Mês: Outubro 2016

As mesmas janelas, portas, pessoas…

As mesmas janelas, portas, pessoas…

Todos os dias passo de ônibus por este prédio. Ele está sempre aí, com sua cor amarelo de   burro quando foge, descascando a tintura e sobrevivendo a exaras cinco décadas de construção e má administração. Até mesmo as janelas recém-pintadas mais parecem aquelas do tempo da minha mãe. Ás vezes acho que ele nunca mudou e outras tenho a certeza disso. Os outros edifícios se destacam por sua modernidade e funcionalidade, já ele só passa despercebido em meio a tanta tecnologia e portas automatizadas.

Em um dos dias eu ouvi senhoras conversando no banco de trás do ônibus. Elas tentavam cochichar, mas os tons de vozes que possuíam não ajudavam muito. Tentada a não ouvir, mas ouvindo de qualquer maneira, eu escutei a moça de cabelo loiro tingido afirmar que o prédio seria demolido. Então, logo em seguida, a senhora do lado deu de ombros e disse em alto e bom som “Tudo deve se renovar. Faz parte.” A que parecia filha dela respondeu “mas a construção é de tanta tradição, não deveriam destruir… só renovar, como você falou” ela deu um suspiro baixo e pigarreou, olhando-a “isso é verdade, mas é um desafio bem mais divertido construir tudo do zero.”

Durante todo o percurso de volta a minha casa fiquei refletindo se a senhora não possuía razão e se, talvez, ás vezes não fosse necessário demolir tudo e só fazer diferente. Eu sabia que o prédio era importante, não só para minha vista mas para os moradores de lá. No entanto, ao passar por lá 2 semanas depois me deparei com uma placa de aviso que informava: “Futuro lar para crianças”. Eu suspirei e olhei para a frente, vendo a senhora cuja a voz era melódica e sábia, descendo com sua filha e amiga em direção ao abrigo. As três se abraçaram e ficaram olhando em silêncio. Naquele mesmo momento constatei que em alguns momentos é melhor demolir uma construção e começar do zero, do que insistir em algo que já não se tem mais jeito.

Os opostos se atraem. Será?

Os opostos se atraem. Será?

Você gostava mais de ficar na sua zona de conforto, eu queria diariamente desafiar-me. Você gostava de agradar a todos, eu não dava a mínima pra aprovação de ninguém. Você tinha medo de conflitos, eu era conhecida por nunca perder um. Você queria o caminho mais fácil, eu preferia sempre me dedicar e aprofundar-me nos assuntos. Você se fazia de sonsa, já eu todos sabiam que não era nenhuma santa. Você fazia charme pra bancar a interessante e eu ia direto ao ponto. Você era boazinha e não odiava ninguém, já eu nunca fingi que amo todo mundo. Nós somos opostos e opostos se atraem, mas como, se sempre parecemos nos afastar? Ás vezes há o sentimento, mas nenhuma conexão. Talvez fossemos opostos demais.

Pessoas negativas

Pessoas negativas

Pessoas tem problemas, saiba disso. Ninguém é livre de estar mal, muito menos de ás vezes entrar em longas fases ruins. No entanto, existe a diferença entre estar malnão querer melhorar. São aqueles indivíduos que parecem só precisarem reclamar para ter a pena e a preocupação alheia, mas que não pensam em mudar a situação em que estão. Eu chamo isso de pessoas negativas. Alguém que só lhe faz sentir mal e que de algum jeito te trás baixo astral.

Não me entenda mal, eu passei por momentos ruins também e não acho que quem se importa com você sai de perto, mas ás vezes a energia de pessoas negativas é tão tóxica que isso acaba afastando os outros a sua volta. Porque quando você desabafa com um amigo querido e depois sente-se motivado – para aos poucos – tentar melhorar sua situação, é bem destinto de alguém que só reclama e quando vem conversar trás problemas e mais problemas. E o pior disso tudo? Quando você não pode ajudar sente-se na responsabilidade de resolver isso. No entanto, leve algo em mente; Você não pode ajudar alguém que não quer ajuda.

De alguma forma eu aprendi a lidar com isso. Descobri que em alguns momentos você deve pensar em si mesmo e parar de tentar fazer todos felizes, porque isto é um feito que nunca conseguirá. Pessoas negativas transformam outras em negativas também, portanto, tome cuidado ao se relacionar com alguém que tira sua paz e coloca sua mente em guerra.

"Você sumiu"

"Você sumiu"

Pessoas se afastam, assuntos acabam, sentimentos esfriam e a falta de interesse de ambos acaba resultando no fim de amizades. Isso acontece toda hora e com todo mundo. Apesar de ser um ciclo natural, nós ainda insistimos em culpar a vida pela a nossa falta de esforço nos relacionamentos. Ou ainda, em casos piores, jogamos a responsabilidade nos outros por coisas das quais também participamos. Queremos sempre nos sair de vítimas; foi fulano que me magoou, ciclano quem simplesmente sumiu. Mas e você, o que fez? Será que é mais confortável simplesmente colocar-se como o que está apenas sofrendo e não possuiu uma parcela de culpa nisso?

Será que você também não sumiu? Será que também não havia esforço por sua parte ou o único vilão é sempre o outro?

Penso eu que as pessoas arrumam desculpas demais. Aliás, quem não quer arruma desculpas, quem realmente se preocupa só faz. É conveniente demais simplesmente sumir da vida das pessoas e depois, quando está no pior momento da sua vida – porque aparentemente, os seus amigos não são tão bons assim – chama quem você deixou de lado como se nada houvesse mudado. Este “Você” na frase “Você sumiu” deveria ser substituído por; Oi, Eu sumi porque você já não me era útil para nada, mas agora que é de novo, eu voltei.

Ás vezes não foi só o outro que sumiu, você também fez isso. Em algumas situações, não é apenas a outra pessoa quem não colocava esforço, mas você também deixou de colocar. Então antes de se propor a tornar-se sempre a vítima, certifique-se se você vive no mundo real, aonde esta visão de bem e mal não existe. E aí resta só pessoas que apenas não possuem mais interesses em comum. Esta é a vida.

 

Não somos mais tão jovens

Não somos mais tão jovens

Eu não posso mais ir no pula-pula,  então os invejo de longe.  Sem compromisso ou preocupações, eles vão para e cima e para baixo como se pudessem voar e tornarem-se pássaros – um dia eles vão, mas não agora. E então, depois de observar aquela ingenuidade e despreocupação encantadoras, comecei a pensar se não estou ficando velha demais. Se, talvez, aquele prazer de simplesmente acordar já não está se esvaindo, levando consigo a minha fome de viver.

Antigamente eu contava os dias para o meu aniversário, até marcava no calendário – espero que alguém ainda use – dizia para todo mundo “ei, faltam 5 dias!” “30 dias!” “1 dia!”. E mesmo que todos fossem entediantes e sem a presença de amigos, ainda sim ficava feliz por só… ser o meu dia. Eu tinha convicção e acreditava firmemente que era só o meu dia e que mais ninguém também fazia aniversário. Depois que acabei conhecendo um garoto que havia nascido no meu dia que eu, decepcionei-me. Com o passar dos anos eu acabei constatando que fazer aniversário é ficar mais velha, adicionar mais 1 aninho para a sua contagem.

Constatei também,  que outras pessoas eram mais novas, que estavam no meio do caminho e entrariam na faculdade mais novas do que eu, viveriam coisas mais emocionantes sendo mais novas e eu estava apenas lá, envelhecendo e já com idade para poder ser presa. Por muito tempo desenvolvi uma determinada inveja dos mais novos, acusando a mim mesma de velha. Criei esse complexo de estou envelhecendo, me aproximando da morte, socorro! Mas eu entendi que faz parte.

Uma hora você é jovem, tem 12, 15 anos e do nada está fazendo 20. E o tempo passa, as coisas correm, as pessoas morrem e os nossos sonhos são substituídos pela a frustração de talvez não ter conseguido. A nossa energia e empolgação com coisas que para nós eram importantes, foram levadas pela o desânimo que a rotina nos trás. E por fim, não é a nossa pele  – que vai envelhecer também – que realmente importa.Estamos envelhecendo, mas o importante é que a nossa alma e vontade de continuar lutando permaneçam como as de uma criança.

Você foi cedo

Você foi cedo

Ainda me recordo de quando lhe vi pela a primeira vez. Seus olhos pequenos e verdes cintilavam com surpresa, pavor e curiosidade de estar em um lugar novo. Você parecia querer explorar tudo, descobrir cada canto da casa. O engraçado é que o que se decidiu por fazer foi um xixi, uma enorme poça de xixi. Depois desse feito você balançou o rabinho e sentou-se com o seu corpo pequeno e loiro, encarando-me com doçura. Você trouxe alegria, rendeu muitas e muitas lindas fotos e era fruto de uma família igualmente cativante, assim como você.

Eu estava de férias, exausta. Minhas provas iriam começar assim que as aulas voltassem, mas por conta da minha atitude impulsiva de trazê-la sem pensar nas consequências, eu acabei tendo de ficar acordada por várias noites. Você me trouxe olheiras e irritação – ás vezes – mas era só olhar para o seu lindo rostinho que as coisas mudavam. Eu tinha medo de não dar conta, chorava, mas sabia que precisava fazer isso e ser responsável. Todo mundo te amava, não tinha como não se encantar. Eu realmente pensei que fosse pra sempre.

A primeira vez que eu te vi reclamar de dor foi uma parte do meu coração que havia se partido. A segunda vez acabou comigo, mas todas outras que se sucederam, originaram uma ferida que não eu sabia se iria conseguir cicatrizar. Você que só era uma criança – ou melhor, filhote – mas sofreu muito nos seus últimos dias. O seu corpinho, que antes vivia alegre e não parava quieto, parou. A sua pata, que mexia quando você estava tendo um sonho ruim, tinha um fio com soro. O seus olhos ficaram tristes e o meu coração também. Eu te vi indo aos poucos, fui a última e a primeira pessoa a estar contigo.

Penso eu que era minha missão te dar amor e lhe mostrar o que é ser amada. Era responsabilidade minha fazer da sua curta vida de 2 meses uma existência que valesse a pena. Não sei se consegui, não sei se você me amou, mas eu te amei. Talvez não compreendesse a responsabilidade de uma vida, mas eu te amava muito. E você foi cedo, garota. E eu sempre sentirei sua falta.

Carta pra eles (parte 2)

Carta pra eles (parte 2)

Quando meu lápis quebrou a ponta, eu soube que era hora de parar, guardar a borracha e rasgar o papel cheio de rascunhos inúteis de coisas que nunca iria dizer. Em algum momento, tive a impressão de que era um sinal da vida, era ela tentando informar-me que havia acabado. Até porque, alguém, em alguma uma hora, vai ter de lhe dizer que acabou. Uma pessoa que realmente se importe tem que falar que você precisa sair dessa, superar e parar de voltar toda hora nas coisas que só te fazem mal, mas que ainda sim seguram-te. E se ninguém fizer isso, eu vou.

Não é fácil rasgar o papel, nem apagar os rascunhos. Em outras palavras, não é simples ter coragem pra deixar no passado as coisas que continuam te ferindo no presente. Afinal, não é só a dor, são os olhares que tudo sabem e não se conectam mais, as piadas que antes eram só de vocês e hoje são do vento, pois suas risadas não estão mais em sincronia. É aquela sensação de perder a si mesmo enquanto perde o alguém. Não especifico nem romance, amizade ou família. Nem a dor, porque todo mundo tem direito de ter a sua.

Eu quero agradecer a você, ao tempo, as minhas dores e as nossas lembranças. Confesso que é difícil não ter mágoa, mas asseguro, um dia vai passar. Demora, mas passa. E nesse dia, todas as vezes que me senti mal comigo mesma, chorei, por só não ser o suficiente pra lhe fazer ficar ou culpei-me, por transbordar-me em qualquer coisa que faço, tudo isso que pensei ser o fim do mundo, só se tornará mais um aprendizado. E é este o significado dos que passaram por mim. Talvez haja um pouco de ódio, raiva ou rancor, mas faz parte. Cada pessoa lida com o que sente da sua forma, então, cabe a você, eu e todos nós, a não julgar.

E mesmo que, todo a mágoa tenha acabado com as coisas boas que antes existiam, eu ainda lembro, só não vou dizer. Porque você, ela e ele. Todos tornaram-se lições.

 

Queria eu

Queria eu

Queria eu olhar para o céu e enxergá-lo olhando por mim. Queria eu fechar os olhos e sentir-me segura no escuro. Queria eu juntar minhas mãos e ser grata porque acho que ele me concedeu, mas não consigo. Queria eu ter toda essa convicção que o meu futuro o pertence ou que minha vida está em suas mãos. Queria eu acreditar que os planos que traço só darão certo se ele quiser.  Queria eu crer que ele pode me dar as coisas que desejo. Queria eu confiar em toda essa história de que ele tudo criou. Queria eu não me culpar por isso, amaldiçoar-me ou dizer a mim mesma que estou errada, mas não posso negar a minha consciência. Queria e agora posso dizer, não, eu não acredito.

E a luz nunca chegava

E a luz nunca chegava

   Amarraram-me no escuro e fecharam a janela. Os meus pés estão marcados por conta da corda e eu choro baixinho. Ouço portas baterem, gritarias e gente andando por todo lugar. Tento me soltar, debater-me, mas é em vão. Como sairei daqui se quando grito ninguém me ouve? Como em um sonho, minha voz se calou e desapareceu sem motivo. Pergunto-me como ninguém me vê ou escuta. Olhe pra mim, imploro em silêncio. Por conta disso aprendi a me calar, perdi a capacidade de expressar-me e passei a guardar tudo pra mim. Não foram os olhares como facas afiadas, nem as risadas dos meus tropeços, foi o fato de eu estar trancada em um lugar que me aprisiona e ninguém parecer sequer notar isso. Será que um dia vou sair da escuridão?

Se importar não é o suficiente

Se importar não é o suficiente

Às vezes chocolate resolve tudo, outras não. Às vezes colar faz você passar, outras não. Às vezes ferir alguém que te feriu te faz melhor, na maioria das vezes, não faz. Às vezes palavras não bastam e atitudes precisam ser mais que promessas, necessitam tornarem-se ações. Às vezes só se importar não é o suficiente. Pra uns sim, mas não para todos.

Demora-se um tempo para descobrir a diferença entre dizer e fazer é gritante. As pessoas questionam políticos, mas elas mesmas fazem promessas das quais nunca vão cumprir. No fundo, só precisam fazer com que ouça o que deseja ouvir, o que precisa, ainda que não tenha ideia do que realmente significa mais profundamente. O problema é que sempre existirá um conflito entre os que querem mais que palavras e os que tem medo dos significados ocultos delas. Alguns tem receio de ir mais afundo, de amarrar palavras em pessoas e descobrir que elas podem ter um significado diferente pra cada um.

Não é só o olhar, nem o abraço que lhe dá porque cobrou isso. Essas coisas não devem ser dadas porque alguém disse que quer, precisam querer serem dadas, é diferente.

Então, às vezes só dizer não basta, não é o suficiente, nem mesmo aceitável. Às vezes não deu certo porque as suas definições no dicionário eram distintas demais para serem sinônimos, então acabaram tornando-se antônimos.

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