Categoria: meus favoritos

Pessoas precisam de pessoas

Pessoas precisam de pessoas

Minha primeira amiga foi minha avó.

É estranho falar isso? Bom, para mim não. Eu sempre a venerei, tinha uma verdadeira adoração por ela, especialmente pelo o fato da presença dela ser constante em minha vida.

Eis o porquê dessa conexão.

Meus pais trabalhavam e meu irmão e eu temos praticamente 4 anos de diferença, então, brincar com ele era impossível, afinal, nós não possuíamos a mesma visão de “divertimento“. Com isso, eu passava a maior parte do tempo com a minha avó, seja jogando uno, brincando de fazer comidinha ou comendo biscoito de bolinha com refrigerante. Essas eram minhas tardes – quando eu não estava na escola, claro.

Era divertido. Sim, para uma criança de 5 anos qualquer coisa pode ser entretenimento – pelo menos para as dos anos 90.

No entanto, crescer no meio de adultos e sem quase nenhuma pessoa da minha idade me fez sentir que eu tinha de ser a madura, a responsável, a independente. Por isso, penso que “vivi” rápido demais, eu não aproveitei tanto como uma garotinha deveria, eu queria mesmo é ser “grande”.

E os amigos?

É complicado dizer isso, mas só fui ter amigos de verdade a partir da 8ª série. Isso porque, honestamente, na minha vida inteira, só houve 4 tipos de “amizades”: as que eu era tratada como cachorrinha, as que eu só precisava “tomar conta” de filhos de amigos dos meus parentes e servir como babá, as que eu só mantinha porque tinha medo de ficar sozinha e vice-versa e, por último, as que só estavam na minha vida para agradar meus pais, pois eles achavam que aquelas pessoas eram “boas para mim”.

Pensei que o bullying fosse percursor do meu histórico ruim de relacionamentos de amizade, mas, na verdade, isso veio com a necessidade que eu tinha de querer me encaixar em um grupo. Nunca me achei digna das pessoas, de estar na vida de alguém, então pensava que tinha de fazer de tudo para manter todos ao meu lado.

E óbvio… as pessoas se aproveitavam que eu me entregava de corpo e alma e me exploravam, manipulavam e magoavam.

Muito.

Foi esse os ciclos de amizades. Eu dava tudo de mim, esperava o “tudo” de volta, mas nunca nem recebia metade do que doava.

Em algum momento eu desisti de ir para festas com os meus pais, de participar de eventos no quintal da minha casa ou de comparecer em aniversários de parentes. Era chato demais não ter ninguém para falar, alguém que me entendesse, compartilhasse da mesma coisa que eu estava passando. Eu só queria isso, sabe? Me senti menos sozinha.

O Bullying, é claro, intensificou essa minha sensação de solidão, mas no ápice da minha frustração e dor por estar sempre sozinha e me sentir vazia no final do dia, eu simplesmente parei de tentar. Não queria mais deixar gente entrar no meu mundo para depois bagunçá-lo. Sobrava para mim ter que limpar a bagunça depois, varrer os cacos e me reconstruir.

O que eu tirei de toda essa experiência é que pessoas precisam de pessoas. Por mais que seja muito difícil lidar com o ser humano, ninguém tem que estar sozinho. Não ter com quem falar é triste, dói e por mais que você possa parecer forte, tem que assumir que ninguém vive sem ninguém. Isso não é sobre namoro, sexo, casamento, mas sim a respeito de conexões.

Percebi que eu me sinto sozinha não só pelo o fato de não ter achado minha “alma gêmea fraternal”, mas também porque não me achei. A vida inteira eu não tive com quem dizer as coisas, mas me dei conta que tenho que falar.

Eu tenho que falar com alguém e eu vou achar quem queira me ouvir.

 

Rara alma

Rara alma

Hoje, você é o brilho das estrelas.
Um pouco do sol,
Um pouco do céu,
Você é cada uma das pequenas coisas ao redor.
Uma partícula de poeira,
Uma alma poeta morando no amor infinito de quem te admira, de quem aprendeu a te amar,
De quem te conhece de uma vida.

Eu sinto muito por sua dor.
A dor invisível aos nossos olhos,
Mas latente em seus poros.
E em cada osso de seu corpo,
A dor do vazio, a dor do nada,
A qual você só queria arrancar do seu peito,
Mas não tinha ideia como.

Você viveu da melhor maneira que conseguiu.
Lhe admiro por suportar o peso do mundo em seus ombros,
apenas para que todos pudessem sorrir.
Você fez da sua voz um choro de alívio,
Fez da sua música, o nosso lar.

Quando o mundo perde um artista, também perde um pouco de beleza.
Essa poesia, que transforma o nosso mundo cruel em mais suportável.
Obrigada por deixar nossas almas agoniadas morarem em seus versos.

Descanse em paz.

Aqui jaz aquela menina

Aqui jaz aquela menina

Poeira de uma antiga ruína.
Aqui jaz aquela menina
que com o doce sorriso e sua espada, lutava com monstros e enfrentava tempestades.
Porteira, bom dia pra senhora, ela dizia.
Nem notara o sol queimando seu couro cabeludo
pois dentro dela chovia.
E o que mamãe disse, ela lembra?
“Faça amigos e seja boazinha”
É uma brincadeirinha!
Ela não riu.

Você se lembra das paredes, a doutora perguntou.
Ela disse que as ouviu falar
coisas que jamais haviam dito antes.
Sussurros, risadas.
Crianças também podem ser más.
Elas a ensinaram a odiar.

Papai, por que você não me ajuda, a menina suplicou.
Coloque fogo neles com seu raio, por favor, estou até juntando as mãos!
Você é como todos e também não me vê?
O silêncio permaneceu do outro lado da linha
E dentro dela, a tempestade perpetuou.

Pegue este lenço, querida.
Talvez fosse melhor um band-aid.
Eles tinham pedras
então, que culpa eu tinha de ser de vidro?
Vai ver eu construi minha fortaleza para que não pudessem mais me atingir
e agora eu não sei se um dia vou querer sair daqui.
Aqui jaz aquela menina, que se foi com a dor e deixou de existir.

O seu medo

O seu medo

Você tem medo. Medo até mesmo de ter medo. Esconde-se em cavernas, lugares com luzes apagadas. Tem medo da sua sombra, pois ela revela quem és. Inseguro, não introvertido mas sim tímido, em pânico por estarem lhe observando, julgando, apontando, formando ideias e comentários sobre tudo a seu respeito. Você nasceu, cresceu e vive com medo. Não te deram voz, não lhe deixavam falar, fizeram escolhas e decisões por você. Não era proteção, não era zelo, era só falta de confiança em você, egoísmo e ciúme do mundo, que logo, logo, lhe teria. Eu vejo você, ele e ela. Todos tem em comum um grande pavor de viver, algo interno sobre suas almas que os fazem ter tanta vergonha de si mesmos, que possuem uma bolha que os impedem de fazer de tudo o que os outros estão fazendo. Não essas baboseiras que dizem que é realmente viver; não estou falando de beber, escovar os dentes com pimenta ou voltar no sereno da madrugada pra casa, escrevo sobre arriscar. Arriscar com coisas pequenas, escolher opções diferentes do que você jamais faria até ontem ou mês passado, optar por café em vez de leite ou vestir um colorido quando só costuma usar preto. Começando por pequenos detalhes que parecem singelos, bobos ou desnecessários, mas que mais tarde virarão grandes detalhes, grandes pequenas decisões que você finalmente conseguiu tomar. Sabe… vejo um brilho no teu olhar, algo que grita querendo sair mas está em pânico porque ninguém te ensinou a falar ou andar por si mesmo. Quando lhe digo pra pegar um caminho diferente, berrar aos pulmões tudo o que precisa dizer antes que seja tarde, é pra fazer recordações, porque a vida é um grande álbum e a coisa mais triste do mundo inteiro é ver sua vida por álbum que não é seu, é contar histórias que você, sozinho, não teve. É apenas coexistir e lembrar de coisas que fazem parte da sua existência porque estão sendo contadas por outras pessoas. É, meu amigo… eu vejo o teu medo.

Ele é tão real que até criou vida própria.

Ele é você.

Viva a vida

Viva a vida

Saia de casa, beba, fume, se drogue, faça sexo, conheça estranhos, ande de montanha russa e tenha um amor de verão, de inverno ou de todas as estações, se preferir. Viva.

É o que o tumblr diria. É, possivelmente, o que aquele seu amigo baladeiro lhe aconselharia. E provavelmente é o que mais se acha em frases feitas das redes sociais. Mas e então, já fez isso tudo? Garantiu que tenha vivido o suficiente antes de morrer? Como não?

Alguém já te falou que você não vive?

Essa é a vitrola dos tempos modernos, mas meus pais não a conhecem. No entanto, eu mesma, logo eu que amo palavras, já fui entediada por elas. Todas essas insípidas e vazias orações que enchem meus ouvidos. As que foram jogadas contra mim porque prefiro um livro a um copo de vodca. Acredite, não foi a primeira vez ou segunda e nem será a última.

Eles nos classificam com adjetivos como paradões, lerdos, sem graças, bichos do mato -são muitos nomes, fique à vontade para escavar um em sua mente.

Os justiceiros com várias experiências de vidas e memórias incríveis. São melhores que nós porque vomitaram no tapete e alguém filmou isso. Ficaram chapados e felizes. Fizeram sexo com alguém cujo o nome não se recordam… ou não sabem. Estamos desesperados, suas almas gritam, mas se recusam a dar-las atenção.  Querem fingir dar um propósito para sua existência enquanto estão ocupados enganando a si mesmos. Nos dizem que são felizes, mas se esforçam para realizar algo que nem lembrarão no dia seguinte. Viver? É sério?

Também existem os que julgam-se cultos, sentados no sofá com o bolso ou o núcleo de amizades vazio, enquanto escapam do mundo com personagens fictícios. Gritam, choram, sofrem e brigam por alguém que não existe. Um indivíduo que talvez seja mais humano do que os que os cercam. Saltam de páginas ou telas para abraçá-los em seus vazios existenciais, fazendo- os  esquecerem-se da falta de amor à vida que possuem.

E o que é certo? Eles gritam, divididos por uma parede. Carregam seus ideais em suas almas com o mesmo propósito; preenchê-la, enchê-la de algo que sua realidade, as pessoas ou eles mesmos não podem. Querem berrar que não sabem porque estão aqui, mas todos já sabem. E também não sabem que cada um decide o que é melhor. Vodca, livros, personagens, talvez tudo, só um ou nenhum deles. Ninguém está certo ou errado, apenas os que pensam que o seu ideal é o melhor e rebaixam os que não o seguem.

Cada um desses tem uma visão própria, salvo os que se deixam serem guiados por outras visões. Você olhará algumas, discordará e partirá para outras, mas sempre mantendo a sua própria. E quem não aprovar a paisagem que você escolheu manter, que saia fora e procura outra. E vice-versa, porque isso também vale pra você.

 

Banalize à vontade, afinal ele é seu.

Banalize à vontade, afinal ele é seu.

 

Positividade, confetes e cores, milhares delas.  As invejáveis cores vibrantes que brilham por aí e espalham alegria pra todo mundo. Será mesmo? 

Ah e o sorriso? Largo, único e cheio de amor.

O amor… alguns propagam-o discretamente, não se incomodam em não amar o coletivo porque deixam claro que pra eles não é banal. Outros são assim, não amam, mas também não odeiam. Inconstantes, bizarros, independentes ou indiferentes. Amam a si mesmos. Amam ninguém. E os que amam muito. Ah e como amam! Incapazes de soltar uma faísca de ódio, cheio de cores, arco íris e pirulitos, incrivelmente desprovidos de negatividade. Como não amá-los?

Ninguém os conhece, é bem difícil realizar este feito. Rastejando por aí, obtendo pequenas coisas de cada um e guardando para si mesmos esperando a hora de usar. São confiáveis ou fingem ser. Talvez sejam realmente ingênuos, mas tiram do sério com essa mania de achar que todos acreditam no que pregam. Eu poderia, mas não creio nessa banalização exagerada.

Alguns notam, talvez todos tenham percebido, mas não ligam. Eles não ligam porque ninguém pode impedir que essas pessoas existam. Ainda que irritem, por mais que não enganem, o amor é deles e é direito de cada um usá-lo como quiser.

Mesmo que seja o amor. Apesar de o mundo está cheio de ódio e ele nunca ser demais, só aceito o que realmente é dado de forma espontânea e não feito para que eu goste de quem está me oferecendo. Não é algo que eu preciso se não for ofertado de coração. Porque não acredito que amar está em perguntar se está tudo bem e sim fazer de tudo para que fique. Ser gentil não é amar, ser gentil é ser gentil.

Ás vezes, em alguns momentos escuros da vida, eu me perguntava e se eu amasse assim?

Se eu fosse assim?

Bom…então eu não amaria ninguém, porque quem ama todo mundo não ama ninguém.

Geração do não amor

Geração do não amor

Não é mais interessante, isso já é velho. Estou tentando ajustar-me com os novos memes, expressões, pensamentos e ideais. Talvez eu não faça parte dessa geração, nem sei ao menos o que significa ser uma tumblr girl, então acho que estou na vantagem.  Sinto-me muito perdida e deslocada. Tenho minhas questões existenciais, meus medos e anseios, mas ás vezes possuo a sensação que estou fora desses padrões. Esses padrões de não quero absolutamente nada, não sou ninguém e não mereço esse mundo. É tão estranho como ao mesmo tempo que não me sinto parte disso, ainda sim estou incluída. Luto ferozmente contra essa vontade de desistir de mim mesma. Uma vontade que todos parecem ter adotado para as suas vidas.

Não, eu não sou assim. Mesmo que tenham me ensinado que o amor é errado, ainda quero amar.

Eles nos dizem que somos o futuro do mundo. Erguem os punhos com a esperança de que podemos mudar, mas como fazer isso se nem ao menos sabemos quem somos? Vivemos cercados de máquinas e tanta tecnologia que dizemos dominar, mas acabamos sendo dominados por ela. Na palma da mão temos tudo o que quisermos, porque as coisas mudaram. Não olhamos mais nos olhos e nem sorrimos cara a cara. Estamos presos em uma realidade limitada a uma tela. Aprisionados dentro de nós mesmos. E a única “face” que vemos são fotos distorcidas de nós.

Gritam a falta de amor e a de esperança. Marcha uma geração que aprendeu a se frustrar com pequenas coisas e carregar o peso de ser a mudança, mas é jovem demais para entender tanta possibilidade. Ensinam-nos como fazer equações mas não nos ensinam a nos amar. Perdemos o respeito pela a nossa auto imagem, pois nesse século, nada que não seja menos que perfeito será aceito. Somos todos perdidos que não foram incluídos. Temos tanto medo de não sermos vistos, que nos tornamos as piores versões de nós. Eles nos veem e não nos veem, porque não somos nós.

Livros jogados e mentes mergulhadas em mundos fictícios. Amamos a fantasia porque nela podemos nos esconder e esquecer a monótona realidade. O vazio que cerca nossa existência juntou-se adentro de nossas almas, transformando-nos em indivíduos sedentos por um mundo que não seja o nosso. Um mundo que dê certo. Somos desinteressados, muitas vezes, nem nos esforçamos. A alienação à vida adulta é grande e pensamos que a juventude é eterna. Ou, bem, pelo menos fingimos que é. Além disso, a maioria de nós não liga. Grande parte não se importa de simplesmente existir. Lutamos por causas certas mas de formas erradas. Dizemos que respeitamos mas odiamos o diferente. Espalhamos o ódio com o intuito de termos razão, mesmo que signifique ferir alguém.

Temos medo. Medo de amar, medo de arriscar e medo de sofrer. Eita, esse medo! Pra que? O que tanto tememos? Este medo da dor instalou-se em nós e alojou-se em nossas peles. Estamos em pânico, apavorados por estarmos sentindo. Queremos nos molhar mas temos medo de sair na chuva. Nós somos imediatistas, superficiais e apaixonados pelo o agora. Somos a Geração do Não Amor.

O vazio de existir

O vazio de existir

Eu não me sinto completa. Olho para a vida das pessoas e me pergunto se sou só eu que tenho a sensação de que não me encaixo em nenhum lugar. Porque é, por mais que tente negar quero me encaixar, quero fazer parte de alguma coisa maior… como uma família, como algo que me acolha e me faça sentir um pouco menos sozinha no mundo.

Questiono-me também se sou a única que nunca sabe se está certa ou errada em minhas decisões. Parece que quanto mais eu ando, menos sei como voltar. É como se estivesse perdendo lentamente a consciência de quem sou e de qual caminho seguir. Com todos esses sentimentos, acabo frustrando a mim mesma. É como se houvesse uma cobrança gigante de mim sobre mim pra que a minha vida seja maravilhosa, mas não faço ideia de como chegar a esse patamar. Eu nem ao menos sei o que estou escrevendo, mas continuo aqui digitando e esperando que o desapontamento que possuo consiga sair nessas palavras.

Eu leio livros e filmes e tudo parece tão lindo. As histórias tristes, em sua maioria, tem um final feliz. Os personagens “perdidos/excluídos” encontram seu grande amor e vão para grandes faculdades. Nessas narrativas todos os adolescentes possuem melhores amigos incríveis e vivem coisas que parecem surreais, porque esse ideal de “bom” parece estar longe demais. Na vida real ficamos em casa, nossos amigos são chatos demais e se escondem do mundo, enquanto alguns só querem ser engolidos por ele. As expectativas de fazer memórias são altas demais pra realidades tão monótonas. No mundo real tenho amigos virtuais do sul, sudeste, até de outros países, mas no cotidiano me sinto sozinha e cercada por pessoas tão desinteressadas em viver, que me fazem cansar delas. O que me leva a conclusão de que o vazio de experiências se assemelha também as personalidades que tenho conhecimento. Mesmo sabendo que fazer amizade nunca foi uma especialidade minha, continuo na espera por aquela pessoa que vai mudar minhas expectativas, opiniões e filosofias de vida,  ainda que tenha a consciência de que ela deveria ser eu.

 

Tenho aquela imensa sede de viver e sair por aí, ao mesmo tempo que morro de medo de fazer tudo errado. Eu queria também tentar compreender pessoas que tem outros tipos de escolha, como o fato de que pra mim não faz sentido você não dar a cara a tapa. Mas no fundo, tenho a consciência de que devo entender que as pessoas não vão agir do jeito que espero. Mesmo que eu cobre essa coisa de “viva intensamente, faça memórias” de um monte de pessoas que conheço, preciso começar a colocar na minha cabeça que algumas simplesmente não querem isso pra vida delas… e bom, apesar de achar que é uma loucura agir como se você não fosse morrer a qualquer momento e basicamente cagar pra sua própria existência, é totalmente direito seu.  Só que eu constatei uma bela verdade sobre mim; Não quero esse tipo de indivíduo perto de mim. Eu quero pessoas que queiram um papo de madrugada sobre a vida, alguém que sente comigo apenas pra conversar sobre o nada ou algum louco que queira fugir do mundo por um instante, sabe? Parece que nunca vai fazer sentido se você for ler isso, mas o grande objetivo desse texto é mostrar o quanto tô cansada de ter pessoas vazias na minha vida. Literalmente, vazias de experiência, conteúdo e existência. Daquelas pessoas que sei que vão embora mas não foram porque não querem se sentir sozinhas, assim como eu me sinto. No entanto, se o objetivo de uma relação é justamente te fazer parte de algo, por que parece que quanto mais ao lado fica, menos conectado se sente?

Eu busco desesperadamente por viver e nunca vou parar. Essa sou eu, lutando contra o vazio da alma, do dia a dia, da própria existência e do que me cerca.

E você, o que está procurando?

Troncos Ocos e Fundos do Mar

Troncos Ocos e Fundos do Mar

Passou metade da existência atrás de quatro paredes

Ouviu falsos sons de sinos dando por confirmada a própria morte

Até cavar uma superfície e achar oxigênio.

A destruição prologou-se demais para ser ignorada

E acabou virando um grande estrago,

O pequeno diamante bruto que nunca poderia ser moldado.

 

Mergulhou em tantos oceanos, mas tantos…

Oceanos esses, que não pareciam ser tão rasos quanto eram.

Apesar de saber nadar afogou-se algumas vezes,

Quase perdendo a vida.

Prendeu-se em ervas daninhas sanguessugas

E quase foi devorada por tubarões.

Esta é a vida de quem quer ir ao fundo,

Em uma busca eterna por corações.

 

Manda cartas esperando que elas voltem,

Sorri com a expectativa de sorrirem também,

Equivocou-se imensamente a menina

Menina essa, que aguardava as cartas e sorrisos,

Onde frívolas e ocas almas habitam.

 

Poderia dar-lhe um remédio ou um apertado abraço,

Ainda latejaria,

Jorrando memórias e inúmeras palavras ao vento.

Aprendeu a não ir tão fundo,

Não distribuir tantos sorrisos

E nem esperar cartas de volta,

Assim como fechou suas portas para o mundo.

 

Medos, Egos e expectativas

Medos, Egos e expectativas

Deixar pessoas pra trás é difícil porque querendo ou não, quando cortamos relacionamentos de nossas vidas nos “soltamos” também de quem éramos quando estávamos com esses indivíduos. O maior medo é se perder e não lembrar de quem nós fomos, porque as memórias tornarão-se apenas memórias e as conversas, promessas ou juras de amor serão só palavras que se dissiparão no ar, perdendo-se junto com outras milhões que já se foram.

A pior parte é que nós seres humanos temos aquela mania irritante de querer sair por cima e ter que fingir que estamos bem, não importa o acontecimento. Por isso, lidar com a felicidade da outra pessoa e constatar que é muito fácil pra ela esquecer uma coisa que parecia significar muito, acaba causando um grande ferimento no nosso frágil ego. Esse é o ponto: Por que prometer dar o seu mundo pra alguém que você sabe que vai esperar isso? Se não quer compartilhar o seu mundo, a sua alma ou as suas ideias, não prometa o que você não quer e não consegue cumprir. É por isso que nós nos machucamos; Criamos expectativas nos outros e não temos o pensamento de desconstruir essas expectações. Mas por quê? Porque é bom demais ver alguém depender tanto de nós.

Todo mundo sente, isso é fato. Exceto alguma parte da população que não possui essa capacidade, nós meros mortais sentimos. Uns sentem muito e transbordam-se, outros sentem pouco e o pouco que sentem mostram, já alguns sentem muito e nunca mostram e tem também os que sentem, mas não conseguem mostrar. Isso é tudo medo. Medo não é realizar a ação em questão e sim temer o que ela vai proporcionar. Esse é o medo que faz as pessoas não mostrarem e que ao mesmo tempo, faz elas mostrarem.

Como assim? Quer dizer que ás vezes você tem tanto MEDO de perder alguém que faz de tudo para mantê-lo em sua vida, nem que seja demonstrando coisas que nem ao menos sente. No entanto, ainda tem aquele que não mostra, com MEDO de se magoar. Lembrando que o medo não te protege, ele só te camufla de uma coisa que alguma hora você vai ter que enfrentar. E tem um grande bicho papão chamado vida, que em um certo momento vai te obrigar a engolir este medo e simplesmente tomar partido.
Não existe um objetivo pra esse texto e nem uma conclusão. O que existe, na verdade, é um mantra que sempre levo comigo: Sinta, Machuque-se, Chore e Cure-se. Todas as vezes em que você tiver medo de sentir, arriscar ou se envolver com qualquer pessoa, pensa nessa frase e leva o questionamento de que tipo pessoa você quer na sua vida. Seja qual for, seja essa pessoa.

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