Mês: Agosto 2017

50%

50%

Sinto que eu estou me perdendo, enquanto arranjo desculpas para não voltar aos livros. Qualquer coisa parece mais interessante e eu sei disso, mas essa batalha interna dentro de mim me alerta das consequências de adiar o que já deveria estar sendo feito. O que estou esperando? Eu queria que minha preguiça não fosse equivalente a minha vontade de ter uma boa vida. 50% revolta e 50% submissão ao sistema. Sei que é injusto, errado, mas o que fazer quando a sua única opção viável é se entregar e fazer parte de toda a injustiça que engloba a tantos largados por aí? Sinto-me ingrata. As mãos que se entenderam para mim não mereciam esse tapa. A raiva é justificável e a decepção mais ainda.

É agora ou nunca, o primeiro passo para o mundo, que, é claro, não significa que vai ser fácil. Nada que é bom vem fácil. Às vezes temos sorte, porém nem todo mundo pode contar com a magnífica presença do acaso para se dar bem. Eu sei que consigo, eu sei disso. No entanto, fico pensando no tempo e nas coisas que estou perdendo, nos momentos em que não vou estar vivendo, nas risadas que desperdiçarei  enquanto tentava compreender os átomos dos quais eu não dou a mínima. Talvez esse meu espírito preguiçoso esteja me sabotando e tenho certeza que a vontade de conseguir tudo fácil não vai me levar a lugar nenhum.

Eu dou meu 50% quando sei que posso dar 100%, mas para dar o cem tenho que abdicar os outros cinquenta e esse é o caminho mais longo que já percorri, mas eu mereço. Depois de tudo isso e a estrada maluca cheia de espinhos, as coisas tem de valer a pena, mas para isso eu preciso que elas comecem a funcionar.

 

O mundo está chato ou só era legal para alguns?

O mundo está chato ou só era legal para alguns?

Zombar a si mesmo faz com que as pessoas não tenham poder sobre você. Se você ri das suas próprias inseguranças, quem vai poder tirar sarro delas?

Isso é o que meu coordenador do fundamental dizia. Ele achava que a defesa perfeita contra o bullying que eu sofria era rir de mim mesma, no entanto, não é fácil para alguém com baixa auto estima enxergar graça nas coisas que considera “defeitos” e as atordoa, impedindo-a de viver normalmente. Esta é a pequena ponta de um assunto que engloba vários outros.

Até que ponto é engraçado e quando passa a ser mal gosto? Aliás, qual o conceito de graça?

Tudo depende de quem faz e para quem está sendo feito. Geralmente o humor vem sempre de alguém que tem uma voz, um indivíduo que possui espaço para fazer outros rirem. E como, obviamente, “ter uma voz” é algo exclusivo para os que estão no topo, a piada passa a ser uma coisa originada de .

As situações são hilárias quando não estamos envolvidos.

Eu mesma “ria” de piadas de enterros…

até ir ao enterro da minha avó.

Assim que vivi o acontecimento me coloquei no lugar de quem presenciou aquilo também e pensei que não parecia tão divertido quanto achava que era. Por muitos meses, eu não achei graça, não conseguia rir.

É como funcionam as coisas. Tem sempre gente que vai gargalhar. O humor é usado para fazer o ser humano se sentir melhor com sua vida de merda, com as inseguranças, os preconceitos, as verdades não ditas. O mundo sempre foi chato, mas não para todos. Era chato, mas só para a pessoa que possuía o alvo em seu peito. Ele era chato para mim e para muita gente que tinha como situação real o que era considerado chacota.

Mas acredite, você pode ser engraçado sem ser mal.

Medo da dor

Medo da dor

Desvio dos caminhos mais longos, evito sair na rua com medo de ser assaltada, não como peixe por conta das espinhas e pego atalhos quando sei que vai demorar.

Estou tentando não suar tanto. Estou tentando sobreviver. Estou tentando terminar o dia sem me machucar, mas eu também estou constantemente querendo os percursos mais fáceis.

Desisto das coisas, eu fujo delas se vejo que estão complicadas. Digo que vou estudar para o vestibular mais adio e nunca volto, a frustração é o pavor que não quero ter de enfrentar de novo, ela dói.

Tenho projetos bons mas nunca termino ou nem chego a começá-los.

Eu me auto saboto a todo instante.

Talvez eu tenha que aprender a ficar em vez de sempre ir embora.

Talvez eu deva finalmente crescer e deixar de ser a garota com medo dos monstros de baixo da cama.

Opinião, ideologias e liberdade

Opinião, ideologias e liberdade

Eu prezo a liberdade de todos. Tenho conceitos liberais – nada politicamente relacionado, por favor – dos quais muitas pessoas em minha vida pensam ser radicais demais, no entanto, tudo o que prego é

seja livre, seja feliz, desde que não fira ninguém.

E eu estou falando de todo mundo, sem excluir qualquer ser humano.

O planeta está se modificando, ele continua girando todos os dias. Faz a rotação e a translação, no entanto, muitos ainda preferem permanecer estáticos. Direito deles? Sim. As pessoas possuem a liberdade de pensarem como quiser, mas não significa que eu tenha de ficar inertes ao lado delas.

É onde mora ai o X da questão.

O fato, é que todos nós temos ideologias, opiniões e conceitos só nossos. Esses conceitos não surgiram do nada, não vieram por mágica, alguém colocou eles no nosso pensamento e os impôs ou nos criou com essa determinada linha de raciocínio. Ou seja, nós não aprendemos as coisas por nós mesmos, alguma pessoa, em determinado momento, nos disse

pense nisso e seja isso“.

A problemática disso tudo é nos dar conta que, muitas vezes, defendemos coisas que nem realmente acreditamos. Contudo, existe a liberdade para afirmar que nós não somos os nossos pais. Eu não sou o meu pai, eu não sou a minha mãe e eu não preciso pensar como eles.

O mundo gira e se meus pais quiserem não acompanhar ele essa é a opção deles, eu não vou deixar de amá-los, mas não significa que eu vou concordar. Meus pais são meus pais, por isso, não posso cortar eles da minha vida, porém, eu tenho a opção de escolher quem vai estar nela.

Se eu propago conceitos anti intolerância eu não posso me calar se alguém que eu amo ser intolerante, isso se chama hipocrisia. O que eu acredito deve valer para todo mundo, independente de fazer ou não parte do meu círculo. Você não tem que SÓ conviver com gente que tem os mesmos pensamentos, mas não significa que seja a sua obrigação manter em sua vida pessoas que vão contra seus princípios, até porque, que tipo de ideologia é essa que só vale para uns e exclui outros só para evitar conflito?

Eu não vivo numa bolha, eu respeito opiniões, mas não respeito preconceito.

O mundo realmente gira e eu quero continuar com ele, não pretendo ficar parada esperando que outros andem.

 

 

Eu quero falar com alguém

Eu quero falar com alguém

Eu queria discar o número de alguém.

Eu queria ouvir a voz de alguém.

Eu queria conversar com alguém.

Sinto que já falei tudo para todo mundo.

Enchi suas mentes com os mesmos problemas de sempre.

Sinto que tenho muita coisa para falar, mas não consigo dizer nada além do mesmo, nada além de nada.

Então, eu me calo.

Tenho a impressão de que por mais eu converse com as pessoas, elas nunca entenderão de verdade, mesmo que digam que “está tudo bem te ouvir ou sempre pode contar comigo”, no final, acabo por ter a sensação de que ninguém realmente me escuta,

às 4 da manhã, quando mais preciso.

Ao mesmo tempo, me parece egoísta.

O quão horrível é desejar que alguém fique acordado até essa hora só para me ouvir?

O quão egocêntrico isso soa?

Provavelmente muito.

No fundo, talvez eu só me sinta sozinha e a solidão é algo com a qual eu me acostumei, mas não significa que eu goste.

Constantemente, eu afasto as pessoas por não me achar boa o suficiente, mas também por me dar conta que no pôr do sol de todo dia, estamos todos sozinhos.

E eu não tenho ninguém para ligar.

Alguém que diga “eu também”.

No mundo da lua

No mundo da lua

Ouço em volta todos esses zumbidos, o tempo inteiro, a cada dia. Pessoas fofocando umas sobre as outras, criticando o modo que se vestem, comportam-se, relacionam-se, julgando a maneira como seu próximo deve levar sua vida. Isso me parece tão inútil! Sempre fico alheia da maioria das coisas quando estou em um ambiente, e, acredite, demorou um tempo para me dar conta que isso pode ser considerada uma qualidade.

Tudo bem.

Tenho que confessar que sou observadora, do tipo que sabe mas não fala, que espera a hora certa e a pessoa certa para contar. Eu sei, eu vejo, mas não necessariamente significa que me preocupo com o que todos fazem das suas próprias existências, porque para ser sincera, eu não poderia ligar menos.

Quando você passa tempo demais apontando as coisas que estão erradas nas pessoas, isso fala mais sobre você do que sobre elas.

Estar no mundo da lua é algo que necessito, assim como muitos seres humanos essencialmente precisam dizer o que está errado no outro para se sentirem melhores consigo mesmos.

Você pode pensar muitas coisas sobre mim.

Que talvez eu seja introspectiva? Inflexível? Radical demais? Possessiva? Obcecada com qualquer coisa? Preguiçosa? Carinhosa? Intensa? Com certeza tudo isso e muito mais. Todavia, ninguém nunca vai te dizer que cuido da vida dos outros, pois não faço isso. Eu não comento quem está mais gordo. Eu não sei quem casou. Eu não dou a mínima para quem “saiu do armário”. Eu não poderia ligar menos se fulana está solteira faz anos. Afinal, quem liga?.

E sabe por quê? O meu mundo da lua é muito melhor.

Sim, eu não reparo em nada.

Aliás, demorou o ano inteiro para que eu notasse que minha colega de classe estava grávida. Precisou que alguém me falasse isso, tendo em vista que eu nunca me dei ao trabalho de reparar na barriga dela ou em qualquer comportamento que a menina tivesse.

Eu nunca reparo.

Prefiro meu mundo da lua. O mundo no qual qualquer um pode ser feliz como quer.

Medo de crescer

Medo de crescer

Achei que não sentiria falta do Ensino Médio.

Estava certa, pois não sinto. O que me faz falta mesmo é a rotina, as coisas definidas e prontas para que eu apenas realizasse.

Havia uma prova com o conteúdo tal, trabalho com o aquele tema lá e tudo o que eu precisava é fazê-los e me ver livre.

No entanto, a partir do momento em que me formei na escola, as coisas ficaram sobre o meu controle e é óbvio que eu não sabia o que fazer, afinal, a vida inteira sempre houve um planejamento para mim e de repente, BUM,

estou por contra própria.

É assustador.

Eu diria apavorante.

Logo eu, que sempre quis crescer, ser independente, não sei o que fazer quando finalmente atingi esse ponto.

Eu sinto falta da rotina, dos acontecimentos que me pareciam o fim do mundo naquela época, mas que hoje sei que não são nada.

Sinto falta da sensação de poder fingir que eu não era uma adulta. De por um momento, ter a permissão para ser uma criança.

Eu tenho medo de crescer,

mas quem não tem?

A dor silenciosa da ansiedade

A dor silenciosa da ansiedade

O medo emocional é a destruição mais silenciosa que o ser humano pode enfrentar. Começa aos poucos, te consumindo enquanto você lava a louça, quando está ponderando sobre atender ou não o telefone. Ele toca insistentemente e pode ser alguém importante, um banco, uma cobrança, mas não fazer nada acaba sendo a sua escolha. Mais tarde, tentar explicar para seus pais sobre o porquê dessa atitude acaba virando uma tarefa impraticável. Eles não vão entender, então deixa que eles te atinjam com palavras.

É exatamente desse jeito, com a coisa mais simples possível. Mas quando percebe, não consegue nem sair da porta de sua própria casa. É como se criaturas invisíveis segurassem os seus pés, os fixassem no chão para que você não se locomovesse, então, pequenas ações se tornam impossíveis. E a pior parte disso tudo, é que ninguém realmente parece compreender.

A vida tem dessas. Dificilmente alguém vai te entender totalmente, pois o que você passa, só você sabe. Muitas vezes, não é por mal, mas acaba se tornando o pior mal para sua alma, já que em vez de tentar ter empatia, as pessoas preferem te julgar e apontar o dedo.

Sair, ver pessoas, falar com elas, olhar em seus olhos, estar em ambientes que não sejam sua casa são coisas improváveis de serem realizadas. Se esconder vira a melhor opção, ao mesmo tempo, que lhe destrói em pedaços cada vez que ocorre. Mentiras, desculpas esfarrapadas, pequenas histórias contadas para encobrir algo que te corrói por dentro, mas que você não tem controle.

Todos vão te olhar, reparar suas imperfeições, te apedrejar por sua aparência, seus erros, sua existência. O “normal” agora é esse e você sente falta do seu antigo normal, que por mais estranho que parecesse, pelo menos conseguia manter uma conversa com outro indivíduo que não fosse seus pais.

É tudo tão lindo quando visto da ficção, das palavras de alguém, não é? Mas os momentos onde tudo desaba ninguém vai te contar, você tem de enfrentar sozinho. Não espere compreensão, porque não terá. Sempre vai ter gente que lhe dirá “se esforce mais”, “saia”, “pare com essa vergonha”, enquanto o medo continua tendo total controle sobre seu corpo e mente, mas todas essas vozes te dizem que a culpa é sua.

Quando isso vai acabar? Quando eu vou poder voltar a respirar novamente?

Salva-Vidas

Salva-Vidas

Lhe joguei a âncora e a corda,
mas você preferiu despencar no mar de tubarões.
Não posso resgatar
alguém que quer estar perdido
e pode fazer eu me perder da saída.

Gritei para que corresse
enquanto te deixava para trás,
parada, na espera de alguém que te carregasse,
pois você tinha medo de pisar em espinhos.

Você temia a dor,
mas causou dor.
E quando eu busquei o antídoto,
você usou suas feridas como desculpa para utilizar, como se sua dor fosse maior,
enquanto eu, dolorida permaneci.

Você prefere ficar entorpecida
a não sentir coisa nenhuma,
porque talvez, o vazio dentro de você te assusta,
ao mesmo tempo, que você assusta os outros com o seu vazio
e os torna mais insípidos que si mesma.

Não posso ser sua salva-vidas.
Estou ocupada salvando a mim mesma,
E cansada demais para te olhar, ao passo que você se auto destrói.
Não posso ser sua salva-vidas,
porque você não quer ser salva,
você quer que alguém que esteja lá,
para testemunhar quando se perder
de si mesma.

 

 

 

Um poema errado

Um poema errado

Se eu te dar a lua, mesmo assim, não será o bastante.
Acho que é porque você gosta do drama,
e não pode parar de se sentir mal por si mesma.
Afinal, isso é o que lhe mantém viva.
Se não for a auto piedade, o quê?
terá algo para sentir, além do nada que preenche sua existência?

Eu continuo reclamando.
Sim, eu continuo.
Ora, bem..porque eu me importo.
Porque eu te dei a lua e você a deu para outra pessoa.
Então, me tornei mais uma das muitas estrelas apagadas
em um céu de constelações de minhas decepções.

Estou forçando a porta para entrar,
mas parece que você quer mantê-la fechada.
Ou talvez você só queira que alguém bata na madeira,
para ouvir o som da compaixão,
o som de que alguém se importa.

 

 

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