Mês: Dezembro 2017

Eu quero falar

Eu quero falar

Estou presa a tanto tempo!
Acorrentada por um fio invisível que eu sei que está aqui.
Com a minha boca tapada com uma fita isolante
que isola
o som da minha voz
e me impede de poder falar por mim.
Por esse motivo, outros estão falando em meu lugar.
Eu não quero mais isso.
Eu não gosto de não falar.
Eu quero falar.

Há marcas na minha pele,
feitas por pessoas que queriam me controlar
e dizer que eu as pertencia.
Como se o único motivo de eu existir, fosse para as agradar.
Eu tive que lutar por coisas que alguns já nasceram possuindo como um direito,
e eu me pergunto
como acham isso injusto?
Talvez
os que enchem-se de medo da isonomia,
na verdade
têm consciência do seu privilégio.
E deve doer demais saber
que o mundo não gira em torno de você.

Eu escolho.
Eu sei o que é melhor para mim.
Eu sou livre.
E se eu quiser me “prender’, vai ser por minha escolha.
Eu posso sonhar.
Eu posso me aventurar.
Eu não nasci para “servir” se eu não quiser.
Eu posso chefiar.

Não tem a ver com superioridade,
mas equidade.
Não tem como objetivo te tirar de onde você está,
e sim
te dizer
que você não tem de estar aí porque supostamente é sua obrigação
mas porque é sua escolha.

Eu quero falar
que eu não sou uma propriedade.
Eu quero falar
que eu não me visto para ninguém além de mim.
Eu quero falar
que eu não sou um prêmio, objeto ou seu entretenimento.
Eu quero falar
que eu não me importo se você não concorda.
Eu quero falar
que eu ter uma voz
não é um privilégio
mas um direito.
Eu quero falar
que jamais deixarei alguém
falar
por mim
de novo.

A força das águas

A força das águas

Um copo vazio é apenas uma superfície sem nenhum conteúdo.

Uma pessoa vazia é alguém se afogando em si mesma.

Nadar contra a corrente parece quase impossível diante da força das ondas, elas insistem em nos jogar para longe, onde não há borda.
Então nadamos, batemos as pernas, pegamos fôlego e tentamos resistir, mas nem sempre há um final feliz imediato.
Às vezes, a onda é tão devastadora que quase leva todo o nosso oxigênio. É pouca a chance de respirar, para tanta água de uma vez.

E é verdade…
em alguns momentos, não dá para dar conta.

Não é só uma questão de escolha, mas de saúde mental. O ser humano tem algo em comum com máquinas;

ele também entra em colapso.

Nesse quase desfalecimento, nada parece funcionar. Os movimentos ficam mais cansativos de se fazer, todas as coisas estão tão longe de ser alcançadas e a vida não dá sinais que vai lhe deixar caminhar, pelo o contrário, só aparenta que vai te jogar mais para tras.

O problema é que para ser forte, é preciso ter essa força.

Não é sobre capacidade, mas sim limite.

O quanto você pode aguentar?

Ninguém tem que ser inabalável.

Tudo bem chorar,

lava a alma de dentro para fora.

E acho que nossas almas estão tão pesadas, que necessitam de uma limpeza.

Porque é verdade quando dizem que

não tem nada de errado em não estar bem,
tem algo errôneo em fingir que está bem de forma tão convencente,
que até você mesmo passa a acreditar nisso.

Perder alguém

Perder alguém

Estou te perdendo
e não posso fazer nada.
E a pior parte não é te perder,
pois eu sabia que isso ia acontecer,
e faz parte da vida as pessoas irem.
O que mais me machuca
é te ver perder-se de si mesma,
até o ponto de não existir mais.

Quando alguém vai embora,
leva uma parte de nós.
Alguns, embora passem rapidamente, apenas para marcar presença,
nos tiram a capacidade de acreditar novamente no próximo.
Outros, mesmo que fiquem mais tempo, não hesitam em deixar rastros, cacos ou escombros,
eles sugam nossa energia e nos ensinam
a não abrir mais a porta e olhar duas vezes antes de permitir que entrem de novo.
Por fim, os que não podemos evitar que se dissipem de sua existência,
os quais, a vida, em sua própria essência, retira de nossas mãos.
Toda perda é inevitável, mas fortalecedora, por mais que de início, mais enfraqueça do que fortaleça.

Te perder é algo que eu não posso impedir.
Eu prefiro me machucar por não te ver mais aqui,
do que enxergar a dor nos seus olhos estando presente.
Eu prefiro que você vá e me faça chorar,
do que você permaneça e isso te faça derramar lágrimas
de dor.
Eu posso abrir mão de você aqui, se isso for parar toda a sua angústia.
Porque amar é abrir mão e eu estou te perdendo
porque te amo e não suporto te ver mal.

Te perder vai ser como me perder, também.
Perder sua risada.
Perder seu jeito teimoso.
Perder suas festas.
Perder tudo o que poderíamos ter tido e construído,
se a vida não te tirasse de mim.

Mas eu aceito
te perder
se for para
você
não se perder mais
do que antes
conhecia como

viver.

2017

2017

2017.
Ano ímpar. Tenho más experiências com anos ímpares. Em 2015, quase fui reprovada em física. Em 2011, minha cantora favorita entrou na reabilitação. Em 2013, eu passei pelo o pior momento da minha vida. Em 2017, eu perdi muita gente e precisei amadurecer a força.

Não foi um ano fácil, nem mesmo para quem está rico, viajando pelo o Caribe e desfrutando de coisas boas. Não foi um ano simples porque, de alguma forma, mesmo que você esteja feliz, o mundo afundou em atrocidades, barbaridades e ódio. É impossível não absorver tudo em volta ou não ser afetado pelo o que se está consumindo.

Enquanto estamos tendo nossos momentos felizes, há pessoas que nem esses momentos possuem, nem paz elas tem. E às vezes nos concentramos tanto em nós mesmos, que nem reparamos no que está a nossa volta. A pobreza, a fome, a infelicidade, a desigualdade, a crueldade…

2017 nos forçou mudanças goela a abaixo. Algumas boas, outras péssimas. E nos fez enxergar também, ainda que contra nossa vontade. Nossos olhos se acostumaram tanto com coisas ruins, como derramamento de sangue, gente matando, gente roubando, que quando acontecia algo bom, ninguém realmente ligava.

É muita maldade em meio ao que parece uma faísca de esperança e, sinceramente, nem mesmo o mais otimista consegue ver uma luz.

2018 não será fácil, pois é apenas uma mudança simbólica, nada vai magicamente se transformar, depende de cada um de nós mudar as coisas. Depende de todo mundo pensar no coletivo e não só em si mesmo, no que beneficia primeiro seu eu.
O que houve é que 2017 foi a representação do pior lado do ser humano
que é quando ele decide esquecer qualquer um que o cerca
e viver em busca do seu próprio benefício.

Escultor

Escultor

Quando você foi embora, levou também, um pedaço meu.
Ao mesmo tempo, que me libertou,
para que eu descobrisse por conta própria,
uma parte de mim que não sabia que existia.

Por muito tempo, você me aprisionou em um labirinto assustador
de pesadelos e manipulação
de dependência e conveniência
de toxicidade e crueldade.

Eu não era boa o suficiente para te fazer ficar
mas você fez com que eu achasse que o problema era comigo
e tentou me mudar, moldar, esculpir,
como um artista falido
que só quer lucrar em cima de clientes desesperados
e transformá-los em algo que deseja que eles fossem.

Eu me calei por tanto tempo porque achava que precisava de você
para me amar.
Eu pensava que,
sem você, eu não teria mais ninguém para me fazer sentir preenchida.
Então eu descobri que entre ser mal acompanhada e sozinha,
prefiro mil vezes o meu vazio,
do que o seu copo pela a metade
e a alma insípida que você carrega.

Antes,
eu tinha ódio.
Agora
eu tenho mágoa.
Talvez um dia
eu chegue só a ter pena de você
por ter que me fazer sentir menor
porque você também se sentia da mesma maneira.
Eu sinto muito por você ter me perdido
pois sou a única
que te aturou em todas as suas melhores e piores versões
e eu duvido que alguém, nem por 1 minuto, queira se submeter ao que eu sujeitei.

Dentro de toda concha, há uma pérola

Dentro de toda concha, há uma pérola

Quando minha avó morreu, eu não chorei. Enquanto as pessoas ao meu redor se emocionavam em volta do corpo desfalecido dela, eu só conseguia ficar impassível. Havia uma tempestade dentro de mim, mas o meu rosto mostrava apenas um dia nublado, como qualquer outro. Em nada a minha face fazia jus ao dilúvio que era meu coração naquele momento. Então eu me senti culpada e me amaldiçoei. Eu não conseguia ser que nem todo mundo era, não possuía a capacidade de me sentir livre e à vontade para chorar, espernear, ficar despedaçada. Eu simplesmente não conseguia ser vulnerável.

A minha vida inteira foi assim, eu tinha uma habilidade incrível para deixar todos saberem o que eu pensava, no entanto, se pudesse classificar o meu talento para expressar o que eu sentia, diria que é um -3. Ninguém realmente chega 100% em mim – do meu coração, quero dizer. O máximo que conseguiram alcançar foi 98% e o resto dos 2% eu guardo para mim mesma. Tem que haver isso, se não, não sobra nada que eu não tenha compartilhado. Outra coisa importante é que eu não reajo como “todo mundo”. Não que eu realmente pense que todas as pessoas do universo sentem da mesma forma, mas o modo padrão de emoções é que quando ocorra uma tragédia, você se desespere e no momento que alguém vai embora da sua vida, as lágrimas escorram por sua bochecha.

Mas comigo é diferente, eu não reajo, eu não choro e nem grito. Não que eu esteja me segurando, pois não faço isso – ou talvez eu não queira assumir que faço. O fato, é que eu não levo as coisas a sério quando elas acontecem. Eu demorei 4 meses para “descobrir”, ou melhor, ver a minha ficha cair sobre a minha avó. Só depois de muito tempo percebi que ela não ia voltar. Mais de 60 dias depois do luto dos meus familiares estar acontecendo, o meu havia começado. Então eu sofri em silêncio, como sempre.
Talvez você esteja se perguntando se eu já contei para as pessoas o que eu sinto.

A resposta é sim, na maioria das vezes eu sou sincera em relação aos meus sentimentos, especialmente quando escrevo. Lembro-me de desde pequena escrever cartas para os meus pais, na tentativa de pedir desculpas por algum mal comportamento ou burrada que havia feito. Eu não sabia como explicar que eu sentia muito, então, o meu modo de me expressar era com palavras. As palavras sempre foram minhas amigas.
Eu não tenho uma conclusão para isso, talvez você possa me ajudar a chegar em uma. A única coisa que sei é que sentimentos não são o meu forte, pois embora saiba que eles existam, não faço ideia de como lidar com eles. Eu ainda estou aprendendo a não afastar todo mundo de mim ou a não ficar em silêncio quando eu deveria dizer o que está acontecendo.

Viver em uma concha é muito mais difícil do que todo mundo acha, mas é muito sortudo aquele que tem paciência e acaba descobrindo que dentro de toda aquela proteção, existe uma pérola.

Reféns

Reféns

Eu me sinto como uma criminosa.
Colocando uma arma na cabeça das pessoas e as fazendo de reféns, para que elas mantenham uma conversa comigo.
*Câmbio* – alguém aí?
Nada. Só silêncio. A quietude ensurcedora.
Talvez se eu gritar, eles vão me ouvir?
É…
Eu tenho a impressão de que só assim me notarão.
A verdade é que por mais que eu me esforce,
não consigo fazer ninguém perceber
o quanto eu preciso realmente de alguém.

Os meus amigos estão longe, lá do outro lado.
Eu os amo, sei que me amam…
mas e se eu não chamar, será que o meu telefone vai vibrar sem que eu implore?
Às vezes eu tenho medo de nunca mais ouvir nada do outro lado.
Eu tenho medo de ficar sozinha de verdade
e perceber que ninguém faz questão que eu permaneça.

Não quero mais fazer reféns,
eu gostaria mesmo é de parceiros de crime.
Estou cansada de ter que suplicar por amor,
eu não gosto de ser do tipo que recolhe migalhas.

Karma

Karma

Não vou esquecer dos olhares, dos sorrisos curvados, cheios de ódio, das suas armas apontadas para quem quer que fosse mais “fraco”.
Não conseguia contra atacar a altura
eu apanhava em silêncio,
sendo jogada no chão frio e hostil daquele caos cheio de preconceito, raiva e perversidade gratuita.
Eles distruibuíam maldade como se fosse um saquinho de brinde de festa de criança,
e o tempo parecia infinito no lugar no qual eu conheci um pouco da monstruosidade humana.

Mas você é tão insignificante
por só se sentir melhor
quando alguém está chorando.
Com sua maldade,
e as respostas cruéis na ponta da língua, prontas para derrubar qualquer castelo de cartas.
O que você realmente foi, além do valentão?
Talvez eu seja a mesma menina insegura,
mas você é só mais um infeliz no mundo,
digno de pena,
vazio de alma
e humanidade.

Levanta a mão se você foi um dos esquisitos,
um dos excluídos.
Um daqueles que não conseguiam olhar nos olhos das pessoas, com medo de elas te rejeitarem, pois sabia a sensação.
Um daqueles que fugiam de qualquer atividade em grupo
e odiava as horas vagas, quando algum professor faltava,
pois aquele tipo de silêncio era o mais ensurdecedor…
o silêncio de desprezo.
No qual você sabia quando não era bem vindo em um lugar
e ninguém te queria lá.

Não precisava ser dito, todo mundo sabia.
Alguns eram “melhores” porque já tinham beijado, outros, só por serem “bonitos” e alguns poucos, por terem o dom da extroversão.
Era como uma hierarquia…
ou você se unia a eles e submetia-se a humilhações para ser aceito,
ou iriam te fazer sentir como se não merecesse sua própria vida.
Eles viviam tanto aquele conceito como verdade própria,
que você começava a acreditar naquilo, pensando que seu lugar era mesmo abaixo deles.
Se era supostamente para te fazer sentir bem e integrar,
por quê a escola mais excluía do que incluía?
“Ser diferente é normal”,
mas não muito diferente, só igual a todo mundo?

Pois bem,
é hora do troco e eu não vou contar nenhuma moeda.
Eu não vou precisar fazer nada.
Mas com certeza vocês vão desejar terem ficado calados,
porque o karma não tem pena de ninguém,
muito menos de valentões.
Eu desejo tudo de volta para vocês.
Eu espero que passem por todas as humilhações que vocês fizeram cada uma daquelas pessoas passarem.
Eu torço para que vocês saibam a sensação de ser despedaçada e não ter ninguém para colocar seus cacos de volta.
Eu aguardo a minha vingança silenciosa,
que o mundo vai tratar de armar por mim,
porque felizmente estamos sempre girando
e alguma hora quem vai estar no topo sou eu,
não vocês.

Perguntas sem respostas

Perguntas sem respostas

O quanto vale uma desculpa não sincera para não criar coflitos?
O quanto dói um “estou quebrado” disfarçado de “ta tudo bem“?
O quanto me arrependo de quando eu queimei minha mão, pois disse que a colocava no fogo,
por quem me deixou ser queimada viva?
Quantas vezes eu me sacrifiquei, para ser sacrificada logo em seguida?
Quantas vezes mais vou ter que me fazer passar por isso, até perceber que para a maioria das pessoas, eu sou o momento do “por enquanto” antes do “para sempre”?

Quanto rancor eu vou guardar, até constatar que a única que ainda se importa sou eu?
Qual o número de poemas que escreverei, até chegar a conclusão que alguns versos nunca substituirão um grito de alívio?
Quando eu vou parar de mentir para mim mesma e assumir que não, eu não posso passar por tudo isso sozinha?
Quando eu vou parar de sugar as coisas das pessoas e buscar o amor dentro de mim?
Quando eu vou descobrir que eu cresci e que não posso me esconder por muito tempo?

Quantas situações eu desperdicei por medo de me machucar?
E quantos dias vão ter que passar, para eu notar que a única que pode mudar a minha própria vida sou eu?
Quantas perguntas desse poema eu não respondi?
Quantas delas eu tenho respostas das quais não quero ouvir?

Um amargo adeus

Um amargo adeus

Quando você me ama,
você não me preenche,
só me esvazia.
Então,
se o seu amor depende de eu corresponder as suas expectativas frustradas,
de viver por ti, a vida que você nunca conseguiu viver,
e de me calar diante das suas opiniões autoritárias que eu não concordo,
eu prefiro o meu bom e velho rancor.

Eu não me surpreendi quando você foi embora.
Eu não fico surpresa em nada em relação as suas atitudes.
Estou anestesiada, gelada, petrificada.
Eu não sinto nada.
Nem a sua falta de coragem.
Nem a sua ausência,
pois tudo permanece a mesma coisa,
afinal, mesmo quando ainda estava aqui,
não estava realmente aqui.

Você não me queria.
Não quis a nenhum de nós.
Você era sempre muito si mesmo para ser qualquer um.
Você é um idealista amargo que culpa o mundo por suas não realizações.
A distância agora é o meu remédio.
Chame de fuga, eu prefiro apelidar de cura.
Cura para mim, que estou me desintoxicando do seu veneno.
Cura para os meus pulmões, que agora respiram aliviados, sem pressão.
Cura para a minha alma, que pode ser livre sem ter medo de errar.
Eu fui presa em uma armadilha de rancor e raiva.
Eu me libertei e trouxe a mim mesma a paz que eu procurava.
A paz que eu nunca encontrei na sua presença.

Inevitavelmente o meu DNA é o seu também.
Eu não tenho como mudar isso.
Agradeço por ter me feito, mas não vou dizer obrigada.
Eu vivi com “não’s”.
Não, não, não, não.
Agora eu só enxergo sim.
Possibilidades, esperança, os meus sim’s.
Eu sei que tenho muito de você,
mas eu olho para a sua cara e não me reconheço,
não te vejo mais em nada.
Daquele que me levou para ver Nárnia,
Que foi para as minhas feiras culturais
e me disse que acreditava em mim.

Eu enxergo alguém que nunca me quis
e me deixou carregar toda uma carga que não era minha.
Eu te pago o ódio que você me ensinou e os nãos que você cuspiu
com a indiferença que você merece.

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