A História de Insípida e denguinho

A História de Insípida e denguinho

O seu shorts
As tinturas
A sua mãe e o purê de batata dela
que eu comi a contra gosto,
pois tinha que fazer trabalho da escola com você.
Eu te odiava porque você me odiava,
não te olhava de cara feia pelo o fato de você ter feito eu me sentir menor
por não saber que a mão fica na nuca e a língua mexe de uma determinada forma.
Eu nunca soube disso, eu não me importava,
mas talvez você e todos eles fizeram parecer importante.
Então eu procurava preencher todo o vazio dessas coisas
para tentar me igualar a quem eu sabia que não podia alcançar…
ou, pelo menos,
eles fizeram com que parecesse que era alto demais para mim.

No entanto,
eu descobri em você, um pouco de mim.
O seu vazio se refletia nos seus olhos, quando sorria para um garoto da série mais velha,
tentando mostrar suas pernas nuas, cobertas apenas por um fino pano de tecido do uniforme da escola.
Eu me perguntava o porquê de você fazer aquilo para eles e não para si mesma, pelo o simples motivo de gostar daquela roupa.
Por que era tão importante que eles te desejassem?
Talvez fosse isso o que esperavam de você,
então foi isso o que fez.
Todo mundo esperava que eu me escondesse,
foi isso o que eu fiz.
No final, estávamos tentando sobreviver.
Mas você ainda era insípida por si só, da sua maneira
e eu também.
Você me odiava e eu nunca soube o motivo.

Eu lembro de sentir inveja do quarto dela,
das coisas que tinha, dos seus brinquedos
e da sua pele de porcelana.
Ela era minha amiga, mas não gostava de mim.
Não que eu tenha gostado, igualmente,
eu sabia que era uma troca.
Ambas tínhamos medo de estarmos sozinhas,
então nos submetíamos a qualquer coisa que impedisse a nossa sombra de se projetar sem uma do lado.
Meu telefone tocava e eu tinha certeza que era ela para falar mal da menina insípida,
as duas eram igualmente falsas e possuíam uma amizade tóxica,
mas, no final, sobrou para mim.
Eu fui a esfaqueada por duas pessoas com a faca nas costas.

Não sei por onde elas andam.
Eu não me importo.
Confesso que guardo muita mágoa de bastante gente, mas esse não é o caso.
Eu sei disso porque
eu não guardo nada de bom do que restou
e só deu 1 poema,
significa que eu realmente não tinha nada a dizer.
Afinal, não dá para fingir relevância para quem faz questão de ser irrelevante
enquanto passa na vida de outras pessoas.

 

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