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O ponto

O ponto

37 minutos e o refrigerante já perdeu o gás.

Eu odeio café.

Não vou dizer que escrevo enquanto bebo café, porque na realidade eu odeio café.

Eu odeio também não saber o que escrever, principalmente quando infinitas palavras rondam a minha mente e nenhuma delas parecem fazer sentido juntas. Quando isso acontece abro o bloco de notas e digito o que vem nos meus pensamentos profundos.

O resultado foi um ponto.

Não qualquer ponto, mas O PONTO. Nem a vírgula, o parênteses ou as reticências, só o ponto mesmo. E pontos indicam o fim de alguma coisa.

Ponto pra aquela sensação de insuficiência. Ponto pra aquela dor na barriga quando eu ia apresentar um trabalho escolar. Ponto para os dias que eu só queria chorar, pois tudo estava dando errado. Ponto para a minha falta de fé em mim mesma. E acima de tudo, ponto pra você. Mas não ponto e vírgula, o final mesmo. Porque bem, adivinhe só; Você marcou tantos pontos negativos, que nunca mais poderá ter um saldo positivo. Você colocou tantas reticências e tantas vírgulas, que eu resolvi chegar e colocar um ponto final.

5 sinais que você é amiga (o) de uma pessoa tóxica

5 sinais que você é amiga (o) de uma pessoa tóxica

1- Ela (o) não te deixa confortável.

 Você não fala opiniões, não se expressa como quer e não diz o que pensa na presença de seu amigo. E tudo para evitar brigas e discussões, porque sabemos muito bem que ele (a) não aceita que seus conceitos ou filosofias de vida sejam diferentes. É, na verdade, você tem medo. Medo de desagradar, medo de ser considerado “chato” aos padrões dele (a). Afinal, é muito importante agradá-lo.

2- Na frente de outras pessoas te faz parecer idiota

 É claro que já percebeu, mas finge que não vê quando o seu amigo ou amiga está na frente de outro colega e te trata diferente. Ele (a) faz uma piadinha, te zomba e até lhe usa como exemplo de alguma coisa ridícula. Parece que é mais importante agradar o colega dele te inferiorizando e fazer graça, do que manter a amizade.

3- Quer mudar você

  Se for pra mudar, que seja por você. Ninguém que te ama fica querendo modificar ou adaptar seu jeito pra agradar a si mesmo. Amigos de verdade te aceitam e só te dizem o que está errado pra te ajudar, não pra satisfazer uma necessidade interna. 

4- Manipula você

Aquelas pessoas que fazem tudo virar a favor delas.

Aquelas pessoas que sempre te fazem sentir culpadas por algo que você não fez.

Aquelas pessoas que nunca pedem desculpa, mesmo estando erradas.

5- Tudo tem que sair do jeito dela

Você não pode escolher nada, tem que ser o que ela quer. Ah e caso não aconteça, sempre tem aquela chantagem emocional.

 

 

Aprenda a identificar pessoas tóxicas e tente ficar o mais longe possível delas. Existem sempre aquelas que te fazem mal, que ás vezes lhe causam mais dor que amor. Mas pior ainda: Há as que lhe fazem sentir horrível por ser apenas você.

Essas você deve excluir.

Corações vastos em mundos rasos

Corações vastos em mundos rasos

Eu lhe disse o que não sabia e avisei-te sobre os perigos,

Mas meninas com corações vastos não ouvem,

Elas fazem primeiro e escutam depois,

Choram por chorar e porque querem sentir

Sentem porque são fracas,

São fracas porque são humanas.

 

Guarda-te, pra quê?

De vasto a reduzido, o que ainda há para se perder?

Cheia como os seus próprios pensamentos,

Procurou profundidade onde só havia o raso,

Ela esqueceu-se que nem todos podiam transbordar-se.

 

E mesmo da sua própria janela,

As coisas parecem feitas de plástico.

Onde tanta estima transforma os culpados,

Com a mesma prepotência que julgavam os outros a ter,

Colocam-se como vítimas do que eles propõem-se a fazer.

 

Ingênua,

De reduzida para quase nada,

Ainda sobra a consciência seguindo seu próprio trilho.

Que fique para a própria mente criar,

Desfazer juramentos que pra sempre iriam durar,

E ainda que olhe de lado,

Digo-lhe que os burros procuram outros para culpar.

A penteadeira de Joana

A penteadeira de Joana

Eu tinha aquele sonho insano de comprar a penteadeira na vitrine. Todos os dias na volta pra casa encarava seu lindo reflexo e me depara com a vontade de levá-lo comigo. No entanto, sabendo que as coisas estavam apertadas, desistia.

No dia do recebimento do salário eu passei por lá, virando em câmera lenta em direção a lustrada e cara mobília. A verdade é que depois de um longo temporal e três ônibus lotados, cheguei com a preciosa penteadeira em casa.

Para o espanto de minha irmã, eu a coloquei no nosso apertado quarto e fingi ser uma adolescente de novo, penteando meu cabelo cheio de tinta roxa imaginária. Ela rolou os olhos e saiu bufando, como se fosse a coisa mais ridícula já vista.

 Dali para as semanas seguintes fiz de tudo para cuidar do móvel, incluindo lustrá-lo. Era importante que ele fosse bem cuidado, tendo em vista que seu preço não foi dos mais generosos.  E tudo estava indo muito bem; Eu chegava em casa, tomava um banho e ia para a penteadeira escovar os meus cabelos.

No entanto, como tudo na vida tem seu lado negativo, as chuvas de final de ano começaram a prejudicar a nossa ida e volta para o trabalho, além de causar infiltrações em todo a casa. Porém, mesmo com as coisas indo de mal a pior, ainda tinha a penteadeira todos os dias, ainda podia sentar em seu banquinho dourado e pensar sobre a vida.

Em um dia raro de tempo ensolarado, cheguei na minha casa com um folheto de lanche para comer com minha irmã, mas tive uma grande surpresa ao chegar em meu quarto; A penteadeira não estava lá. Desesperada, comecei a revirar a casa inteira em busca dela, mesmo sabendo que era um móvel grande e seria impossível escondê-lo em qualquer lugar.

Minha irmã chegou na sala e cruzou os braços, olhando-me irritadamente. Nós começamos a discutir e ela me acusou de gastar o dinheiro da compra do mês, de ser irresponsável e tudo o que sempre fizeram questão de falar de mim. No final ela me explicou que a penteadeira havia dado fungos e cogumelos começaram a nascer assim que saí para ir ao trabalho.

Contestei dizendo que era injusto jogar fora sem me dizer nada, mas minha irmã não deu ouvidos, só disse que eu deveria saber quando tenho de abrir mão de algumas coisas, principalmente quando elas começam a fazer mal para mim mesma. Ela alegou que eu passava tempo demais dentro do quarto, admirando o móvel e esquecendo de tudo em volta.

 E quando ela disse com lágrimas, que nós duas havíamos parado de jantar juntas porque eu preferia comer com a penteadeira, percebi que ela estava certa; Era a hora de parar.

A perda de humanidade

A perda de humanidade

Eu costumava olhar pela a minha janela e ver flores, hoje só enxergo a aridez, a seca. Antigamente os passarinhos voavam sobre as lindas e verdes folhagens que lá haviam, tinham, até mesmo, petúnias e girassóis amarelos. Mas onde foi parar tanta beleza? A nossa vida está tão cercada de tecnologia que nós esquecemos de cuidar dos jardins e das árvores. Na nossa realidade atual, passamos a fazer coisas para que outras pessoas possam ver, queremos insanamente sermos vistos.

A nossa geração se transformou drasticamente. Algumas mudanças que ocorreram foram boas, inclusive, a luta pela a liberdade de expressão, religiosa, sexual, política…isso tudo foi uma conquista. No entanto, desde o surgimento dessa globalização tecnológica, nós passamos a absorver como padrão comportamental que quanto menos demonstrar, melhor. Há uma grande competição para ver quem mostra menos do que sente, isso tudo para ser mais interessante aos olhos do outro.

É engraçado que os que mais sofrem na verdade são os que não sentem, porque se você não sente, como vive?

Se evita todo o tipo de sensação por medo e covardia, então o problema real não é com o cara ou garota sentimental, é com você.

Me lembro quando estava vendo TV e vi uma matéria sobre aquele acidente no Rio de Janeiro, no qual haviam pessoas falecidas e cobertas na areia, envoltas por uma multidão gigante.

O que me chocou não foi só os indivíduos mortos, mas um grupo jogando bola ao lado, como se não significasse nada.

Estamos tão acostumados a ver coisas ruins acontecendo, que nos familiarizamos e tratamos-as como situações banais, com uma frieza surpreendente que somos capazes de ter.

Quando brigamos com alguém e temos aquela breve impressão de que precisamos fingir que ela não existe, é gritante como duas pessoas podem simplesmente agir como se não se importassem.

O ser humano começou a tratar o outro como um smartphone qualquer.

Enjoou de uma marca, troca pela a outra que julga ser melhor.

E assim, vamos vivendo em uma sociedade onde os sentimentos das pessoas são descartados com facilidade e jogados no lixo como se nada significassem.

Na qual humanos não tem compaixão com o sofrimento do outro e agem em função do próprio benefício.

Bem-vindo ao nosso mundo cruel.

Ego ou Amor?

Ego ou Amor?

Ontem meu telefone tocou de madrugada. Não que seja uma informação relevante pra você, mas ele realmente apitou por longos 10 minutos. Olhei para o teto e pensei no que tinha a perder. Aliás, no que havia sobrado para ser perdido, não é?

Há tempos venho me arrastando em um monólogo interior sobre as minhas relações. A minha cabeça sempre me fala de modo mais frio (e inteligente) que tenho de cortar o que me faz mal, mas é tão relativo essa coisa de fazer mal ou não fazer mal, porque só te faz mal mesmo se VOCÊ deixar que lhe afete.

Então espera, pensando melhor… a culpa é minha?

Nós estamos sempre em busca de sentir. Sentir ódio, amor, saudade, raiva, ou qualquer coisa que desperte alguma vida dentro de nosso coração. É essa grande necessidade  que o ser humano tem de ter de sentir para estar vivo. Mas é sério mesmo que você precisa estar apaixonado (a) pra sentir-se feliz?

Você sente falta do que ele (a) te proporcionou, se pergunta o motivo do fim dessa amizade, desse relacionamento ou desse “rolo”. O que aconteceu? Quer dizer.. caramba, por que ele terminou comigo? Por que nossa amizade chegou ao fim?

A diferença é que as memórias são coisas fixas, elas não podem ser mudadas. Ninguém volta atrás e transforma algo que viveu com alguém em alguma coisa ruim, porque isso é impossível. As pessoas estão tão preocupadas em serem amadas que esqueceram de amar a si mesmas.

Se alguma coisa dentro de você diz que o que sente não é saudade e sim apego, desiste. Sai dessa, para com a mania de achar que memórias preenchem, porque elas só são chamadas de memórias por um motivo.

Iniciativa

Iniciativa

          Você quer um país melhor, o fim da injustiça, a extinção dos corruptos e o basta na poluição?  Comece sendo mais transparente, jogando menos lixo no chão, sendo menos acomodado. Dê o sinal verde, seja o percursor de uma atitude positiva não só para a sua família, mas para o seu meio social.

      Ideias todos nós temos, mas e a iniciativa de começá-las? Do que adianta sonhar tanto, se você não tira os ideais da cabeça e os transforma em verdadeiras ações?

     Se você gosta daquele garoto, se sonha em ficar com aquela menina, porquê não faz nada? O nosso erro é justamente o medo de errar, de se expor ao ridículo, de não ter o apoio social que precisamos. Nós queremos seguir as ideias dos outros, porque se algo acontecer, a culpa é deles.

    As maiores conquistas por direitos iniciaram-se com a ideia de alguém, a coragem, a bravura de um indivíduo em sair da zona comum e transformar um ideal.

  Transforme o seu ideal em ideias e as suas ideais em uma iniciativa, pois o mundo é de quem se mexe para fazer de seu convívio, um lugar melhor.

A solidão em metáfora

A solidão em metáfora

Mesmo em meu canto mais escuro sinto-me aliviada. A luz me cega com suas infinitas possibilidades, junto dos caminhos camaleônicos disfarçados de sorrisos que sempre terminam em desastres. Ai de quem diga o contrário! Não vê quem não quer, pois toda história tem um fim, mesmo tornando-se atemporal.

Procuro pérolas em meio a porcos, escavo mentes em busca de estímulos e ironias inteligentes, mas essa tarefa é tão impossível quanto reverter o meu quadro estático de seca. A verdade é que meu romantismo excessivo me impede de enxergar coisas que nem posso, nem quero, mas tinha de ver. Deveria constatar que nenhum desses ou daqueles valem a pena, pois eles só abrem portas com o objetivo de fechá-las.

Construindo minha própria história sem coadjuvantes, triste páginas solitárias onde a protagonista luta por uma causa que não tem propósito. Procurando no sumário desse estranho livro, onde fica a parte em que as coisas funcionam, o sol nasce sem preocupações e o dia vai embora sem lágrimas.

A culpa também é minha por não ter escrito-o direito. Deixei que alguns pegassem a caneta e traçassem o que bem entendiam, permiti que linhas fossem preenchidas com pensamentos que não eram meus. No entanto, não me arrependo de ter sido eu, não me preocupo com o que vai acontecer quando isso acabar, pois estarei aqui, arrancando paginas, apagando parágrafos e tecendo minhas metáforas solitárias, enquanto outros escrevem livros que nem ao menos são seus.

 

Força Nula

Força Nula

Você diz que sabe quem é, mas a sua covardia te corrói por dentro.

 Com passos discretos deixa rastros sobre suas ações, mas elas não são boas. Há pessoas que preferem a evidência. Você gosta do vago, de nunca ter certeza de nada. Fica na sombra não querendo aparecer, sendo guiada entre o medo de errar e o de tentar.

 Medo de encarar o próprio reflexo, pavor, fobia, pânico, horror. Quando ela se aproxima, você treme, pinga de suor e insegurança, porque o cheiro da própria coação assombra todos a sua volta. Pula, corre e espreita, receosa de um olhar indiscreto, raivoso, julgador.

 Quando a onda vem ela corre, escapa e diz que não pode, não consegue. Ela é assim, hidrófoba, com aversão a grande elevação do mar, que pode engoli-la a qualquer instante.

Mantida em cativeiro, o seu entrever é triste, melancólico, indiferente. E por quê? Porque a limitam, a ocultam da luz do sul com medo que ela se queime.

Você garota, você não vive, tu existe.

[entrever] = olhar

[aversão] = contrário

[vago] = simples, incompleto

[hidrófoba] = fobia de água

[coação] = Imposição ou intimidação

Quem é você, menina?

Quem é você, menina?

Você se esconde em seu casulo nas estranhas da consciência, esperando que não te notem. Ajeitando o cabelo e olhando discretamente para os lados, sente seu coração apertar em meio ao vão da própria existência. Os olhos vagueiam pelo os cantos e sombras, esperando o grito, aguardando o salvamento.

Quem é você, menina? Que se nega, se subestima e diz que não consegue?

Você é a de capuz, a silenciosa alma com batidas pesadas, que exalam por todo o cômodo. Ao mesmo tempo que todos te percebem, ninguém também faz, porque garota… bem, você nunca fez questão de nenhum deles. Aliás, acho que tu julga-te superior, mais evoluída, inteligente. Você prefere ter conversas recheadas de palavras do que com a ausência delas, porque não faz sentido não refletir sobre algo, não é?

Menina, você não vê sentido em sentar-se para ter sua liberdade tirada, porque gosta de chutar portas, quebrar janelas e regras. Entretanto, eles dizem que é a inocente, a garota escondida por um par de olhos negros, quase graúnas. Lhe veem como uma grande e rígida personalidade, difícil e intensa.

Garota com o coração de portas fechadas, você não sabe para onde vai e diz que tem certeza, porque quer parecer forte, quando na verdade desaba aos poucos como uma casa antiga.

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