Pretérito perfeito

Pretérito perfeito

Eu poderia dizer, insistindo, como nas outras vezes, que você deve se levantar e dar um jeito em sua vida. De certo, o tiro sairia pela a culatra,  já que só fazes o que bem entender. Mas não posso evitar,  não consigo evitar de tentar te salvar.  Quando a vejo, com seus olhos escuros que escondem as tristezas, banhados por uma vazia sensação efêmera de felicidade, quero sentar ao seu lado e dizer que é suficiente.  Ainda que negue isso,  continuar repetindo…

até que passe a acreditar.

Sei que você toma dois copos d’agua antes das refeições – tudo porquê você precisa ser magra, pois só aí,  alguém finalmente te amaria. Inclusive, você mesma.

Eu sei das noites que você passa em claro, desejando ser qualquer outra pessoa, menos si a mesma.

Eu sei o quanto desprezo sentes pela a sua própria pele,  o cabelo encaracolado – reafirmando suas lindas raízes.

Mas você odeia tudo o que te faz ser você. E mesmo que com todo o esforço do mundo alguém tente ajudar, deverias primeiro parar de sentir pena de si mesma.
Deverias enxergar que eu sempre estive aqui, mesmo que eu não seja quem você queria. Ainda que nunca possamos beber até vomitar no tapete, nem sair para as noites da Lapa, permaneço aqui…

permaneceria..

passado…

 Isso foi antes. Antes de me dar conta que não importa quanto eu tente, nunca poderei te salvar.

Você não pode jogar a corda para quem não tem intenção de pegá-la.

Fim.

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