Mês: Outubro 2016

Vai lá e passa

Vai lá e passa

Uma linha que decide o futuro inteiro. Linha reta, quase um ângulo de 90º graus. É simples, eles te dizem. E não há tempo para duvidar, deve-se querer. Quem não quer? É a entrada para o mundo adulto e saída do universo da liberdade. Prende-se a alma e a vende para alguém que vai explorar o que você sabe fazer ou que você precisa fazer pra sobreviver. Essa é a vida. É o sistema.
Mas bem… antes de chegar aqui pega aqueles livros, as tabelas, os poemas. Analisa, decodifica, decora as casas IA e IIA. Não esquece dos gases nobres, os que já estão instáveis! Na redação, diga o que eles querem ouvir. Deem soluções que você sabe que o governo nunca fará ou que são politicamente corretas. Dê sua alma e seu dinheiro para pessoas que não vão se importar se você estiver aqui ano que vem ,- novamente -, porque tudo o que fazem é comercializar seu sonho.
Sonho ou imposição? Será que é mesmo o que todos querem? Ou é necessário… um mal necessário?
E eles gritam, reclamam, dizem à você para se dedicar mais. Mais?!

Perde-se os amigos, os filmes no cinema, os shows e a season finale da série que ao vivo é mais emocionante. Perde-se 11 meses e energia o suficiente para não ter mais sanidade. Saúde emocional nota zero, disposição e sono em dia nota 0, média final nota 1000. E tudo bem, né? Isso que importa no final de tudo.

Revisa, revisa, revisa, boceja, reclama, revisa, revisa, cai de sono, fica de saco cheio, para e ouve reclamarem. Vai revisar!

E é simples assim. Talvez você esteja lá ano que vem, mas é só fazer tudo de novo, eles dizem. Dessa vez vai.

É só isso, meu filho.

 

Vai lá e passa.

 

 

 

 

 

 

O que esperam de mim

O que esperam de mim

Diariamente, “ouço” conselhos, comentários e sugestões. Algumas dessas palavras atravessam meus ouvidos e nem ao menos as absorvo. São coisas demais que eu deveria mudar e não posso. Ou não quero. Mas o ser humano é assim, sempre dando palpite e achando que sabe o que é o melhor para o outro. Acho que você deveria emagrecer um pouco, deveria estudar mais, arranjar um namorado, sair mais, falar mais com as pessoas. Você deveria, poderia, deveria, deveria, deveria…

Isso, vindo de gente que acha que te conhece, que pensa que sabe de tudo e pode decidir o que é mais certo pra SUA vida.

Porque as pessoas esperam algo de nós. Eles esperam entrar no facebook e ver você fora de forma, distante do padrão insensível que a sociedade coloca. Esperam lhe ver mal, pior do que eles. No fundo, isso faz todo mundo se sentir melhor consigo mesmo, porque pelo menos eu tô melhor que fulano.

Esperam que uma mulher seja mãe, case, saiba cozinhar. Ela só será feliz e completa quando ter o grande amor da sua vida e cumprir sua missão biológica.  Esperam que os estudantes de 17 anos decidam suas vidas, estejam prontos para o mundo e sejam maduros. Esperam que idosos não façam mais nada, não se divirtam, não mexam em celulares, não tenham energia. Esperam que sejamos certinhos e se surpreendem quando descobrem que, bem, nós cometemos erros.

Expectativas são colocadas em nós de forma injusta e cruel. E muitas vezes, isso vêm de pessoas que dão palpite demais e acabam esquecendo-se de viverem SUAS vidas. Mas não se dão conta de que somos nós quem estamos no volante, no controle de tudo.

Por isso, o que eles esperam é problema deles.

Asfixia

Asfixia

Ando,ando e ando (em círculos).
A mente como o sistema solar;
onde os pensamentos giram e nunca param.
Um ciclo eterno de luta.
Com sangue, guerra e mortes.
Uma luta com os demônios
os demônios que fazem parte de mim.

Deveria não ter chorado,
mas a corda acabou de arrebentar
Então rego estas árvores com o meu medo.
E isso está perto de me asfixiar.
Deveria dizer que o espelho se partiu
mas acabei de terminar de despedaçá-lo.
E eu também deveria fazer um monte de coisas,
inclusive fazer esse poema rimar.

Me consome e tira de mim o melhor.
Ah, o teto parece interessante!
mas são 4:15 da manhã,
E isso está perto de me asfixiar.
O que eu poderia ter dito?
Poderia ter falado aquilo
ou isso.
E crio ideias, histórias, situações que não existem
No mundo do sonhos eu vivo acordada
Batalhando contra os demônios que aqui residem.

A sensação de sufocar, de ser presa e impedida de viver
Porque eu acordo já pensando em quando vou morrer.
E diga em alto bom som…
apenas pros que fingem que não ouvem, não é?
Porque assim como eles, ignoro essa asfixia
Essa grande agonia que pra sempre me atormenta…
Maldita asfixia!

Vida: um comercial de margarina… ou não?

Vida: um comercial de margarina… ou não?

Dizem para termos esperança e acreditar nos nossos sonhos. E todas as novelas com finais bonitinhos, os jovens que estudam 12 horas por dia e aparecem na TV sendo chamados de heróis ou o texto motivador que muitas vezes te deu uma imagem romantizada, lhe dizendo que todo esforço terá sempre um resultado positivo. Isso tudo te ajudou a acreditar. Ou só a iludir? Afinal, a realidade é muito diferente do que lemos nos livros, vemos nos filmes e idealizamos para nós mesmos. Ela é cruel e ordinária.

Temos sonhos. Alguns querem uma TV de plasma, outros desejam formar uma família ou almejam o topo de sua carreira. Essa é a vida. Nem todo mundo tem sonhos grandes ou sonha alto, mas mesmo assim são sonhos. No entanto, as necessidades – ás vezes ou quase sempre – são maiores que um plano.  Um grande, pequeno ou médio plano. Em algumas situações vamos perceber que a imprescindibilidade de certas coisas acabam deixando a realização pessoal pra depois. E o sonho, o desejo de conquista, o fazer o que se ama, vai se esvaindo, assim como a sede de alcançar o universo.

É por isso que o faça o que você ama é como carregar um mundo. Ás vezes o que você ama não coloca comida no prato, não paga sua internet e nem metade da sua conta de celular. O que fazer quando o que você ama, na verdade parece distante de lhe oferecer uma vida instável? É essa a vida adulta. Adulto pensa nessas coisas. É isso o que é crescer. Crescer é perceber que os nossos sonhos são importantes, mas exigem muitos riscos que só valem a pena se você realmente ama o que pretende fazer.

Eles vão perguntar o que você quer ser quando crescer. Mas ei, não se iluda! Não irão lhe informar dos ônibus lotados que pegará as 5 da manhã, nem no pós-ensino médio que deixa todo mundo sem direção e muito menos dos “nãos” que você receberá. Ninguém vai te dizer, porque faz parte. Faz parte descobrir que a vida não é tão bonita assim, mas que é isso o que a fazer ser bonita. 

Ela não é um comercial de margarina, é só a vida. A vida em que pessoas desistem do que amam por necessidade, por precisar. A vida que ás vezes o seu esforço não vai ser o suficiente e você vai ter de tentar de novo – ou não. A vida em que vão querer ditar sua inteligência. A vida que tem decepções, que te machuca e te quebra. Mas é a vida.

A menina da letra A (PARTE 2)

A menina da letra A (PARTE 2)

E ela gargalha,
com o sorriso tímido
e a risada que colore o lugar (fedido).
E ela abraça apertado,
mas também só quando tem vontade,
Porque nessa explosão de sentimentos
Ela só deixa respingar gotas
Pra não se molhar por inteiro.

E é paciente,
Ouve e balança a cabeça
com a mão apoiada no queixo.
E é cuidadosa,
só fala quando acha necessário
e não abre mão do seu silêncio.
O vermelho reluz, a conduz
pra dentro da nova A
a garota com muitos “E”,
muitas reticências
a que está aprendendo a errar.

Menina da letra A

Menina da letra A

Primeiro, cacheado
Cabeça baixa e voz trémula.
Depois, o liso
E a fera de vermelho.
A menina mulher que quer nadar,
mas tem medo de pular fundo.
A que me diz pra eu me amar,
mas não se olha no espelho.

Diga a ela que quem anda na linha sempre
Nunca conhece outros percursos.
Que mistério é bom mas só quando é uma essência
E que palavras sufocadas viram almas vazias.
Melodia de músicas antigas
Embaladas com a monotonia
De alguém que tem medo de falhar.

Ela esconde o rosto e o coração.
Onde pode dar 100 só dá 30,
Medo e pavor de descobrir?
Sim, ela pode.
Talvez ela só não queira saber.
Talvez ela já saiba.
O que não pode ver e a estrada tão distante
A que espera e ela adia porque não quer voar agora.
Ela chama quem a aquece e diz que está frio lá fora.

A menina com A, a que fecha a janela
Mas não sabe que é transparente.
A que afasta quem pode cuidar só pra ter o que falar
E pra ter o que sentir.
A que quer acabar logo e perde as melhores vistas
E esquece de olhar pra fora.
A menina com A, a que quer estar aqui
E só vive o agora.

É assim que se fazem as guerras

É assim que se fazem as guerras

Bombas que explodem e soterram vidas.

Tiros que perfuram e viram histórias.

Águas que invadem e afogam sonhos.

Pessoas que pra alguém eram importantes,

Com amor, carne e osso.

Pessoas que tornaram-se memórias.

 

Eles matam quem não ama como eles,

Eles matam quem não pensa como eles,

Eles matam quem não se parece com eles,

Eles escravizam com a desculpa de estarem fazendo um favor.

Não clamam pela a mesma divindade e nem erguem a mesma cruz,

É como em 1500,”mais modernizados e trazendo a civilização”,

Usam a paz como desculpa para causar destruição.

 

Egos inflados, murchos e feridos,

Orgulhos que matam e castigam,

Etnocentristas que não estudaram geografia

E não descobriram que o centro da Terra não são eles.

Crenças impostas e espantos ao descobrir que não são unânimes;

Doentes por algo que o homem ignorante escreveu pra beneficiá-lo.

É assim que se fazem as guerras.

 

E ninguém quer parar

E ninguém dar o cessar fogo.

E ninguém quer construir escolas

E ninguém quer tirá-los da rua, só prendê-los.

E não estamos no topo.

Isso vem de alguém que não está no topo.

E poucos com muito.

E muitos com nada.

E os que tem pouco, já desprezam os que tem nada.

E os que tem o poder de mudar, mudam pra eles.

E os que querem chegar no poder, abusam e exploram a fé dos outros.

E os que estão doentes, morrem esperando.

E os que acham que acham serão salvos porque seguem a lei que o homem criou.

E os que se incomodam com o amor.

E os que estiveram em baixo, chegam no topo e desprezam os que estão onde estiveram.

E os que poluem sua calçada e escrevem texto falando pra protegerem as árvores.

E os que não se amam e querem muito se amar.

E os que ferem só porque não se amam.

E os que matam só porque não são iguais.

E os que travam guerras todos os dias e ajudam a tirar a paz.

É assim que se fazem as guerras.

Murinho do egoísmo

Murinho do egoísmo

Construímos muros ao redor de outras pessoas e fazemos delas o nosso centro. O problema de erguer algo em volta de alguém é não ter a chave para entrar, enquanto de forma espontânea, damos a nossa chave para que as pessoas utilizem quando quiserem ou precisarem. É a mania de sempre ser quem ajuda mas nunca ter quem nos ajude. É exatamente por isso que devemos alocar os tijolos e construir o nosso muro do egoísmo, colocando-nos como prioridade de determinadas situações.

Ajudar alguém não é prejudicar a si mesmo para que isso aconteça, o nome disso é auto-sabotagem. Dizer não é necessário e se o indivíduo em questão não entender, coloque como bem-vindo a cair fora. Tente não realizar ações para se julgar caridoso, bondoso, prestativo, mas em função de algo maior, uma coisa que vai muito além do seu próprio ego e satisfação.

Muitas vezes achamos que precisamos mudar os outros apenas porque o jeito deles, o modo como vivem ou pensam não se encaixa no que achamos que é certo. O que tem de “errado” com o outro é responsabilidade dele e não cabe você dizer o que se deve modificar ou não. Ás vezes esse tipo de ajuda só acaba atrapalhando. Certifique-se se o motivo de querer fazer isso é o outro ou você mesmo.

Ajudar também requer a vontade do outro em querer ser ajudado. Insistir em alguém que parece desvalorizar as suas tentativas de ajuda na verdade só gasta o seu tempo. 

A presunção de achar que você tem de ser responsável por ser “a mãe de todos” só deve ser redirecionada a si mesmo (a). É preciso parar de tentar ajudar os outros apenas para suprir uma carência ou um dever que você acha que tem com todo mundo.

Se for para ajudar, que seja pelo os motivos certos.

Aos 15

Aos 15

Aos 15 anos eu estava ansiosa para o Ensino Médio.

Aos 15 anos eu fiz uma festa só para agradar todo mundo.

Aos 15 anos eu pensava que todos os meus amigos seriam pra sempre.

Aos 15 anos eu já havia ouvido 114 vezes a música da Taylor Swift.

Aos 15 anos eu rezava para me apaixonar.

Aos 15 anos eu pensava que os 18 me traria mais amor próprio.

Aos 15 anos eu ainda não sabia sobre guerras.

Aos 15 anos eu não fazia ideia do que era vestibular.

Aos 15 anos eu só queria saber o que o menino bonitinho da minha rua achava de mim.

Aos 15 anos eu chorava porque meu casal na novela se separou.

Aos 15 anos eu acreditava que haviam príncipes encantados.

Aos 15 anos eu só queria ter 18 e aos 18 eu queria voltar a ter 15,

pra poder achar que aos 18 tudo ficaria magicamente melhor.

Quando se é Idealista demais

Quando se é Idealista demais

Demorei um tempo para aceitar que sou alguém idealista, romântico e apaixonado por um monte de coisas que ninguém que conheço liga. Me sinto um pouco como a música do Cazuza, vagando pelo os cantos procurando uma ideologia para viver, e de pouquinho em pouquinho, me decepcionando. Além de claro, frustrar-me e discutir por pensamentos com os quais as outras pessoas não compartilham comigo.

Idealistas e o seu maior defeito; pensar que só a visão deles está certa.

Em alguns momentos – ou em quase todos – eu passei a sentir-me sozinha, como se de alguma forma nenhuma pessoa do mundo conseguisse conectar-se comigo para repartir ideais e ideias. E nos idealistas isso causa uma grande sensação de solidão e falta identificação com indivíduos próximos. Na maioria das vezes há uma grande vontade de mudar o mundo, a sede de querer ser notado e fazer a diferença.

No entanto, ser idealista em um mundo que rejeita os sensíveis e valoriza quem esconde seus sentimentos é como viver em um campo minado. Ás vezes sinto que tento ao máximo provar-me para outras pessoas, lutar pelo o que acredito e no final, noto que a minha fúria em querer sempre atestar o que penso é só uma insegurança ou uma constatação de que Eu sempre preciso ter razão. 

Está aí na história que muitos líderes e seus ideais trouxeram guerras, mortes e barbaridades. Tudo porquê ideais cegam pessoas e pessoas cegas causam destruição. Esse é o lado negativo de ser alguém idealista e sonhador demais, porque pensamos que o bom para nós é o bom para o outro e nem sempre isso é verdade. É o ato de quase sem querer tentar modificar as pessoas para funcionarem de acordo com o que desejamos. Esta é a parte sombria de quem tem um espírito idealizador.

Intensidade faz parte de alguém que idealiza muito. Alguém que dificilmente muda suas convicções, caracterizando-se como inflexível. E um dos grandes pontos negativos de ser intenso é exigir e esperar o mesmo comportamento das outras pessoas. Porque para os intensos e idealistas, ser superficial e neutro faz de um indivíduo alguém extremamente desinteressante. Eles querem paixões, ódios e amores violentos e não coisas rasas.

E a frustração. A necessidade de encontrar alguém que nós nunca encontramos e que resulta em uma grande decepção interna. Quem é idealista, por momentos ou por longos períodos, sente-se vazio de conteúdo porque simplesmente não achou ninguém para compartilhar esse ideal.

Ainda sim, sinto que a convivência com pessoas não idealistas acaba tirando um pouco da minha essência sonhadora. Indivíduos que talvez não tenham realmente nenhum propósito ou que talvez só não possuam o mesmo que o meu. No entanto, a falta de motivação se alia a quem sou e modifica um espírito de alguém que tudo que deseja é deixar sua marca e viver por uma paixão.

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