50%

50%

Sinto que eu estou me perdendo, enquanto arranjo desculpas para não voltar aos livros. Qualquer coisa parece mais interessante e eu sei disso, mas essa batalha interna dentro de mim me alerta das consequências de adiar o que já deveria estar sendo feito. O que estou esperando? Eu queria que minha preguiça não fosse equivalente a minha vontade de ter uma boa vida. 50% revolta e 50% submissão ao sistema. Sei que é injusto, errado, mas o que fazer quando a sua única opção viável é se entregar e fazer parte de toda a injustiça que engloba a tantos largados por aí? Sinto-me ingrata. As mãos que se entenderam para mim não mereciam esse tapa. A raiva é justificável e a decepção mais ainda.

É agora ou nunca, o primeiro passo para o mundo, que, é claro, não significa que vai ser fácil. Nada que é bom vem fácil. Às vezes temos sorte, porém nem todo mundo pode contar com a magnífica presença do acaso para se dar bem. Eu sei que consigo, eu sei disso. No entanto, fico pensando no tempo e nas coisas que estou perdendo, nos momentos em que não vou estar vivendo, nas risadas que desperdiçarei  enquanto tentava compreender os átomos dos quais eu não dou a mínima. Talvez esse meu espírito preguiçoso esteja me sabotando e tenho certeza que a vontade de conseguir tudo fácil não vai me levar a lugar nenhum.

Eu dou meu 50% quando sei que posso dar 100%, mas para dar o cem tenho que abdicar os outros cinquenta e esse é o caminho mais longo que já percorri, mas eu mereço. Depois de tudo isso e a estrada maluca cheia de espinhos, as coisas tem de valer a pena, mas para isso eu preciso que elas comecem a funcionar.

 

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