A solidão em metáfora

A solidão em metáfora

Mesmo em meu canto mais escuro sinto-me aliviada. A luz me cega com suas infinitas possibilidades, junto dos caminhos camaleônicos disfarçados de sorrisos que sempre terminam em desastres. Ai de quem diga o contrário! Não vê quem não quer, pois toda história tem um fim, mesmo tornando-se atemporal.

Procuro pérolas em meio a porcos, escavo mentes em busca de estímulos e ironias inteligentes, mas essa tarefa é tão impossível quanto reverter o meu quadro estático de seca. A verdade é que meu romantismo excessivo me impede de enxergar coisas que nem posso, nem quero, mas tinha de ver. Deveria constatar que nenhum desses ou daqueles valem a pena, pois eles só abrem portas com o objetivo de fechá-las.

Construindo minha própria história sem coadjuvantes, triste páginas solitárias onde a protagonista luta por uma causa que não tem propósito. Procurando no sumário desse estranho livro, onde fica a parte em que as coisas funcionam, o sol nasce sem preocupações e o dia vai embora sem lágrimas.

A culpa também é minha por não ter escrito-o direito. Deixei que alguns pegassem a caneta e traçassem o que bem entendiam, permiti que linhas fossem preenchidas com pensamentos que não eram meus. No entanto, não me arrependo de ter sido eu, não me preocupo com o que vai acontecer quando isso acabar, pois estarei aqui, arrancando paginas, apagando parágrafos e tecendo minhas metáforas solitárias, enquanto outros escrevem livros que nem ao menos são seus.

 

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