Mês: Novembro 2016

Eu e as estrelas

Eu e as estrelas

Gosto de discutir sobre assuntos. Sejam eles aleatórios, planejados, profundos, sem respostas ou os que ninguém ousa indagar.

Gosto de fugir do senso comum.

Gosto de questionar, procurar, me aprofundar, descobrir e tirar minhas próprias conclusões. Não curto muito ver as coisas só por ângulos de outras pessoas.

Ás vezes, deito-me sobre o chão gelado e converso sozinha. Pode lhe parecer uma atividade solitária, mas é que me falta alguém pra filosofar um pouco sobre a vida. Falta aquela presença diária com a qual eu vou debater e rever todos os meus conceitos. Falta um indivíduo que queira doar seus pensamentos para mim e mesclar eles com os meus.

A ausência deste indivíduo iluminado e a necessidade de me infiltrar um pouco mais nos mistérios do mundo, me faz escrever e papear com o meu eu interior. Por hora resolve, mas após algum tempo eu me canso de nunca ser respondida e ter que inventar diálogos interessantes.

E consequentemente, guardo esses meus pensamentos pra mim.

Enquanto esse alguém não chega,

fica somente eu e as estrelas.

Filmes ruins sempre serão Filmes ruins

Filmes ruins sempre serão Filmes ruins

Eu não odeio você.

Não tenho a pretensão de lhe desejar mal.

Não fico pensando em formas de te destruir.

Eu nem ao menos me lembro o motivo de ter ficado irritada.

Mas não esqueço o mal que você me fez.

Existe uma grande diferença entre perdoar alguém por algo ruim e querer essa pessoa de volta na sua vida. Entretanto, as pessoas tem mania de achar que só porque obtiveram o perdão, podem voltar como se nada houvesse acontecido. Pois,  não, você não pode.

Eu não odeio você. O problema é que você é tóxico e a sua presença e atitudes lhe transformam em alguém que não quero para minha vida. É simples, na verdade. Não é complicado, juro.

O que me irrita é a falta de noção de quem causou o sofrimento em relação a pessoa que foi magoada. Deveria existir um “protocolo social” em que todo mundo possuísse consciência do quão mal já fez para um determinado indivíduo e simplesmente se colocasse em seu lugar. Afinal, se você machucou tanto assim uma pessoa, o mínimo é criar noção e perceber que ela merece melhor. E consequentemente, sair da vida dela.

Portanto, não é ódio que sinto, muito menos rancor – Tudo bem. Talvez um pouco de rancor.

É a percepção de que

filmes ruins sempre serão filmes ruins.

As pessoas te amam, mas amam a si mesmas 1º

As pessoas te amam, mas amam a si mesmas 1º

Já fiz muitas coisas por pessoas que eu achava que me amavam. Isso inclui discutir com os meus pais, brigar com outros amigos e deixar de fazer coisas pra mim mesma. O que podemos concluir neste parágrafo é que me faltava o mínimo de noção e amor próprio. No entanto, constatamos também que as minhas amizades não eram as melhores. Ás vezes,  coisas dessas acontecem; damos tudo de nós por alguém e descobrimos que esse alguém não nos ama tanto quanto o amamos.

Dizem que o amor é feito de sacrifícios, mas como sabemos que esse amor vale o sofrimento?

Como temos a certeza de que a pessoa vale a pena?

Nós sempre achamos que as pessoas vão se sacrificar em função do nosso bem estar, mas na verdade, por mais amor que exista entre você e outro (a), talvez deva saber que em primeiro lugar sempre vem o interesse que é conveniente a este indivíduo. Não fique pensando que as pessoas vão fazer por você o mesmo que você faz por elas, porque não vão.

Então antes de brigar com o seus pais, deixar de falar com um amigo por outro alguém ou não fazer alguma coisa por conta de uma pessoa, pense se este indivíduo em questão fará o mesmo por você.

É de grande importância saber quem está disposto a ceder pra você e fazer uma troca, pois as relações não são feitas de só um dos lados tendo que afrouxar a corda, mas sim de ambos. Uma hora é um lado e na outra é o outro. E vice-versa.

Relações são trocas, então procure sempre estar trocando com alguém. E se for sacrificar-se, veja se vale a pena.

Por você.

A pirâmide dos sentimentos

A pirâmide dos sentimentos

Em alguma parte do ensino fundamental nos é ensinado sobre a existência de uma pirâmide de classes. Ela mostrava a posição de cada classe. Na vida real, isso ocorre com o modo que sentimos.Mesmo que não possamos assumir, sabemos que há pessoas que consideramos mais e menos. É como se sem querer criássemos uma espécie de colocação para cada um em nossa vida. No entanto, o problema de colocar alguém no topo da sua pirâmide é ter que lidar com o fato de que você não está no topo da dela. Ou seja, ás vezes quem você dá prioridade não te dá também.

O resultado disso é uma relação que não é balanceada e que de alguma forma, só você acaba colocando esforço em alguém que não aplica isso de volta.

Por isso, tente perceber se talvez a sua prioridade só deve ser dada para quem se comporta de forma recíproca com você.

Se posicionar ou não?

Se posicionar ou não?

Sempre vão haver dois lados de alguma coisa. Bem ou mal. Esquerda ou direita. Empatia ou Apatia. Positividade ou Negatividade. Passional ou Passivo. Feliz ou Infeliz.

Assim como existem os que escolhem apenas 1 desses lados, também há os que não escolhem nenhum deles. Talvez por comodidade, por conveniência ou só por medo. Eles preferem só não se posicionar, assim evitam brigas, stress, conflitos e atritos.  Tem quem diga que isso é ruim, mas outros afirmam que é a sobrevivência e que querendo ou não, trás mais paz. Será que trás mesmo?

Não posso negar que neutralidade é algo que me incomoda, mas dizer que para todos os temas tenho um posicionamento, seria mentira. Em algumas situações não escolher um “lado” talvez seja a melhor opção pra você. No entanto, escolher sempre não escolher é acabar vivendo como um indivíduo que é visto como não confiável, porque na maioria das vezes é o mediador, aquele que só prefere não se envolver e não brigar.

Tendo em vista que cada um decide o tipo de posição que quer adotar pra própria vida, o que resta é afastar quem não queremos em nosso convívio.

Entretanto, se não posicionar-se ou se posicionar é certo ou errado, daí vai de cada um.

 

Passividade me irrita

Passividade me irrita

Me considero alguém passional. Sendo isso bom ou ruim, a verdade é que compreender pessoas que são passivas demais é difícil pra mim. É uma grande dificuldade tentar conviver, pois enquanto quero uma resposta rápida, um confronto, uma atitude, acabo ganhando um “tanto faz”  ou um “sei lá” e isso resulta em um rolar de olhos que resume em tudo o meu sentimento de impaciência.

Pra mim a vida é um eterno caminho de ação e reação, mas há indivíduos que costumam não reagir. Por isso, concluo que por ser impulsiva demais não vou entender alguém que evita tanto tomar decisões, adotar posturas decisivas ou dar uma palavra final.

Não tomar partido por si só já faz alguém ser um pouco passivo, mas nunca tomar partido torna o indivíduo praticamente apático. E apatia costuma cansar alguma hora. E cansa, talvez, sentir que a sua intensidade é minada por uma passividade que é confundida com calma, com tranquilidade.

É exatamente por esse motivo que a minha teoria se confirma nessa reflexão. Pessoas passivas podem até marcar sua vida de algum modo, mas são as passionais que lhe darão as melhores histórias.

Porque elas ajudam a fazer a história.

Subjacente

Subjacente

Não vote,
Procrie.
Não fale,
Cozinhe.
Não questione,
Se ponha no seu lugar.
Não provoque
Se você sabe que é instinto.
E instinto não dá pra controlar.
Como assim não quer ser mãe?
Vai ser infeliz.

Como assim é lésbica, pansexual,bissexual?
Nenhuma família quer uma filha assim.
Te dou amor, te satisfaço e te mostro
o homem que você nunca teve.
Como assim não tem namorado?
Só com homem você vai ser feliz.
Como assim não quer casar?
Emagrece, eles gostam é das com corpão
Se continuar assim, ninguém vai te olhar.

Tem que aprender a cozinhar,
se não, não vai servir pra ser mãe e casar!
Estuda sim, tem que ter formação
mas sonhar alto?
Já ta pedindo muito, né?
Mulher não tem que ter ambição.
Compra esse perfume, ele vai amar,
porque o único motivo pelo o qual você se arruma
é pra ele olhar.

Seja enfermeira, professora, faxineira
Engenharia é curso de homem.
Nossa, batida!
Tinha que ser mulher no volante.
Que direitos o que, caramba?!
Tem licença maternidade,
Não precisam ir pro exército
E ainda tão resmungando porque deram uma olhada.
Anda de roupa acima do joelho e ainda reclama
de ser assediada.

Nas propagandas, nas novelas, em todo o lugar.
É a frágil, a virgem, a disputada por dois ou por três,
a puta porque pegou 4 naquela vez.
Tem que ser magra,
Tem que ser branca,
Tem que ser na média,
nem muito alta ou baixa.
Tem que ter cabelo liso
e lábio grande.
Tem que ser o que esperam,
tem que ser mãe, esposa e trabalhar.
Tem que acordar 5 da manhã e
ainda no ônibus, sentir os homens encoxar.
Tem que ganhar menos que o cara que trabalha a mesma coisa
e ainda ouvir gente criticar e falar
que o mundo tem equidade.
Porque bonito é ser homem, galinha, empresário,
É abaixar a cabeça, é se calar, é aceitar.
Feio é pedir igualdade.

Esperando por quem?

Esperando por quem?

Essa espera dura anos, dias, meses. Às vezes, acho que você nunca vai chegar e que estou aqui sentada, sendo iludida. Bom, talvez eu devesse ir atrás, quem sabe? Mas fico pensando que se não aconteceu, é porque não deve acontecer. Ou sou neurótica? Está bom. Isso sou mesmo. Porém, não me vejo com você e nem com ninguém. Sabe o que é? É que você parece tão perfeito que parece que nem existe. Quer dizer, que demora!

Não sei quem é você, nem se te conheço ou se já nos vimos por aí. O que sei, é que esses dias venho me perguntando o porquê de tanta espera. Por que você não aparece? O que está te impedindo?

Não sei se vamos dar certo, mas vejo gente por aí encontrando quem eles esperam e isso nunca acontece comigo. Seria melhor eu me completar. Ninguém deveria ter que precisar de alguém pra sentir-se completo e realizado, mas a verdade é que eu, nós, todo mundo, necessitamos desse alguém.

Só que você nunca chega. E no fundo, tenho medo de não chegar. Tenho medo de você não existir.

Tenho medo de você não existir, mas nem sei quem você é.

Faz sentido não saber por quem se está esperando?

Sanguessuga

Sanguessuga

Você acha que não, mas eu vejo.
Por trás de eu não consigo
E de tentas barreiras,
Tem alguém que só não quer ter que suar.
Vive na sombra sobre o guarda-sol
E assim vai levando e conquistando
A glória de que pra ter, só precisa chorar.

E de quantas você se safou?
E quantas vezes a pena, que é de graça,
Te ajudou?
E da raiva que eu tive e da mesma valorização que você teve
Do mesmo mérito de quem se esforça?
Lobo em pele de cordeiro.
Quem não te vê
é quem não quer.

Os deuses que eu não creio que me perdoem,
mas misericórdia é só de quem merece.
Afaga o braço quando precisa
e depois enaltece os que só notam sua ausência.
Ah sanguessuga, estou no seu habitat?
Me perdoe pela indiscrição,
Mas esta flor que você oferece pra mim, não é flor,
É minha futura decepção, a minha futura dor.

Zona de conforto

Zona de conforto

Sofás são confortáveis. Almofadas são confortáveis. Calças jeans velhas são confortáveis. E zonas de conforto são mais ainda. Não só isso, aliás. Elas também aprisionam, limitam e prendem. Impedem o progresso e a evolução. No entanto, tem seus lados positivos, afinal elas também evitam conflitos, erros e possíveis aborrecimentos. Como quase tudo na vida as zonas de conforto tem seus pontos negativos e positivos. Contudo, permanecer nelas por muito tempo é continuar o mesmo. E sinceramente, a mesmice é entediante, não acha?

Se reinventar é difícil e você não precisa fazer isso sempre. Ninguém precisa. No entanto, é necessário que em algumas situações o seu medo de errar seja menor do que a sua vontade de inovar, de fazer diferente. O seguro é confortável, mas continua o de sempre. O arriscar é não prever o resultado e ter de pagar pra ver. Quando fazemos o que continuamente esperam de nós, as coisas acabam se tornando algo previsível. E viver no previsível é como assistir um filme já sabendo o final: Não tem graça.

O medo é real e as pessoas vivem com ele. O medo de ser diferente, de errar, de destoar. E no final elas optam por algo que já conhecem.

O problema de sempre fazer a mesma coisa é ter de lidar com pessoas e com situações em que o de sempre não é mais atrativo ou necessário. Afinal, quando se vai em um restaurante sempre se pede a mesma coisa ou um dia decide-se variar? Sei lá, só por vontade de fazer diferente!

A única maneira de se aprender é errando, mas pra errar você deve tentar e pra tentar deve-se pelo menos permitir cogitar essa possibilidade.

Então erre.

 

 

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