Mês: Abril 2017

E agora? A tinta secou, a mente está presa e mais um dia amanheceu. E agora?

E agora? A tinta secou, a mente está presa e mais um dia amanheceu. E agora?

Escrevi algumas estrofes esta noite. Estrofes de umas folhas perdidas e de ideias deixadas de lado. Isso sempre acontece. Eu tenho inúmeras coisas para cuspir ou jogar fora, mas elas só continuam indo e voltando. Ás vezes eu me sinto sufocada, porque quando se guarda coisas em pequenas caixas dentro de você, alguma hora serão tantas caixas que não terá mais espaço. Daí em algum momento isso precisa sair, se não, explode. E explodir é perigoso, é danoso. Afeta gente a sua volta e na maioria das situações, só te deixa pior.

Quando eu escrevo, fico pensando em quem vai ler. Penso nas reações das poucas pessoas que descobrem meus textos, meus poemas, meus devaneios. Quero que elas se identifiquem e gritem para si mesmas que não estão sozinhas. É para isso que continuo manchando minha mão de tinta e criando calos em meus dedos. No entanto, nem sempre o resultado é magnífico, ainda mais para quem, como eu, exige demais de si mesmo. Tudo tem que sair perfeito, compreensível, metafórico, poético demais. Há momentos que eu me pergunto o que sobra de mim dentro de tantas camadas de figuras de linguagem. Muitas vezes acaba sendo lindo em excesso e construtivo em grau nenhum. E eu procuro palavras no dicionário tentando transbordar-me, mas nada resolve e continuo falando tudo sem dizer nada.

Ocasionalmente, ás 3 da manhã, eu me desperto com ideias geniais que acabam se inutilizando com o amanhecer. Talvez a vida adulta tenha me ocupado e tirado um pouco da minha essência. Talvez criar redações e escrever rebuscadamente esteja tomando tanto do meu tempo, que a minha mente se esqueceu de ser livre, de sair da jaula a qual está condicionada. Eu fico com ânsia de colocar tudo para fora do papel, com a minha alma quase explodindo pela a boca, mas nada sai. Tudo porquê minha mente está enjaulada e eles tiram minha criatividade, o meu pensar livre. Talvez eu não seja tão boa quanto eu pensava ou talvez eu nunca tenha sido. Mas quem disse que eu quero ser boa? Eu só quero escrever.

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