Mês: Setembro 2017

A Pandemia do ódio e medo

A Pandemia do ódio e medo

Eu vejo ódio. Respiro um ar tóxico, ele tem cheiro de medo. Está em todo lugar essa fúria. O pavor, a ira. Alguns têm horror só de pensar em ir para o inferno, mas outros estão com receio de estarem vivendo nele.

Já é inferno para algumas pessoas.

O fato é que todos nós tememos alguma coisa, porém, alguns parecem mesmo é ter pavor do diferente.

Do cara muito tatuado do outro lado da rua, da menina de mão dada com outra na universidade, do homem negro que vira a esquina, da mulher que fala o que pensa e ousa mudar, do homem que expressa seus sentimentos sem medo, da pessoa que desafia a ser confiante mesmo com todos os rostos dizendo o contrário.

Às vezes, me assusta que amigos meus possam ser mortos por conta de quem eles estão amando. Me assusta mais ainda que alguém seja capaz de matá-los…

Às vezes, me assusta que eu não possa dizer alguma coisa porque eu “deveria estar calada”.

Às vezes, me assusta como as pessoas em volta de mim querem ditar meu comportamento baseado em padrões dos quais não dou a mínima.

Me assusta tanto ódio morando em corações alheios, que estão prontos para matar, morrer, ferir e julgar em nome da fé, de uma passagem para o paraíso ou de uma alienação difundida com o medo de pecar.

O medo é sinônimo do ódio, pois o ser humano morre de medo do que ele não pode explicar, portanto, sua única opção é odiar.

Eu odeio vestibular

Eu odeio vestibular

 Folhas, folhas amassadas, borracha, caneta bic preta e um monte de nomes sobre plantas. Eu odeio biologia! Aliás, eu detesto todo esse negócio de vestibular. Até mesmo a minha amada história foi ficando chata, levando em conta a quantidade de conhecimento ao qual tenho de me forçar a adquirir. É verdade que aprender é bom quando você se sente estimulado, mas se torna cansativo e desinteressante ter de se transformar em um robô com informações até de rochas do triângulo das bermudas. Toda vez que paro meu estudo para refletir, acabo revoltando a mim mesma por me submeter a um sistema meritocrático e elitista, cujo jovens devem sujeitar a virarem zumbis e absorverem informações das quais nunca mais vão usar – em sua maioria, é claro.

 A ineficácia da educação brasileira é um assunto amplo demais, mas penso que como ex-aluna eu posso afirmar que tudo o que você faz, incluindo respirar e colocar gás carbônico para fora – alguma coisa eu me lembro – é voltado para o tal enem, especialmente no Ensino Médio. Ninguém te diz que o conhecimento é importante para descobrir e ter consciência do mundo em que vive e sim que ele é usado apenas com o objetivo de provar que você é capaz de ser um bom profissional, decorando sei lá que diabos um ângulo de refração é. Não precisamos nem dizer o quanto a arte é desvalorizada, não é?

Imagine um monte de adolescentes de 17 anos ouvindo que matemática é muito importante e que a habilidade deles de pintar, tocar um instrumento, cantar, etc, não é crucial para decidir seu futuro? No final, eles querem dizer que o seu talento não importa na hora do vestibular, pois se academicamente você não é bom, do que adianta? Chega lá e toca uma viola para o corretor da redação para vê se ele te dá 1000! Até parece!

  Mesmo assim, não significa que um diploma vai necessariamente lhe deixar rico ou rica, mas em um país como nosso, onde quase todo mundo não possui nem condição de pagar uma faculdade particular de boa qualidade, não ter de gastar com mensalidade já é de grande ajuda, pois haverá muitas outras despesas!

O fato é que muita, muita gente não consegue ingressar nas instituições superiores, tendo em vista que a acessibilidade ao tipo de conteúdo que esse exame traz é para poucos, diria até que a maioria, pelo menos no ensino público, nunca ouve nem falar da metade das coisas que caem. Isso faz com que seja injusto e obviamente – não em todos os casos – mas na maioria, uma questão de recursos e não só se esforço.

Quem tem as ferramentas se beneficia, ainda que não seja propriamente culpa da pessoa por ter esse acesso, muitas vezes ela acaba possuindo mais vantagem do que quem não tem.

Então não diga que é só questão de se empenhar e passar, pois depende de toda uma estrutura que muitos jovens não têm.

Vestibular não é lindo. Sinceramente eu acho que é de longe uma das piores coisas já inventadas e só prova o quanto o ensino do Brasil é baseado no total propósito de entrar em uma federal. É só para isso que você aprende geometria plana, essa é a verdade, meu caro ou cara – a não ser que você estude alguma coisa com exatas na faculdade, eu não faço ideia do para quê isso serve.

 Sem nem mencionar os problemas psicológicos, a pressão da família, dos parentes, de si mesmo e da sociedade. Gente que deixa de dormir, que para de falar com os amigos, que não passa mais tempo fazendo as coisas que gosta ou para resumir, gente que para de viver.

Só para deixar claro, não disse que na vida tudo têm de vir fácil, mas não significa que necessita ser um jogos vorazes que tranca indivíduos por 5 horas e os sujeita a um nível de estresse gigante para obter algo que lhes deveria ser de direito.

 

Eu não vou lhe dizer para concordar comigo, o intuito do texto é justamente nos fazer refletir sobre até que ponto uma prova pode ou não definir nossas vidas. Para muitos, assim como eu, é uma chance de alcançar alguma coisa concreta no futuro, a única maneira de adentrar em uma faculdade, mas talvez para você, que tenha recursos ou que possua outros planos, não é nada demais.

Tudo o que eu espero é que um dia nossos alunos possam respirar tranquilos e aprender por pura vontade de descobrir o mundo.

 

Suicídio

Suicídio

2160 pessoas terão se matado no fim desse dia. 

Mais de 30.000 se mataram nesses 16 dias de setembro, pelo menos até agora.

Isso são dados que eu fiz a partir da OMS, que afirmou que a cada 40 segundos, uma pessoa se mata no mundo.

Não são corpos, pessoas, números, se tratam de histórias, de indivíduos que tinham alguém, poderiam ou não ter um carro, preferiam ou não dias do que noites, beijaram ou não pela a primeira vez. É surreal que o suicídio e a depressão ainda sejam considerados tabus, tendo em vista que é a doença do século.

O NÃO FALAR não ajuda.

Falar deveria ser o mínimo.

Aliás, ter com quem falar também deveria.

Tem gente que não tem e vive em silêncio, se matando cada dia um pouco.

O silêncio é destruidor e é por isso que deveríamos escutar mais uns aos outros e julgar menos, ainda que não possamos entender as razões, as motivações.

Não é sobre quem está certo, mas sim de quem se sente tão errado ao ponto de não querer mais existir.

Suicídio não deveria ser uma opção.

450 pessoas ainda vão se matar no fim desse dia.

Outras milhões irão jogar pedras, esquecendo o significado de humanidade.

 

Ser mãe, casar e relacionamentos

Ser mãe, casar e relacionamentos

Não me enxergo no futuro, com a barriga queimando por conta do ar quente do fogão, as unhas descascadas em consequência das horas diárias lavando pratos e os meus sonhos abdicados para viver por outro alguém.

Soa egoísta?

Bem, depende da ótica que você possui.

Vai ver eu não tenha capacidade de amar a ponto de sacrificar minha existência por outro indivíduo ou abrir mão do que eu quero realizar para que outras pessoas fiquem felizes.

Parece frívolo, quase até insensível, só que e se o meu sonho maior não for casar e ter filhos?

É idiota perguntar isso no mundo de hoje, tendo em vista que temos muito mais espaço e liberdade para conquistar nosso lugar, especialmente as mulheres e as demais minorias. No entanto, ainda sim, existem pessoas que esperam o “de sempre” de nós.

Mas e se eu não quiser?

Talvez eu tenha outros objetivos que não incluam gerar pessoas.

Talvez eu tenha metas que vão muito além de passar a manhã inteira cozinhando para o meu marido, como minha mãe faz com meu pai.

Não que eu ache isso ruim, mas é que vi coisas negativas demais para conseguir tratar isso tudo de forma positiva. Só porque está estruturado e enraizado, não significa que seja certo.

O comum me assusta. O monótono, o padrão, o escritório, a vida adulta sem graça e relacionamentos baseados na conveniência. Não é isso o que me vejo fazendo e eu tenho medo, diria até pavor, de ser como os casais que me cercam. Aqueles que estão juntos porque se acostumaram e não por conta da vontade de ficarem um na presença do outro.

A visão que tenho do amor pode ruir quando eu finalmente me der conta que o homem que eu sonho não existe. E às vezes eu me vejo muito mais feliz sozinha do que com um cara do meu lado. Alguém que talvez queira me controlar, tirar minha liberdade ou qualquer coisa que GERALMENTE acontece. Não é que todos os relacionamentos sejam assim, mas é que o que eu vejo de exemplos de homens que querem exercer um poder que eles ACHAM que tem sobre as mulheres, acaba me fazendo repensar que

não quero ser controlada, não tenho a mínima vontade de aturar “proibições” do que posso ou não fazer, preciso ou não vestir. A impressão que dá é que a maioria dos caras só querem ter uma relação se puderem controlar suas companheiras, como se elas fossem propriedade.

Só que os tempos mudaram e eu constatei que a minha liberdade ou solidão “amorosa” – chame como quiser – é muito melhor do que ter que me submeter a esses tipos de relações, que me parecem a maioria e para ser sincera, não são nada saudáveis.

Amor tem que te deixar livre

e qualquer coisa que for diferente disso e queira lhe prender

não é amor.

O nada e uns momentos solitários

O nada e uns momentos solitários

Mesmo que eu tente explicar, eu não vou conseguir te dizer o que é. Talvez um dia você saiba, mas eu espero que você fique sem entender.

É um quarto escuro e o medo dos fantasmas, um frio no meio da noite quando você procura o lençol e não acha, é a risada falsa que você dá da piada de mal gosto que na verdade não teve graça.

É o estar completamente sozinho, ainda que não esteja.

Não é poético, mas alguns fazem com que seja. Acho que é menos doloroso pensar que a morte é “um embarque para as estrelas” ao invés de só um nada ou uma pele gelada em uma coisa de madeira. Nos apegamos ao divino e ao mágico porque a vida é difícil demais e tem gente que não vai aguentar se perceber que está por si mesma no controle da própria direção.

No entanto, é nos meus momentos de nada que eu consigo tirar tudo de mim e transformar o que eu sinto em arte.

Eu não sei se um dia eu vou parar de me sentir assim, mas enquanto isso, vou achando um jeito de tudo se tornar menos complicado.

Transformando os meus nadas em alguma coisa.

O você quer em troca?

O você quer em troca?

O ser humano não pode evitar, ele é muito si mesmo. Todas as coisas que faz possuem uma motivação, ainda que boa. Tudo se resume no que vai ter de retorno, em qual será a vantagem, o benefício. Embora pratique uma boa ação, saiba que não é um ato puro de bondade, sempre existirá um porquê. Ele passou por isso e sabe o que é, o sentimento, a sensação. Ele não está fazendo apenas porque é certo, mas também por conta do seu eu do passado, aquele que ainda sofre em uma dimensão paralela e ficará lá, preso para sempre. Não é só por você, caro amigo ou amiga, é por ele também. 

Eu não estou falando de uma decepção amorosa, não se preocupe. Não é raiva de alguém ou um desabafo, se trata de uma constatação: o ser humano é simplesmente egoísta, em todos os sentidos. Isso inclui minha própria pessoa, por sinal.

É claro que existem os mais bondosos, as exceções, os missionários, etc, mas não é uma unanimidade. Mesmo que o homem faça algo por alguém, no fundo, ainda é por ele mesmo.

Uma parte de mim percebeu isso quando teve uma das minhas decepções de amizades. Eu acabei por ter duas epifanias muito dolorosas.

  1. Eu sempre fiz as coisas esperando algo em troca, por mais que fosse meu “dever” como amiga, criava a expectativa de receber tanto quanto “doava”.
  2.  As pessoas não vão retribuir nunca.

Existe quem se importa e é verdade. Não é uma visão pessimista do mundo e de como o ser humano é egoísta – apesar de ele ser, não é só isso. Todo mundo é um pouco si mesmo, ainda que seja muito os outros, a gente tem uma motivação interna.

As pessoas estão em nossas vidas por algum motivo. Algum sentimento que nós as fazemos ter, uma sensação que passamos para elas ou o prazer que a companhia causa. Todos querem algo de nós e às vezes é só o querer, não o ficar. Tem gente que só vai sugar, é a realidade. Tem gente que vai trocar com você.

Mas é essa toda a questão;

Estamos aqui para trocar, não só receber ou não só doar.

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