Casa de Tijolos

Casa de Tijolos

Estou ouvindo o volume da sua tv;

está estourando meus tímpanos.

Acho que todos também podem escutar,

ainda que não falem nada

e nem eu vou,

falar.

Não me incomodo com a altura do aparelho,

Muito menos com as vozes que ecoam no corredor.

Me torturo com a pergunta, com a eterna dúvida;

Se você não aumenta o volume de dentro,

para não poder escutar o mundo lá fora.

 

Lembro-me dos tempos em que seus pés ficavam no chão,

quando seu rosto não tinha parado pra fingir expressões confusas

e a sua alma ainda incendiava com qualquer presença.

E quando sua vassoura se erguia no ar, suas sobrancelhas franzidas

com a falsa raiva de nos espantar de sua casa de tijolos.

Me pergunto como aconteceu;

Como você desistiu de você?

 

Eu devia visitá-la,

Mas em vez disso estou perdendo o tempo,

Tendo raiva por outras pessoas

Tomando dores e rancores

do passado;

De alguém que não existe mais.

E quem quer que tenha que te punir,  não sou eu.

Então vou tentando te perdoar,

enquanto olho para a casa de tijolos e vejo uma fração

De quem todos nós já fomos.

 

Eu deveria sentar e te falar

que você não consegue enganar ninguém,

Mas então seria cruel demais te despertar.

Quando nós estamos imersos em nossos mundos

esperando a vida ser um pouco mais fácil.

Enquanto você espera o tempo passar.

Na casa de tijolos.

 

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