas dores.

Eu sei o quanto você queria ser livre,

Mas acabou sendo definida pelo o que sobrou.

Pressionada, com o peso do mundo nas costas

Ainda que não seja sua culpa e nem dever,

Eles jogaram em suas mãos a responsabilidade de fazê-los viver.

Um dia, quando a porta for fechada e a liberdade conquistada.

Talvez um dia desses, eu possa sorrir quando perguntarem.

Entrelinhas

Entrelinhas

 

Quero escrever e desmanchar-me em palavras.

Quero que meus pensamentos virem apenas sopros de versos ruins.

Que o papel se rasgue e eu finalmente suspire sem medo, sem angústia.

Quero que eu pare de me sentir amarga, tão incompleta assim.

 

Está escrito em minha pele

E acho que todos podem ver.

Mas não posso, não posso expor todas os fragmentos de mim

As pessoas nunca entenderão o que é essas peças que não se encaixam,

Elas olham torto e fingem que não sabem o que se passa.

Benção dos desavisados, essa ignorância

Os que se mascaram de inocentes para não se machucar

E disfarçam o medo de conflito com o sorriso que nunca desmanchará.

 

Antes eu sabia, eu sabia como.

Fazia parte de um mundo limitado onde prendiam-me em jaulas.

Mentes enjauladas

Pensamentos de um líder ultrapassado pela a velocidade do mundo.

Acha-te tão genial que limita-te com o próprio ideal cego,

Seguem como o novo salvador, bando de vazios insípidos

Mal sabem que são a artimanha para o seu ego.

 

 

 

Estamos todos perdidos

Estamos todos perdidos

Existe uma imensidão de gente no mundo. Quando eu olho da minha janela e vejo tantas pessoas caminhando, questiono-me se todo mundo tem a mesma impressão; Todos sempre parecem mais felizes que nós. Seus sorrisos são mais largos, as famílias mais unidas, os amigos mais leais e a vida mais perfeita. Querendo ou não, a grama do vizinho sempre parece mais verde e florida.  Nós olhamos para os outros como se eles não possuíssem problemas. Ás vezes, parece bem mais fácil fingir que somos as únicas pessoas que temos coisas que não conseguem ser resolvidas. É bem mais simples ter pena de nós mesmos do que assumir que não somos especiais… e nem os nossos dilemas. Somos comuns até demais.

Reclamamos demais da nossa vida, criamos problemas em nossas cabeças porque queremos sentir, pois buscamos sentir mesmo que não seja da nossa vontade. Isso é instinto, é ser humano.

As pessoas se acostumam com o vazio. E elas tem o vazio dentro delas, ainda que não percebam. O “vácuo” é aquela sensação que nada pode te preencher, não importa o que você tente fazer pra mudar. E é, nós tentamos muito. Corremos atrás de pessoas que não nos acrescentam nada, nos deixamos ser humilhados e pisados por pouca coisa e criamos sentimentos que não existem apenas pra nos sentirmos melhores. O vazio esgota as nossas almas, ele suga aos poucos toda a energia e vontade de viver, até que uma hora nos leve por inteiro.

Quem nunca recebeu amor nunca reconhecerá esse sentimento ao vê-lo, ao menos que alguém mostre. No entanto, o vazio não é o amor que você não recebeu ,- apesar de estar relacionado com ele-, o vazio é o auto respeito que não possui dentro de si mesmo. É querer tanto, é gritar tanto internamente em busca de alguém que lhe faça sentir amado e não ter ideia que único alguém que pode fazer isso é você.

Sabe onde o vazio se manifesta? É quando você para de ligar. Uma pequena parte do seu cérebro sabe que você liga, mas a vida te frustra tanto que um pedaço da sua alma e daquela pequena esperança que no fundo sempre temos, se esgota. É acordar de manhã e não ligar com quem estará ou o que essa pessoa falará, porque quando se desiste de tudo ,- nada específico, mas tudo ,- você passa a respirar, pensar e viver como alguém que não espera mais nada e não liga de ter que fingir que não se incomoda a monotonia em que está inserido. Isso é estar perdido dentro de si mesmo.

Todos nós choramos, temos dias ruins e nos arrependemos de algumas coisas. Ninguém é imune a frustração e a tristeza. As pessoas cometem erros e a vida de ninguém é perfeita, mesmo que pareça ao contrário. O problema é que queremos que as pessoas pensem que somos felizes demais, porque aí finalmente poderemos acreditar no que dizemos para nós mesmos. Só que não há nenhuma pessoa do mundo que é feliz 100% dos dias. A felicidade está nas coisas que nos motivam para continuar e até nas que ás vezes não nos compreendem, mas nos amam. É muito difícil ser feliz. É duro encarar essa vida sozinho porém a solidão, em algumas situações, é tudo o que temos.

Eu sei que existem pessoas no mundo ,- assim como eu -, que sentem que não se encaixam em nada. Elas ficam perdidas, algumas sonham com coisas melhores e outras só aceitam. Se conformam porque estão cansadas de acreditar que a vida delas podem mudar, e a maioria é tão jovem e está perdida demais. De alguma maneira, penso eu que estamos todos perdidos, com medo, vários problemas e algumas coisas estúpidas. Mas de outra, tenho certeza que temos que nos achar primeiro para depois acharmos outro alguém.

Pessoas gerúndio

Pessoas gerúndio

Se eu fosse uma forma verbal seria o gerúndio.

Estaria sempre fazendo, pensando, criando, amando, chorando e vivendo. Eu não sei ficar parada, pelo menos não nos meus pensamentos. Em todas as situações, horas e minutos, estou refletindo e fazendo mil teorias de como as coisas vão acontecer. Nunca vi um só momento em que a minha mente estava inativa, pois até nos meus sonhos as imagens parecem me mandar sinais.

E apesar disso, eu gosto de ser uma pessoa Gerúndio. Aprecio e odeio a inquietação do meu cérebro, que nunca para de me fazer pensar sobre todas as coisas que eu ouço, vejo ou leio. Eu reajo e crio uma contra ação pra tudo, até mesmo para os acontecimentos que nunca existirão.

Essa sou eu,

a inquieta e pensativa pessoa gerúndio.

A dor muda as pessoas

A dor muda as pessoas

Quando crianças nós caíamos, nos machucávamos e nos ralávamos. Porém nossos pais possuíam um segredo mágico: o remédio que fazia tudo sarar. Ele ardia, mas curava. E depois de algum tempo, tudo o que restava de um machucado era uma casca feia. No entanto, mexer nela de novo só fazia com que saísse sangue novamente, então era sempre importante deixar o machucado voltar ao normal sozinho. Por consequência disso, ás vezes eu tinha medo de andar de bicicleta e me machucar, pois sabia que mesmo que a dor momentânea passasse, ainda sim não queria mais senti-la.

A partir do momento em que nós crescemos, as coisas mudam. Quer dizer, os machucados ainda existem e os nossos pais/responsáveis continuam se preocupando, mas surge um tipo de dor da qual eles não podem usar um remédio pra curar; A do coração.  Quando dizemos “dor no coração” não é a dor no órgão, mas que de alguma maneira ela é interna.Isso acontece porque apesar dos sentimentos serem coisas biológicas, achamos que eles estão no nosso coração. É estranho sentir a angústia interna, porque ao contrário da dor de cabeça, de dente ou muscular, que você sabe de onde vem, a dor emocional é algo que faz alguma coisa aí dentro se partir. É por isso que a dor nos muda, porque passar por tal experiência é tão ruim que começamos a nos auto proteger sem ao menos nos dar conta.

A dor também é banalizada. Os seres humanos, muitas vezes, não conseguem se colocar no lugar de outra pessoa e entender que cada um tem uma forma diferente de lidar com a dor. Tentar fazer alguém compreender a sua dor é quase impossível, porque quando se sente alguma coisa, dificilmente você pode e consegue transcrever exatamente o que se passa em palavras. É como tentar falar com alguém em uma língua da qual a pessoa não tem conhecimento, pois ela pode até te ouvir mas não será atingida pelo o que você fala. Ela simplesmente não entende e isso é normal. Com essa coisa das pessoas não terem muito a capacidade de se sensibilizar ou tentar entender a dor alheia, muitos preferem só guardar ela e desabafar internamente. A pior parte é se sentir julgado demais e pensar que nenhuma pessoa do mundo conseguirá te olhar e dizer “tudo bem, eu entendo o que você sente”. Parece que quanto mais falamos, menos as pessoas tornam-se abertas a tentar não nos colocar como necessitadas de atenção quando só precisamos de palavras de apoio.

Pessoas mudam pela a dor porque elas se cansam de decepcionar-se. Contudo, a decepção só está aí porque criamos expectativas. Eu seria muito hipócrita se falasse para que não criem expectativas, porque todos nós criamos. Esperamos que os outros sejam do nosso jeito e se comportem da maneira que achamos melhores. Na maioria das vezes, idealizamos pessoas dentro de nosso ideal de perfeição e as culpamos se elas não respondem a isso. É claro, a culpa ainda continua sendo desse indivíduos que usam, mentem com má intenção, se afastam, enganam e iludem. Não é fácil ter de ser forte quando internamente você está destruído.

Estar decepcionado, ferido ou machucado é como visualizar uma daquelas bonecas sem cabeça. A parte do corpo está ali, tudo continua inteiro mas alguma parte muito importante foi tirada. Pode até ser que ela seja consertada, mas nunca vai ser a mesma coisa porque talvez o impacto de uma queda ou um puxão a fará sair novamente. Afinal, ninguém é imune a dor.

Em algumas situações estamos tão ruins psicologicamente que aprendemos a ignorar nossa própria dor. Talvez, momentaneamente seja melhor. Fingir que não está machucado é uma grande responsabilidade a si jogar pra sua pessoa, porque você cobra de si mesmo que continue forte mesmo tendo todos os motivos pra desabar. Por isso, ás vezes é bom ficar triste e se permitir ser triste em alguns momentos, porque da mesma maneira em que eu escrevo, alguns pintam, outros dançam ou cantam, você tem que colocar esse sentimento ruim pra fora. Portanto, não internalize sua dor por muito tempo, porque ela vai te destruir em algum momento.

E adivinhe só?

O remédio pra sua dor interna é só você que pode fazer.

 

 

Fim da Escola. E as memórias?

Fim da Escola. E as memórias?

Eu nunca gostei da escola. Pra mim,  nunca foi nada mais que um ambiente onde não sentia-me segura comigo mesma. Apesar dos acontecimentos e de ter passado todo o Fundamental desejando que tudo acabasse, a minha mente cultivou um desejo interno de Ensino Médio perfeito. No fundo, eu tinha fé que aqueles tão sonhados últimos 3 anos seriam espetaculares. Acreditava que o tempo me faria ser mais alta, menos desajeitada e mais comunicativa. Não aconteceu. De fato, eu mudei. Cresci… emocionalmente falando. Tornei-me mais preocupada com o meu futuro e entendi, quebrando muito a cara, que nem todos são meus amigos.

As fantasias rondavam a minha cabeça. Carros, formatura com vestido, namoros de Ensino Médio, debates fervorosos e grupos de amigos super unidos. A verdade é que minha visão de vida escolar foi construída por filmes americanos, livros estrangeiros e esteriótipos criados pelo o High School Musical. E sim, eu ainda queria me juntar aos meus amigos e sair cantando sobre como matemática é uma praga na minha vida. No entanto, o problema em criar expectativas surreais é decepcionar-se com o resultado.

Eu gostaria de sentar no sofá com os meus futuros filhos, sobrinhos, netos e dizer o quanto meu ensino médio foi inesquecível. Contar à eles sobre os meus namoros, passeios com a turma, grupos de amigos que se encontravam todo o fim de semana no shopping e as pessoas que ainda permaneciam comigo mesmo depois de tanto tempo. Mas e se a amarga revelação for que eu não vivi nada disso? E se eu, logo eu, que repetia para mim mesma; “faça memórias”, não consegui marcar nada tão importante que eu vá me lembrar daqui a 30 anos?

Tenho consciência de que quem sabe daqui a 10 anos eu sinta saudade disso. Só que quando você tem tantas experiências ruins em um lugar, é muito difícil torná-lo agradável. Talvez eu não seja como tantas pessoas aí que tem amizade com a turma inteira ou possua amigos que sabe que são pra sempre. Pra mim não é emocionante, é só bom. É bom encerrar um capítulo da minha vida que me fez tão mal e transformou-me em alguém emocionalmente instável.

 

Desistir de si mesmo

Desistir de si mesmo

Você não desistiu de si mesmo porque as coisas estão difíceis, desistiu porque é mais fácil se conformar com a vida que lhe deram. É muito mais simples sentar-se e esperar que a vida te dê coisas boas, porque assim você ainda poderá colocar culpa do seu fracasso em alguém que não seja a si mesmo. Ser adulto não significa só sair da casa dos pais e ganhar o mundo, também quer dizer ser maduro o suficiente pra não desistir de tudo por conta de uma derrota. E sim, sei muito bem como é se decepcionar com consigo mesmo, mas tenho conhecimento igual sobre a maneira que posso superar essa pequena batalha perdida. Ás vezes, sinto-me inútil, desmotivada e sem vontade de continuar tentando, mas a certeza que as coisas na vida não vão vir de graça, me dão força pra apertar o passo e não desistir.

Se você diz que sua vida é ruim e continua parada no mesmo ponto, estático e tendo pena de si mesmo, acredite, a sua existência se resumirá em ser conformista. Sim, você é incapaz, não pode fazer nada, é totalmente inapto pra fazer qualquer coisa, nós já entendemos. Entendemos o quanto você não confia no próprio potencial e espera mesmo assim que nós possamos confiar. No entanto, eu fico me perguntando do que você tem medo. Medo de crescer? Eu também tenho. Medo de dar tudo errado? Eu também tenho. A diferença é o que você faz com esses medos; Se deixa eles te vencerem ou os usa a seu favor.

A única pessoa capaz de mudar sua vida é você e a menos que continue apostando em si mesmo, ela permanecerá na mesma mediocridade de sempre.

João amava Teresa que amava Raimundo…

João amava Teresa que amava Raimundo…

Eu sempre me pergunto por qual motivo precisava tanto te agradar. Era necessidade de auto aprovação? Frustração? Bom, talvez isso tudo junto. Mesmo batendo a cabeça na parede milhões de vezes ainda sim insistia, porque “a dor valia a pena”. Descobri que eu não preencho suas expectativas e nem você as minhas, então ficar nessa situação é como esperar água em plena seca. Ainda que lhe dê colo, palavras reconfortantes, longos discursos motivadores, ainda sim, nem o céu é o suficiente, porque você quer isso tudo, mas não vindo de mim. E olha.. até que considero justo, porque o ser humano tem essa mania boba de esperar reciprocidade de pessoas que nunca, nunca, vão retribuir o seu carinho ou superar suas expectativas.

 

O vazio de existir

O vazio de existir

Eu não me sinto completa. Olho para a vida das pessoas e me pergunto se sou só eu que tenho a sensação de que não me encaixo em nenhum lugar. Porque é, por mais que tente negar quero me encaixar, quero fazer parte de alguma coisa maior… como uma família, como algo que me acolha e me faça sentir um pouco menos sozinha no mundo.

Questiono-me também se sou a única que nunca sabe se está certa ou errada em minhas decisões. Parece que quanto mais eu ando, menos sei como voltar. É como se estivesse perdendo lentamente a consciência de quem sou e de qual caminho seguir. Com todos esses sentimentos, acabo frustrando a mim mesma. É como se houvesse uma cobrança gigante de mim sobre mim pra que a minha vida seja maravilhosa, mas não faço ideia de como chegar a esse patamar. Eu nem ao menos sei o que estou escrevendo, mas continuo aqui digitando e esperando que o desapontamento que possuo consiga sair nessas palavras.

Eu leio livros e filmes e tudo parece tão lindo. As histórias tristes, em sua maioria, tem um final feliz. Os personagens “perdidos/excluídos” encontram seu grande amor e vão para grandes faculdades. Nessas narrativas todos os adolescentes possuem melhores amigos incríveis e vivem coisas que parecem surreais, porque esse ideal de “bom” parece estar longe demais. Na vida real ficamos em casa, nossos amigos são chatos demais e se escondem do mundo, enquanto alguns só querem ser engolidos por ele. As expectativas de fazer memórias são altas demais pra realidades tão monótonas. No mundo real tenho amigos virtuais do sul, sudeste, até de outros países, mas no cotidiano me sinto sozinha e cercada por pessoas tão desinteressadas em viver, que me fazem cansar delas. O que me leva a conclusão de que o vazio de experiências se assemelha também as personalidades que tenho conhecimento. Mesmo sabendo que fazer amizade nunca foi uma especialidade minha, continuo na espera por aquela pessoa que vai mudar minhas expectativas, opiniões e filosofias de vida,  ainda que tenha a consciência de que ela deveria ser eu.

 

Tenho aquela imensa sede de viver e sair por aí, ao mesmo tempo que morro de medo de fazer tudo errado. Eu queria também tentar compreender pessoas que tem outros tipos de escolha, como o fato de que pra mim não faz sentido você não dar a cara a tapa. Mas no fundo, tenho a consciência de que devo entender que as pessoas não vão agir do jeito que espero. Mesmo que eu cobre essa coisa de “viva intensamente, faça memórias” de um monte de pessoas que conheço, preciso começar a colocar na minha cabeça que algumas simplesmente não querem isso pra vida delas… e bom, apesar de achar que é uma loucura agir como se você não fosse morrer a qualquer momento e basicamente cagar pra sua própria existência, é totalmente direito seu.  Só que eu constatei uma bela verdade sobre mim; Não quero esse tipo de indivíduo perto de mim. Eu quero pessoas que queiram um papo de madrugada sobre a vida, alguém que sente comigo apenas pra conversar sobre o nada ou algum louco que queira fugir do mundo por um instante, sabe? Parece que nunca vai fazer sentido se você for ler isso, mas o grande objetivo desse texto é mostrar o quanto tô cansada de ter pessoas vazias na minha vida. Literalmente, vazias de experiência, conteúdo e existência. Daquelas pessoas que sei que vão embora mas não foram porque não querem se sentir sozinhas, assim como eu me sinto. No entanto, se o objetivo de uma relação é justamente te fazer parte de algo, por que parece que quanto mais ao lado fica, menos conectado se sente?

Eu busco desesperadamente por viver e nunca vou parar. Essa sou eu, lutando contra o vazio da alma, do dia a dia, da própria existência e do que me cerca.

E você, o que está procurando?

Troncos Ocos e Fundos do Mar

Troncos Ocos e Fundos do Mar

Passou metade da existência atrás de quatro paredes

Ouviu falsos sons de sinos dando por confirmada a própria morte

Até cavar uma superfície e achar oxigênio.

A destruição prologou-se demais para ser ignorada

E acabou virando um grande estrago,

O pequeno diamante bruto que nunca poderia ser moldado.

 

Mergulhou em tantos oceanos, mas tantos…

Oceanos esses, que não pareciam ser tão rasos quanto eram.

Apesar de saber nadar afogou-se algumas vezes,

Quase perdendo a vida.

Prendeu-se em ervas daninhas sanguessugas

E quase foi devorada por tubarões.

Esta é a vida de quem quer ir ao fundo,

Em uma busca eterna por corações.

 

Manda cartas esperando que elas voltem,

Sorri com a expectativa de sorrirem também,

Equivocou-se imensamente a menina

Menina essa, que aguardava as cartas e sorrisos,

Onde frívolas e ocas almas habitam.

 

Poderia dar-lhe um remédio ou um apertado abraço,

Ainda latejaria,

Jorrando memórias e inúmeras palavras ao vento.

Aprendeu a não ir tão fundo,

Não distribuir tantos sorrisos

E nem esperar cartas de volta,

Assim como fechou suas portas para o mundo.

 

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