Não me vejo nesses espelhos

Não me vejo nesses espelhos

Ser poeta em um mundo onde as pessoas falam e não dizem nada, acabou se tornando banal. Não há significado, apenas palavras insípidas e um copiar/ colar frenético. Vejo coisas em minha timeline que já li milhões de vezes. Estas coisas foram feitas por alguém que sente e postadas por outro alguém que não sente, só quer. Quer atenção, retweets, quer ser visto. E essa é a pior parte; quando nós reproduzimos alguma frase ou texto apenas para que possamos ser vistos, esquecemos do significado real daquela obra e a banalizamos. O texto, o poema ou a rima, não é nada para você, mas é tudo para alguém por aí.

Vejo textos sobre amor, textos sobre corações partidos, poemas reclamando de quem não ama, poemas reclamando de quem ama demais, mas não leio nada sobre gente. 

Gente que tem problema, que tem medo, que está crescendo, que se sente sozinha, que brigou com os amigos, que só discute com os pais.

Não vejo nada sobre o mundo, morte, vida adulta, cobrança, padrões da sociedade. E se eu vejo, vem em forma de “textão”, não de poema e muito menos de textos. São apenas pessoas que querem posar de preocupadas com o mundo e no final, fazem parte das que contribuem com as migalhas de ódio e indiferença.

Para onde foram parar as coisas reais? Parece que vivemos em mundo que cultua o coração partido, o sofrimento, a desilusão, a bad. É como se todos as dificuldades existentes se resumissem em amar uma pessoa que não te ama de volta ou ser ferido por alguém que amava.

Não existe ninguém falando de como é difícil crescer, se descobrir, saber escolher os amigos. As pessoas estão preocupadas em lamentar a falta de atenção do crush, quando podiam olhar em volta e enxergar questões maiores.

Eu simplesmente não me vejo nesses espelhos.

Desculpe.

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