Mês: Maio 2017

Por que você ainda está aqui?

Por que você ainda está aqui?

Se for para ficar, que fique porque quer. Não me atrai só fazer presenças, necessito muito mais do que um cimento para tapar buracos, quero uma estrada inteira.  Não há porquê prosseguir se só andas para não ficar sozinho na floresta escura, logo após a noite cair. No escuro deveríamos dar nossas mãos e transformar o breu em luz. Mas como, se nem fazemos mais faíscas?

Por que você ainda está aqui, se quando seu telefone vibra, suas pernas inquietas anseiam para vê-lo, mas por algum motivo evitas olhá-lo?

O que a comodidade nos levou a fazer,

nós, que costumávamos querer a companhia um do outro e hoje nos aturamos em um silêncio de covardia?

Eu tenho um pedido.

Não deixe os pratos meio sujos, só para assistir seu jogo de futebol a tempo.

Não me ignore quando eu quero chorar e lamento os azares da vida.

Não fique comigo porque precisa me amar, fique comigo porque me ama e precisa de mim.

 

Eu estou dizendo tudo o que ela queria te dizer.

Pai.

 

 

Vomitando borboletas

Vomitando borboletas

Como escrever sobre amor, se você nunca sentiu o calor arder em seu peito ou o fogo queimar, juntamente com as borboletas em seu estômago?

Talvez eu prefira vomitá-las.

Talvez eu não queira abrir a porta, já que fui muitas vezes deixada do lado de fora. Embora, mais do que isso, minha preocupação é ficar vulnerável o suficiente e me tornar transparente, dando as armas para que alguém me destrua.

Vai ver, é preguiça. Todo esse ritual de conhecer, convencer, jogar, fingir para o outro o desinteressar, as conversas repetidas e os mesmos flertes de sempre. Ficou chato. Ou talvez eu seja a chata. Ou eu só tenha achado chatos até agora. Ou tudo isso junto.

 É trabalhoso se esforçar, abrir sua caixa de traumas e entregar para alguém, esperando que abra e receber de volta com o lacre e papelão intactos. A verdade é que as pessoas não querem bagagem, mas sabe…

eu sou uma malaria inteira.

Eu sou o problema, a ferida, a cicatriz, o nó no estômago que nunca desata. Por isso, constato que seja menos complexo afastar quem se aproxima ou me afastar de quem conseguiu uma certa proximidade, porque é muita bagagem pra pouca carga. É muita gente vazia juntando com gente vazia.

Vocês já ouviram dizer que 0+0 continua sendo 0?

 Eu não achei ele ainda. E se você não achou ele, ela ou quem for, não tem problema. Enquanto isso, continuamos escrevendo versos e cantando músicas de amor que nunca vivemos.

Submetidos a se submeterem

Submetidos a se submeterem

Por que estou ignorando matemática? Eu devia estudar probabilidade, mas qual a probabilidade de eu preferir dormir pelo o resto da manhã?

Maldito Estado. Transfere a culpa da sua administração podre para seus estudantes. E então, todos nós, com mentes enjauladas e conduzidos pela a falsa meritocracia, perdemos 365 dias da nossa existência tentando obter algo que já deveria ser nosso.
Não vai entrar na minha mente que isso seja normal. Por que tenho que encher minha cabeça de conteúdo, enquanto morre tia, morre avó e a guerra explode, estou aqui, aprendendo probabilidade, pois só assim poderei ser uma boa profissional?

Eu não sirvo para isso. A arte, pelo menos pra mim, é muito mais importante que saber a estrutura de uma célula. Quero ser livre, mas insistem em prender-me.

É a prisão que vai me levar para ver a luz do dia?

Os que não se amam, os que não sabem amar e os que não foram amados direito

Os que não se amam, os que não sabem amar e os que não foram amados direito

Uma mensagem deixa de ser respondida. Um vácuo ali, outro aqui. De pouquinho em pouquinho, vou deixando de ser e passo a não ser, até que eu me torne mais ninguém. Pra ninguém.

De pouquinho em pouquinho, armo minha própria armadilha e estanco os sangramentos que causei a mim, logo após sabotar-me. No português, é uma voz reflexiva. Na vida, é odiar-se tanto a ponto de não achar que merece ser feliz.

As portas do mundo se fecham e eu me tranco em meu universo, cheia de auto piedade. Clamo e declamo à mim mesma que não mereço isso. Mesmo que seja como um mantra, não preciso repetir todos os dias para acreditar. Fui ensinada a isso. Sim, você consegue aprender a não apreciar-se. E não importa quem lhe ensinou, de um jeito de outro, isso acaba fazendo parte de você. Mas quem pode arrancar essa pele? Você tem certeza que está pronto para morrer no processo? Afinal, “às vezes é preciso sangrar para saber que está vivo”.

É duro não ver a si como digno. Não se pode sorrir sem que se culpe, sem que se condene. Talvez eu tenha aprendido a cavar buracos em mim, como meus cachorros. Porém, ao contrário deles, eu não cavo no chão e não busco nada. Só acho o infinito e acho dor. Ambas as coisas tem algo em comum. Não tem um fim.

E assim vou empurrando para longe aqueles que bem me querem, assim como quem um dia nunca se importou, me afastou também. Sou uma daquelas tontas que afugenta  porque tem medo de ser mais uma que foi afugentada. Uma daquelas que, dentre tantos ensinamentos, para bem e para o mal, aprendeu a ter medo de estimar e ser estimada.

Bem-vindo ao clube daqueles que não se amam e não sabem amar.

Ou não foram amados direito.

“Às vezes é preciso sangrar para saber que está vivo” – frase da música “Tear In My Heart”, da banda Twenty One Pilots.

Eu me apaixonei por me apaixonar

Eu me apaixonei por me apaixonar

Eu me apaixonei pela a ideia de duas mãos aquecidas em conjunto. Eu me apaixonei pelo o enlaço de dois corações que se conectam e tornam-se uma bolha que repele todo o mal do mundo, nem que por 4 segundos. Eu me apaixonei pela expectativa de despejar minha alma com outra alma e, talvez, alinhar as constelações dos meus ideais com a contradição das convicções de alguém. Eu me apaixonei pela a minha própria imaginação, que desenha e molda o que estancaria a ferida da minha solidão. Eu não me apaixonei por você. Nem por ele.
Eu me apaixonei por me apaixonar, mas mais do que isso, eu me apaixonei pela a possibilidade de ser amada. Porque só assim, quem sabe, eu conseguiria me apaixonar por mim mesma. Só assim eu me amaria; tomando para mim, o amor de alguém.

Eu me apaixonei pelo o amor e não pelo o amante.

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