Mês: Fevereiro 2018

Você está na defensiva

Você está na defensiva

Quando ouvimos um tom de voz elevado, imediatamente gritamos para nos igualar. Subimos no caixote para sermos vistos ou tentamos impor o respeito através do medo. Todas essas ações são defesas do ser humano em diversos modos. No entanto, às vezes – no meu caso, quase sempre – nós atacamos de volta porque sentimos que precisamos nos defender, embora nem sempre haja essa necessidade.

A minha vida inteira eu fui atacada de forma pessoal, especialmente por conta da minha aparência. Vivi cercada de gente desagradável que fazia questão de me colocar para baixo, pessoas que possuíam o prazer de ver que eu me enxergava cada vez menor e conforme o tempo passava, me encolhia mais e mais dentro de mim mesma.

Isso me marcou de forma negativa, eu passei a olhar todos a minha volta como meus inimigos, como se eles pudessem me atacar a qualquer momento. Eu não consigo compreender a crítica ou a brincadeira inocente com uma parte minha que incomoda, de modo natural, já é uma característica minha que eu rebata como se fosse uma ofensa.

Por isso, sinto que estou sempre com o meu escudo, eu e a minha obrigação de sempre defender a mim mesma. Penso que pelo o fato de eu ter ficado muito tempo calada e nunca ter dito nada para as pessoas que me perseguiram na escola, o meio que escolhi para sobreviver é sempre disparar de volta, mesmo sabendo que talvez não valha a pena. Talvez eu tenha me silenciado tanto, que não consigo mais não falar ou não responder.

Estar sempre na defensiva é uma maneira que as pessoas acham de não se machucarem novamente, porque na maioria das vezes, elas já estão cansadas de sentir que precisam se defender.

Heróis e vilões

Heróis e vilões

Já testemunhei o pior lado do ser humano em diversos momentos de minha vida. Eu vi o ódio gratuito, o olhar pronto para ferir, o egoísmo exacerbado com a maldade sem noção do caos e o prazer de alguém que gosta de vivenciar a infelicidade alheia. Às vezes, pergunto-me como devem ser os sonos dessas pessoas, se são tempestuosos e escuros como suas almas ou se por acaso suas mentes estão tranquilas com o fato de arruinar vidas.

Não acreditava nessa ideologia maniqueísta que o mundo estabeleceu graças à histórias de heróis e vilões, nunca dando uma chance de haver um meio termo, no entanto, ao presenciar de perto tantas atrocidades, me questiono se não é verdade que algumas pessoas são simplesmente más e nada pode mudar isso. Na ficção há sempre o ex namorado ou a ex namorada que atrapalham o romance entre o casal principal e as novelas, livros e filmes, parecem seguir a mesma fórmula de sempre – provavelmente porque funciona. Mas e se, em uma retratação da própria vida real, mostrassem que os nossos vilões podem ser nós mesmos?

Somos nós mesmos que nos sabotamos, perdemos oportunidades – seja por orgulho ou imaturidade – partimos corações e fazemos as piores escolhas. É claro que acontece de ter pessoas que vão querer nos derrubar e semear o mal, mas e se em algum momento também fomos os vilões de alguma história? O fato, é que só porque alguém te causou mal, não significa que essa pessoa seja má, pode querer dizer que é um indivíduo bom que tomou decisões ruins. E nem sempre todo mundo é só uma coisa.

Tudo possui uma motivação, embora, na maioria das vezes, nem sempre justifica. Existem heróis e vilões, gente realmente ruim que espalha o mal por onde caminha, mas nem tudo é preto no branco. Eu costumava oscilar entre 8 ou 80, achar que ou somos algo ou somos nada, mas a verdade é que nas nossas histórias só não podemos aceitar os papeis de coadjuvantes, porque seria muita covardia deixar os caras maus escrevem por nós e os mocinhos ganharem a glória.

Nas ficções os mocinhos e mocinhas não cometem erros, são perfeitos, exemplos de caráter e bondade, mas em contrapartida, os vilões são os horríveis indivíduos que fazem de tudo para separar o casal. Com isso, coloca-se as pessoas em caixinhas e define-se que se for bonzinho, não pode ter raiva, não pode cometer erros ou simplesmente ter sentimentos negativos, como se o que definisse alguém ser bom ou ruim, fosse o fato de que qualquer coisa em seu coração é 100% pura e tal ser humano é incapaz de desejar, nem que em alguns momentos, que o faustão cale a boca dele e deixe os convidados falarem.

Por conseguinte, ficamos presos em um estigma de não poder ter emoções consideradas ruins, pois de alguma forma, parece que precisamos e temos que ser 100% felizes e não cometer erros. Então, se eu fosse me definir, diria que sou uma anti-heroína. Eu não sou perfeita, não sou completamente madura e nem sempre vou ter atitudes boas em relação a vida e seus desafios, tenho inveja, raiva, rancor, emfim… eu sou ser humano e estou bem longe de ser uma mocinha.

Portanto, apesar de pensar que há sim pessoas muito ruins, penso que nós todos somos anti-heróis e vilões, mas nunca mocinhos, pois todo mundo está bem longe de ser perfeito.

Tanta coisa para dizer, mas nada sei falar

Tanta coisa para dizer, mas nada sei falar

Eu mentiria se dissesse que não me sinto culpada em ficar sem escrever no blog. Estou numa fuga contra a improdutividade, ao mesmo tempo que fujo da frustração de não conseguir parar de ser improdutiva. Não encarar o fato de que eu estou passando por uma fase ruim na escrita, é o modo de fingir que não estou desistindo.

Tenho essa tendência de largar as coisas quando tudo fica difícil – assim como quase todo ser humano já fez na vida. Acho que é medo. Medo de me machucar ou simplesmente da decepção sobre mim mesma por não ser boa como eu desejo.

Eu tinha coisas para dizer para muita gente. Pessoas que mesmo não merecendo explicações, ainda sim deveriam ouvir a respeito dos impactos das suas ações. Mas há coisas que não devem ser ditas, já que na maiorias das vezes, os que mais necessitam de umas verdades, são os menos dignos de vulnerabilidade alheia.

Penso que sempre escolhemos duas opções

ou a fuga ou a verdade que destrói.

Ainda que escolha um dos dois, o resultado sempre será dará em algum ferimento, afinal, não se pode fugir para sempre.

“No meu tempo…”

“No meu tempo…”

 Todos querem se sentir confortáveis com a maneira que vivem, mas a maioria não consegue. A forma que algumas pessoas acham de se sentirem à vontade, é apontando o que mudou e fazer de tudo para que pelo menos em seu pequeno mundo, nada seja alterado. É uma questão interessante, porque elas ficam assustadas com as mudanças, irritadas com o fato de que a sociedade em que fora criada agora se modificou e não há como se encaixar nela, a não ser que se insira nas novas ideias. No entanto, aceitar não é isso o que esse pessoal do “no meu tempo…” quer, eles, na verdade, desejam que tudo volte para o seu “lugar” original, aquele antes de tudo mudar e os deixar deslocados e desconfortáveis.

O poder é algo que o ser humano ama ter, mas odeia perder. Quando as pessoas percebem que estão enfraquecendo em seus tronos, elas diretamente atacam a fonte dessa causa de fraqueza e, geralmente, os motivos são indivíduos insatisfeitos. Por isso, quando a fonte inesgotável de autoridade começa a ruir, quem sofre são os que não estão no topo – apesar disso, pode ter certeza que eles incomodam de serem questionados.

Porém, em contrapartida, os lá de cima fazem tudo o que está ao alcance para que nada mude para eles, afinal, ninguém abre mão do privilégio – nem mesmo se estiver prejudicando vidas alheias – o mais importante é que tudo esteja bom para si, não têm relevância a quem está se ferindo.

Existem mudanças boas e ruins. Em muitas delas, alguém sai perdendo – e  tenho certeza que esse indivíduo que perdeu não gostou de perder. Por esse motivo, muitos não aceitam as transformações ao longo do tempo, pois muita gente é beneficiada com a desigualdade dos outros. Aliás, o “não possuir mais” é não ter mais como usufruir de algo que lhe privilegiava.

“No meu tempo…”, disse, com a fúria em seus olhos, irritado porque não está mais usufruindo dos benefícios às custas do desfavorecimento de alguém

ou porque quer que o mundo seja confortável da maneira que pensa ser certa para que viva ou, por fim, porque não têm coragem de ser feliz da maneira que outros estão sendo.

E, acredite em mim, o ser humano fica muito incomodando se alguém possui a bravura de desafiar a ser feliz.

No seu tempo era bom, mas era bom porque beneficiava você e é por esse motivo que não se incomodava, já que nunca te afetou. Ademais, quando o calo apertou, emfim se deu conta que perdeu seu privilégio e alguém finalmente ganhou um direito.

Lápis sobre a mesa

Lápis sobre a mesa

Sinto-me enferrujada, como se não conseguisse escrever mais nada que fizesse sentido. Sei que há coisas para dizer, mas não faço ideia de como falá-las. Eu digito o que vêm de meu coração, mas não me parece o suficiente, então apago e me arrependo. São ciclos e ciclos de frustração até chegar em algo que valha a pena ser mostrado para o mundo – ou simplesmente para 100 pessoas que o habita. A questão, é que às vezes fracassarei como escritora, assim como fiz esses dias.

Escrever, para mim, é como cozinhar para alguns e dançar para outros. Quando escrevo, me conheço. Quando escrevo, descubro coisas que não sabia que sentia até tornar em um texto. É como se eu me conectasse diretamente com a minha alma – e é a única forma de eu ter certeza que ela existe.

Hoje, eu coloquei meu lápis sobre a mesa, fechei o bloco de notas do celular e não abri o word. Tenho consciência, possuo muitas coisas para colocar para fora, mas nem sempre elas valem a pena serem ditas ou, sei lá, não é todo dia que sou capaz de fazer uma poesia que expresse exatamente o que quero falar. Não basta ser linda e metafórica, precisa dizer algo – em grande parte do tempo.

 

Eu sempre disse que não queria ser boa e que meu único objetivo é escrever e é verdade. Continuo digitando, mas sei que não é uma das melhores coisas que já fiz – longe disso, inclusive. No entanto, contanto que eu possa escrever, não ligo de estar tão ruim, o que importa mesmo é escrever.

Mas hoje, eu coloquei meu lápis sobre a mesa.

%d bloggers like this: