Mês: Janeiro 2017

Deixando ir, deixando vir

Deixando ir, deixando vir

Não liguei mais, nem mandei mensagem. No entanto, isso não quer dizer nada. Não significa que te esqueci ou que as nossas lembranças foram apagadas. Talvez eu queira dizer que tenho vontade de ver novos rostos, ouvir novas vozes e me conectar com histórias diferentes. E não há nada de errado em deixar algumas pessoas entrarem. Contudo, se isso não te agrada, consequentemente, será bem vindo a me deixar ir. Me deixe ir e deixe outros virem.

 

Telespectadora

Telespectadora

Todos parecem estar se divertindo. Pelo menos, é isso o que a visão da minha janela mostra. Tenho uma ótima vista, aliás. Daqui, vejo os carros indo e vindo e destinos sendo traçados. Consegui presenciar términos de namoros, traições de melhores amigos, despedidas de famílias e lágrimas jogadas ao vento. Observo tudo. Observo tanto, que acabo nem sabendo qual a minha própria história. Ás vezes pergunto-me o que faço aqui parada, olhando e presenciando outras pessoas escreverem suas próprias memórias, mas nem ao menos fazendo as minhas.

Mesmo que questione a mim mesma, até agora a resposta não foi obtida. Talvez seja a rotina. O desenrolar dos dias com o desfecho semelhante; dias sempre quentes, noites igualmente abafadas e os olhos voltados para o silêncio ensurdecedor. Ou, por fim, seja só a frustração e a mesmice me intoxicando, me entediando e me arrastando para o conformismo, a aceitação de que nada vai mudar.

E eu continuo aqui; vivendo a vida de gente fictícia, de castelos, vampiros, caçadores de demônios. É mais fácil a fantasia do que o nada da realidade. A realidade de uma eterna telespectadora que sonha em um dia ser a atriz principal.

 

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