Mês: Junho 2017

Escolher a si mesmo é difícil

Escolher a si mesmo é difícil

Estou sozinha. Emocionalmente, fisicamente, espiritualmente sozinha. Talvez, eu tenha escolhido a solidão. Talvez, eu tenha me acostumado com ela. Possivelmente ela seja melhor do que toda essa mentira, a falsidade ao meu redor, os abraços simulados e jogos de interesses. Kant tinha razão quando disse que a sociedade obriga o homem a mudar para inserir-se no meio, porque nenhuma das pessoas são o que mostram, o que falam, o que fingem ser. Minha mãe me disse que eu ia sofrer, mas acho que prefiro a dor do isolamento do que a “alegria” de me encaixar em um quebra-cabeça que não faço parte. Ouço muitas coisas de muita gente que nem me conhece, que não sabe quem sou eu quando amo alguém, que não fazem ideia do que vivi ou do quanto fui forte,  ainda que não fizesse ideia do quanto podia ser. Eles falam, falam, falam, mas quem são? Será mesmo que vale a pena toda essa encenação só para ser aceito?

Escolher você mesmo é escolher ser sozinho. É ter a consciência de que muitas pessoas serão deixadas para trás nesse processo, porém, se ficaram no passado, significa que não mereciam estar em seu futuro.

Experimentar o gosto da liberdade ao preferir você e sua essência é a melhor sensação, mas ao mesmo tempo, é estar exposto a ser julgado por não fazer o que todo mundo faz.

Não é antipatia, é aversão a superficialidade, ao vazio.

Não é timidez, é seletividade, saber escolher aqueles que atraem coisas boas.

Estou cansada de viver em um mundo pequeno, com gente limitada, de mente fechada. Quero ser livre e não posso esperar para um dia ouvir “eu também”.

 

 

Máscaras

Máscaras

Você viu aquilo?

Não.

Então acaba se tornando um deles,

fingindo que não enxerga,

para não ter de lidar com sua consciência

antes de dormir.

 

“Se você ouviu alguma coisa,

saia correndo,

e, se ela tem um olho roxo,

 

não é da sua conta, deixem que se resolvam”

Até que ela morre e você lamenta,

como todos os outros,

que tapavam os olhos para poder acreditar nas próprias mentiras,

ao dizerem que não tinham culpa.

 

Eles dizem, fale a verdade,

em uma nação que a honestidade é um ato de heroísmo

e não rotineiro,

em um mundo que as pessoas preferem a mentira confortável,

do que a verdade que restaura.

Eles dizem, fale a verdade,

mas quando se diz a verdade,

recebe-se em troca a solidão,

pois todos estes simulam para conviver e não se comprometerem.

Bem vindos a sociedade de interesses,

nada vem de graça.

 

Não é um poema,

muito menos, a melhor coisa que escrevi,

e eu não me importo com estrofes, versos e linhas.

Só estou exausta da hipocrisia ao meu redor

e das verdades que ninguém fala

com medo de se comprometerem.

Estou livre dessas máscaras, dos fingimentos

eu estou sozinha, mas sou eu.

Estão todos em bando

e eu não os reconheço em nenhuma de suas máscaras.

Bem vindos ao mundo dos adultos.

 

 

Ser adulto é…

Ser adulto é…

Dos muitos churrascos dos quais aconteceram em minha casa, no grande quintal com utensílios e pia para eventos, em praticamente 100% deles, repetia-se um ciclo:

Eu ficava sentada, com os meus ossos doloridos por conta das cadeiras ruins, tomava refrigerante e ouvia os adultos falarem da vida uns dos outros. Logo depois, os mesmos que falavam mal abraçavam-se e beijavam-se as bochechas. 

De épocas em épocas, surgiam perguntas sobre meu futuro, minha personalidade, meu jeito.  Aos 15 anos, o tópico do momento era “Quando vai arranjar um namorado?”. É aquela coisa chata das pessoas quererem que você siga um padrão para fazê-las se sentirem menos piores com suas vidas medíocres.

A vida tem daquelas pessoas que vão te dizer que quando você cresce fica mais maduro, porém, convivendo com grande maioria de adultos e pessoas de idade – tendo em vista que meu bairro é feito praticamente de idosos-, durante toda a minha existência, constatei que quanto mais o tempo passa, mais sensibilidade ele lhe toma.

Quando se é jovem você sonha, porque não existe limite do certo e do errado, do possível e impossível. Não temos noção nenhuma do quanto a vida é cruel e de como o mundo nos derruba de forma que, muitas vezes, demoramos a levantar. Queremos viver e batemos de frente com os obstáculos que tentarão nos parar e desistir das nossas ideologias.

Ser adulto é perder aquela capacidade de sonhar, de imaginar, de não ter medo de ser ridículo. Eles estão preocupados demais em fazer com que você desista da sua vida, assim como eles desistiram das deles, pois, só assim, se sentirão melhores por não estarem sozinhos em suas existências sem propósito.

Falam que as crianças são cruéis. É verdade? Sim, mas lembre-se que todo indivíduo em formação é reflexo do que enxerga, do que vive, do que escuta. Portanto, crianças são pequenos adultos, as cópias de seus pais.

Eu aprendi muito sobre ser adulto, mas principalmente, constatei que não quero ser uma adulta. Não quero ser como eles, de mundo pequeno, de mente fechada, de língua afiada. Sou livre, quero igualdade e não me incomodo com a felicidade dos outros.

Não sou uma adulta, sou uma jovem que luta para não ser amanhã o que esses adultos são hoje.

O que eu nunca te disse

O que eu nunca te disse

Eu sinto sua falta. 
Eu não deveria sentir a sua falta,
Ainda que, pra dizer a verdade, ache que eu não sinta.
Eu sei que não te amo,
amo o sentimento,
e o que eu criei de você,
apenas para preencher a falta do que tinha em mim.

 

Eu te odeio
e eu menti,
nunca lhe perdoei por ter me desmontado
e levado os pedaços consigo.
Você me fez acreditar que eu nunca seria o suficiente,
para ninguém, 

só porque não fui para você.

 

Então, eu mudei.
Queria ser tudo
que não fosse eu mesma.
Você teve a opção de ser a diferença,
já que sabia dos anteriores,
mas preferiu mostrar que são todos iguais.
Eu não sinto sua falta.
Eu não te perdoei.
E eu também não sei,

se um dia vou lhe perdoar.

Paleta de cores

Paleta de cores

Cinza,

Do céu.

Todos os dias são os mesmos.

E todas as pessoas são iguais,

neste meu pequeno mundo fechado,

onde nada se modifica

E todos os dias são nublados,

Mesmo no Rio 40° graus.

 

 

Preto,

dos medos e demônios existentes

na minha alma.

Todos os pedaços que de mim ofereci, foram devolvidos pela a metade,

e agora, me odeio por inteiro.

 

Vermelho,

da dor e das mágoas que o tempo nunca curou.

Todo o amor que nunca senti,

e as histórias da minha imaginação

que nunca vão se realizar,

porque jamais fui o suficiente para fazer alguém permanecer.

 

Verde,

da esperança e desejo de que um dia

eu me complete.

Mercúrio

Mercúrio

Queria comprar o que reluzia

para ser respeitada

e me ver bem olhada, apreciada.

Então, fui em busca do ouro e prata

como no brasil colônia,  nas bandeiras, nos ciclos de ouro.

 

Achei a riqueza,

mas, com ela,

veio a miséria da minha alma.

Eu estava brilhando

com minhas jóias e,

perto dela, a rainha desejada,

sentia-me privilegiada.

 

Porém, descobri que

o meu maior privilégio

é nunca mais ter de olhar para ela.

 

Como o mercúrio,

tão preciosa, tão reluzente

se infiltra em nosso corpo,

em cada orgão,

intoxicando parte por parte

até que não reste nada

além de cinzas

e mágoas.

Quando você abre a porta

Quando você abre a porta

Queria ser um livro aberto, uma daquelas pessoas que se sentam e despejam sobre todas as suas inseguranças e medos, mas em vez disso, sou um diário com cadeado. E o pior disso tudo? Eu nunca dou a chave para ninguém.

 Essa chave tem o segredo para os meus maiores machucados, as coisas que me assombram todas as noites e que ninguém faz a mínima ideia. Acho que me acostumei a manter tudo trancado, então agora não sei se um dia conseguirei abrir novamente.

 A causa?

Bem…

Eu já fui um livro aberto antes, senti na pele os efeitos de deixar alguém me ler.

O julgamento, olhares desconfiados, indagações. Tudo é consequência de se  deixar ser vulnerável. E na verdade, isso se assemelha um pouco com quando recebemos as pessoas em nossas casas; deixamos que elas entrem em nossos “mundos”, onde paredes sussurram memórias que só nós temos conhecimento.

 E dói. Dói quando alguém pega um sentimento seu, seja bom ou ruim e usa isso para te colocar pra baixo, em vez de apenas dizer que está tudo bem.

Porém, adivinha só? Não está. Eu mudei. Mas não foi uma mudança pra mim e sim em função deles, que me fizeram optar por nunca mais abri a porta para ninguém.

Chega de visitas, a partir de agora só fica a dona da casa.

Visita em casa

Visita em casa

Se pudesse ouvir,

todas as coisas que essas vozes sussurram,

você correria?

Se pudesse ver,

todos os pensamentos que elas projetam em minha mente,

desejaria ser cego?

Se tivesse a chance de pular e voltar vivo,

do oco e escuro de meu inconsciente,

escolheria não estar mais por perto?

 

Se você pudesse me ver, em vez de só enxergar,

ainda sim permaneceria?

Perdoe-me os questionamentos,

é que preciso ouvir sua resposta,

Pois estou acostumada a saídas silenciosas.

 

Talvez você seja uma daquelas visitas que

arrumam uma desculpa para ir embora mais cedo,

porque não possuem a intenção de voltar de novo.

Então

se você for uma dessas

me avise antes,

assim,

me poupa de abrir a porta

para pessoas como você, que não chegam para ficar.

Não me vejo nesses espelhos

Não me vejo nesses espelhos

Ser poeta em um mundo onde as pessoas falam e não dizem nada, acabou se tornando banal. Não há significado, apenas palavras insípidas e um copiar/ colar frenético. Vejo coisas em minha timeline que já li milhões de vezes. Estas coisas foram feitas por alguém que sente e postadas por outro alguém que não sente, só quer. Quer atenção, retweets, quer ser visto. E essa é a pior parte; quando nós reproduzimos alguma frase ou texto apenas para que possamos ser vistos, esquecemos do significado real daquela obra e a banalizamos. O texto, o poema ou a rima, não é nada para você, mas é tudo para alguém por aí.

Vejo textos sobre amor, textos sobre corações partidos, poemas reclamando de quem não ama, poemas reclamando de quem ama demais, mas não leio nada sobre gente. 

Gente que tem problema, que tem medo, que está crescendo, que se sente sozinha, que brigou com os amigos, que só discute com os pais.

Não vejo nada sobre o mundo, morte, vida adulta, cobrança, padrões da sociedade. E se eu vejo, vem em forma de “textão”, não de poema e muito menos de textos. São apenas pessoas que querem posar de preocupadas com o mundo e no final, fazem parte das que contribuem com as migalhas de ódio e indiferença.

Para onde foram parar as coisas reais? Parece que vivemos em mundo que cultua o coração partido, o sofrimento, a desilusão, a bad. É como se todos as dificuldades existentes se resumissem em amar uma pessoa que não te ama de volta ou ser ferido por alguém que amava.

Não existe ninguém falando de como é difícil crescer, se descobrir, saber escolher os amigos. As pessoas estão preocupadas em lamentar a falta de atenção do crush, quando podiam olhar em volta e enxergar questões maiores.

Eu simplesmente não me vejo nesses espelhos.

Desculpe.

Querida conhecida

Querida conhecida

Perdoe-me.

Por ter te feito carregar pedras e nem ao menos retribuir com flores.

Por te colocar em segundo plano por falsos amores.

Por não ser grata o suficiente quando foi  forte por mim.

Por sacrificar sua felicidade para fazer outros felizes.

Por não colocar-te como prioridade.
Querida eu, desculpe por não ter tanta consideração,

você merecia mais.

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