Categoria: reflexão

Monotonia

Monotonia

Os passarinhos estão piando, em sincronia, quase como
uma sinfonia
ao vivo
orquestrada pela a natureza.
Estou abrindo meus olhos,
constatando que falhei novamente.
Não deveria acordar tão tarde
mesmo nas férias.
O relógio está parado, acordo na mesma hora todo dia
e bebo refrigerante no almoço
escrevo coisas que nunca postarei
todo dia.

Sinto-me como se estivesse flutuando.
Eu não evoluí, continuei a mesma
meu cabelo não foi cortado
ainda não consegui dinheiro com a única coisa que sou boa.
Aparentemente, todo mundo anda para frente
e eu estou sendo puxada para trás
presa no tempo,
junto com quem eu era 2 anos atrás.
Com os mesmo problemas,
os mesmos dilemas
os mesmos traumas
e a mesma mania de dormir mal.
Hoje é como todo dia
e todos os dias são como hoje.

Pergunto-me se conseguirei achar uma porta
neste quarto escuro.
Pergunto-me se é só comigo que a vida não parece ter caminhado.
Pergunto-me se todo mundo sente, assim como eu,
que hoje foi como ontem.
Pergunto-me de que maneira acharei uma saída
se nem eu mesma acredito que ela exista?

Aniversário

Aniversário

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Pipoca quentinha, o gosto de sal enquanto mastigo
O trenzinho com comida gordurosa de festa de criança
Tão boa a mini pizza
e a pipoquinha.
E a lista que a cada ano se reduzia.
Até estar em branco.

Recordo-me da alegria no amanhecer
e na tristeza quando o sol ia dormir.
Da solidão que se adentrava junto com a noite
e as passagens de tempo,
juntamente com a vida adulta.
A epifania mais dolorosa
foi perceber que a cada aniversário
mais cadeiras vazias eu tinha.

Na maioridade
o silêncio das bocas mastigando
eu olhando para longe
digitando em meu celular, desejando que alguém aparecesse.
Uma surpresa
um bolo
uma fugida dali.
Eu esperei
e ninguém veio.

No espelho eu me olho
mais velha, mais sábia, mais exausta.
Eu queria tanto ser adulta
e agora que sou
só gostaria de ser criança de novo,
Quando fazer aniversário significava
estar mais próxima de ser livre
mas agora que eu devia estar livre
me sinto mais presa do que nunca.

À medos.
À inseguranças.
À minha carreira.
E toda aquela liberdade era bem mais fácil
quando ela ainda não existia
e só se tratava de uma idealização
vinda de uma criança
que só sonhava em ser “grande”.

Régua da felicidade

Régua da felicidade

Por favor,
abaixe sua régua
e pare de medir minha felicidade
de acordo com o que acha
que é
melhor para mim
baseado no que é melhor para você.

Eu não estou procurando por opinião
ou amor
ou filhos
ou casamento.
Eu quero a liberdade
de por enquanto
poder pensar apenas em mim
e no meu propósito de existir.

Eu não vou cometer o mesmo erro
de colocar alguém no mundo
sem saber o meu lugar nele
ou não tendo realizações
para contar.

Eu não sou a miss simpatia
nem a luz que irradia em um cômodo escuro.
Eu sou uma poeta
uma introvertida
um castelo, uma fortaleza
uma jovem com medo
mas com vontade de fazer alguma coisa
que o mundo se lembre.

Eu não estou interessada
nas suas medidas
de felicidade.
Eu prefiro criar as minhas.

 

 

A dor de um vazio

A dor de um vazio

Como não pôde ver em seus olhos?
Havia sangue.
Havia dor.
Havia desespero.
Em sua pele, nas arestas mais profundas, o vazio se misturava
com o medo de não poder sentir bem de novo
nunca mais.
Com o pavor de talvez, não ser capaz de respirar sem sentir o ar escapar.
Foi aí que desapareceu.
Para sempre.

Não houve condolências
mas dedos apontados.
Não houve abraços reconfortantes
e sim olhares cruéis de pessoas que queriam achar culpados
para se livrar do simples fato
de que todas eram um pouco culpadas também.
Em vez do “por que?”
ouvia-se “já era de se esperar…”
“claro que sim, eu sabia….”
Ninguém nunca olhou além e questionou se estava tudo bem.

Alguém perguntou para você se está tudo bem?
Não.
Isso porque
todo mundo está bem mais preocupado com o horror de uma escolha
do que com o motivo dela.
Todo mundo se importa bem mais em rir daquele mais tímido
do que chamar e incluí-lo.
Todo mundo se interessa mais em fingir que ama a todos e não discrimina
só para não queimar no inferno
mas realmente não pratica o amor.
E a falta de amor
leva ao vazio
e o vazio
que lhe deixou a alma oca
matou por dentro
aos poucos.

Todos eles lhe mataram
com cada palavra ou a falta delas
e cada olhar ou a ausência deles
e cada vez que disseram
que não era bom o suficiente.

Ele não queria sumir porque queria morrer
ele queria sumir para que parasse de doer.

Tudo o que eu preciso

Tudo o que eu preciso

Eu não lhe vejo de longe.
Esta distância que nos separa me atordoa,
eu te quero perto,
preciso de você.

Eu nunca disse que te amo, não é?
Algumas vezes eu sinto que te rejeito
e não valorizo o suficiente,
ainda que faça de tudo por mim.

Você merece muito mais do que recebe
e mesmo que não veja isso
têm tudo que precisa bem na sua frente.

Nesse espelho
o que você enxerga?
Tudo o que eu preciso, me respondeu.

 

O Poema final

O Poema final

Não quero mais ter raiva.
Cansei de gritar os meus pulmões
e receber o silêncio em troca.
Estou exausta de ser a única que ainda se importa o bastante
para ter que encerrar algo
cuja a importância realmente só existe
para mim.

Eu peço desculpas por ter exigido algo que não podia cumprir.
Eu peço desculpas por sugar o seu amor, procurando em você que não havia em mim.
Mas eu não sinto muito por ter sido eu
ou por ter sentido
da maneira como eu sei,
seja intensa e exagerada,
é a única que conheço.
Eu não estou perdindo perdão
por ter esperado o mínimo
de amizade e sensibilidade
que você nunca teve
e garanto que não terá com ninguém.
Eu não peço desculpas por ter sido amiga
ainda que você não tenha merecido.
Eu não peço desculpas por ter sido quem eu aprendi a ser.

Ter rancor dá trabalho,
exige esforço e empenho
para manter um sentimento
que só corrói e nenhum bem faz.
Eu não sei vou te perdoar um dia
mas eu vou
me perdoar.
Você me feriu de maneiras que nenhum poema vai traduzir
e só a minha distância pode explicar
que às vezes
quando a dor invade todas as lembranças e as apaga como borracha,
não sobra nada além da tristeza
de não poder voltar
para algo que um dia
chegou a ser bom.

Esse é o último poema que eu escrevo sobre você.
Essa é a última vez que eu fico mal por você.
Essa é a última vez que eu me importo o suficiente
para relembrar tudo, mesmo sabendo que vai doer,
só porque eu quero encerrar algo
que só me machuca em vez de ensinar.
Essa é última vez que eu vou lembrar das nossas risadas
e essa é a última vez que eu me permiti
não estar magoada o suficiente
para te deixar ler.

Esse é o último poema
dos outros centenas
que eu escrevi
sobre você.

A flor lilás

A flor lilás

A pequena muda lilás,
frágil por fora, fortalecida por dentro.
Eu a via na chuva,
entre as pedras do asfalto
e os pisões de sapatos de couro
vindos de pessoas que iam e voltavam, seja lá de onde for.
Eu sempre a enxerguei,
se mantendo tão plena
mesmo no frio da mais forte tempestade
e no incendiar do mais quente dia.
Quem imaginaria que a flor lilás
um dia se partiria?

Quem pensaria
que onde havia tanta vida
e uma fortaleza imensa de rebeldia
de uma flor qualquer
que insistiu e não desistiu
de ousar a continuar em lugar na cidade,
poderia ter tanta dor?

Eu esqueci
de perguntar
“você está bem?”
enquanto ela se balançava contra o vento,
cansada de estar parada.
Parecia que ela só queria ser levada
para longe.

Aquela flor lilás
atordoada.

Não vai acontecer hoje, mas tudo bem

Não vai acontecer hoje, mas tudo bem

O fim de ano faz todo mundo ficar inspirado. É o início de tudo. Não só dentro de um calendário, mas tal como de uma perspectiva. Cada início de um ano também é início de projetos, ideias e mudanças. E claro, fechamento de ciclos. Tudo é sobre recomeçar. O que nos fez mal, simbolicamente fica para trás. É simples assim. Ou não.
Planejar é fácil. Imaginar, idealizar, construir em sua cabeça cada detalhe do que pode ocorrer e o desenrolar de todas as coisas. Super legal, bacana e empolgante, mas e quando se trata de fazer? É aí que a maioria das grandes ideias desaparecem e viram pó.
Quando as dificuldades surgem, grande parte das pessoas desistem. Não é tão divertido começar do zero e é verdade que ver tudo indo mal dói, ainda mais se é sobre algo que realmente gostamos e queremos.
Drake disse em uma das suas músicas “Nós começamos de baixo agora estamos aqui”. Eu imagino o que é o “de baixo” dele. Quantas “nãos” ele teve que ouvir? Quantas vezes alguém disse que era impossível? Quantas portas foram fechadas em sua cara?
Todas as vezes que vejo alguém batalhando para estar onde chegou, me pergunto o quanto nós somos covardes – os seres humanos em geral, quero dizer. Evitamos o tempo todo nos machucar, nos ferir e isso é ridículo, tendo em vista que se estamos vivos, deveríamos nos orgulhar em ter as marcas que carregamos. Não estou dizendo que precisamos ter traumas para alcançar coisas e que isso é justo, mas sim que a vida tem obstáculos e não há nada que possamos fazer.
As pessoas me perguntam muito como foi sofrer bullying, se eu acho que eu mereci, se foi ruim…
bom, sim, foi péssimo.
se me fez uma pessoa melhor? claro.
mas se eu merecia? não.
mas às vezes temos que passamos por situações que não entendemos no momento e talvez nunca iremos
e acontece.
O que eu quero dizer é que não, talvez você não fique rico agora ou emagreça 50 kgs de uma vez, mas alguma hora vai finalmente acontecer. E no final, se orgulhará de tudo, pois mesmo que não aconteça agora, imediatamente, a caminhada vai valer a pena quando chegar lá em cima.

Quem se importa? Eu sim

Quem se importa? Eu sim

Eu deveria ficar ou ir embora?
Como eu faço para parar o que está doendo em você?
A sua dor me machuca mais do que a minha própria.
Posso lidar comigo sofrendo, posso aguentar minhas lágrimas,
mas não consigo suportar te ver com suas feridas.
Parece que alguém rasga meu coração toda vez que você chora.

Esta chuva que está lá fora,
eu espero que ela varra toda a sua angústia
e às vezes, eu queria poder sofrer no seu lugar.
Mas me disseram
cada um tem que passar por sua própria dor
e não é responsabilidade de ninguém
salvar ninguém.

As espadas estão apontadas para o lado errado

As espadas estão apontadas para o lado errado

Está tudo tão sombrio. Eu sinto a dor, a chuva, o pesar das pessoas. Elas estão cansadas de tentar, exaustas de se importar. É aquele tipo de ciclo no qual você enxerga que, por mais que se desenrole, parece que as coisas nunca sairão do lugar. É um gasto de energia sem retorno, um futuro sem luz, um problema crônico que aparentemente não tem solução, já que foi dado como natural. Há medo, ódio e uma luta silenciosa.
Eu sinto como se estivesse na arquibancada e observasse todos se matando, sem poder fazer nada. Eu temo pelo o que estar por vir e não tenho esperança em algo que já acontece. Eu não vejo saída.

As espadas estão apontadas para o lado errado.

 

 

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