Aqui jaz aquela menina

Aqui jaz aquela menina

Poeira de uma antiga ruína.
Aqui jaz aquela menina
que com o doce sorriso e sua espada, lutava com monstros e enfrentava tempestades.
Porteira, bom dia pra senhora, ela dizia.
Nem notara o sol queimando seu couro cabeludo
pois dentro dela chovia.
E o que mamãe disse, ela lembra?
“Faça amigos e seja boazinha”
É uma brincadeirinha!
Ela não riu.

Você se lembra das paredes, a doutora perguntou.
Ela disse que as ouviu falar
coisas que jamais haviam dito antes.
Sussurros, risadas.
Crianças também podem ser más.
Elas a ensinaram a odiar.

Papai, por que você não me ajuda, a menina suplicou.
Coloque fogo neles com seu raio, por favor, estou até juntando as mãos!
Você é como todos e também não me vê?
O silêncio permaneceu do outro lado da linha
E dentro dela, a tempestade perpetuou.

Pegue este lenço, querida.
Talvez fosse melhor um band-aid.
Eles tinham pedras
então, que culpa eu tinha de ser de vidro?
Vai ver eu construi minha fortaleza para que não pudessem mais me atingir
e agora eu não sei se um dia vou querer sair daqui.
Aqui jaz aquela menina, que se foi com a dor e deixou de existir.

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