Categoria: sociedade

É assim que se fazem as guerras

É assim que se fazem as guerras

Bombas que explodem e soterram vidas.

Tiros que perfuram e viram histórias.

Águas que invadem e afogam sonhos.

Pessoas que pra alguém eram importantes,

Com amor, carne e osso.

Pessoas que tornaram-se memórias.

 

Eles matam quem não ama como eles,

Eles matam quem não pensa como eles,

Eles matam quem não se parece com eles,

Eles escravizam com a desculpa de estarem fazendo um favor.

Não clamam pela a mesma divindade e nem erguem a mesma cruz,

É como em 1500,”mais modernizados e trazendo a civilização”,

Usam a paz como desculpa para causar destruição.

 

Egos inflados, murchos e feridos,

Orgulhos que matam e castigam,

Etnocentristas que não estudaram geografia

E não descobriram que o centro da Terra não são eles.

Crenças impostas e espantos ao descobrir que não são unânimes;

Doentes por algo que o homem ignorante escreveu pra beneficiá-lo.

É assim que se fazem as guerras.

 

E ninguém quer parar

E ninguém dar o cessar fogo.

E ninguém quer construir escolas

E ninguém quer tirá-los da rua, só prendê-los.

E não estamos no topo.

Isso vem de alguém que não está no topo.

E poucos com muito.

E muitos com nada.

E os que tem pouco, já desprezam os que tem nada.

E os que tem o poder de mudar, mudam pra eles.

E os que querem chegar no poder, abusam e exploram a fé dos outros.

E os que estão doentes, morrem esperando.

E os que acham que acham serão salvos porque seguem a lei que o homem criou.

E os que se incomodam com o amor.

E os que estiveram em baixo, chegam no topo e desprezam os que estão onde estiveram.

E os que poluem sua calçada e escrevem texto falando pra protegerem as árvores.

E os que não se amam e querem muito se amar.

E os que ferem só porque não se amam.

E os que matam só porque não são iguais.

E os que travam guerras todos os dias e ajudam a tirar a paz.

É assim que se fazem as guerras.

Sejamos máquinas

Sejamos máquinas

Abra os livros. De preferência, os que possuem números ou nomenclaturas. Eles querem que você saiba fórmulas e não história, estão com medo de quem pensa e possui opiniões. Eles lhe dizem que precisa de saber de tudo, é dever seu suprir o que não lhe foi oferecido durante anos, é obrigação sua correr atrás. Enchem nossa cabeça, nossas mentes e cérebros com milhões de opções, mas só valorizam as padrões;

bisturi, laboratórios, planilhas ou julgamentos. Siga isso, estará no topo do mundo… ou apenas fracasse, que é o que todos os outros caminhos te darão em troca.

Apague suas luzes, seus celulares, sua TV, sua vida social. Pare de ver seus amigos, os seus familiares, o sol, o céu, pare de ter normalidade. Sacrifique 1 ano da sua existência, talvez 2 ou 3 se você for burro e não conseguir. Seja um robô, aprenda as normas para escrever uma dissertação, na qual só escreverá o que querem ouvir e não que pensa realmente. Deixe de aprender, decore. Mil folhas de exercícios, mil frustrações… porque você não aprende, não consegue e se sente burro, sente-se incapaz. Te dizem que é insuficiente, te fazem pensar que ser bom em marcar caixinhas lhe faz inteligente. Doutrinação, pressão, móveis voando e gritarias;

você não tem futuro, cospem as palavras.

Heróis que sacrificam suas vidas, as horas de suas vivências. 12, 13 horas e até 16. Heróis ou escravos? Vítimas de um sistema que menospreza a arte, a história, o esporte, o cinema. Vai morrer de fome, te falam. Alguém com os sonhos que não deram certo tentando fazer com que você desista dos seus. Não vai dar certo.  Geometria, Estequiometria, Log, se você não aprende é burro, não se interessa, vagabundo. Não tem nada a ver com a sua dificuldade, é só falta de esforço e dedicação. Não vai ser nada no futuro, mas tudo bem; temos que ter faxineiros, frentistas, caixas. E eles desistem, não querem, se frustram, vagam e existem, até o último dia da sua vida. E por quê? Alguém disse que não eram capazes.

Entupa sua mente de coisas que nunca vai usar. Você tem que saber de tudo. Se mate, se esforce ou não terá opção. Ela é brilhante, tira notas excelentes mas e você, quem é mesmo? Não estão pedindo para que saiba, querem que decore e que passe. Seja uma máquina, um computador, um robô.

No final disso tudo, seremos felizes, não é?

 

A perda de humanidade

A perda de humanidade

Eu costumava olhar pela a minha janela e ver flores, hoje só enxergo a aridez, a seca. Antigamente os passarinhos voavam sobre as lindas e verdes folhagens que lá haviam, tinham, até mesmo, petúnias e girassóis amarelos. Mas onde foi parar tanta beleza? A nossa vida está tão cercada de tecnologia que nós esquecemos de cuidar dos jardins e das árvores. Na nossa realidade atual, passamos a fazer coisas para que outras pessoas possam ver, queremos insanamente sermos vistos.

A nossa geração se transformou drasticamente. Algumas mudanças que ocorreram foram boas, inclusive, a luta pela a liberdade de expressão, religiosa, sexual, política…isso tudo foi uma conquista. No entanto, desde o surgimento dessa globalização tecnológica, nós passamos a absorver como padrão comportamental que quanto menos demonstrar, melhor. Há uma grande competição para ver quem mostra menos do que sente, isso tudo para ser mais interessante aos olhos do outro.

É engraçado que os que mais sofrem na verdade são os que não sentem, porque se você não sente, como vive?

Se evita todo o tipo de sensação por medo e covardia, então o problema real não é com o cara ou garota sentimental, é com você.

Me lembro quando estava vendo TV e vi uma matéria sobre aquele acidente no Rio de Janeiro, no qual haviam pessoas falecidas e cobertas na areia, envoltas por uma multidão gigante.

O que me chocou não foi só os indivíduos mortos, mas um grupo jogando bola ao lado, como se não significasse nada.

Estamos tão acostumados a ver coisas ruins acontecendo, que nos familiarizamos e tratamos-as como situações banais, com uma frieza surpreendente que somos capazes de ter.

Quando brigamos com alguém e temos aquela breve impressão de que precisamos fingir que ela não existe, é gritante como duas pessoas podem simplesmente agir como se não se importassem.

O ser humano começou a tratar o outro como um smartphone qualquer.

Enjoou de uma marca, troca pela a outra que julga ser melhor.

E assim, vamos vivendo em uma sociedade onde os sentimentos das pessoas são descartados com facilidade e jogados no lixo como se nada significassem.

Na qual humanos não tem compaixão com o sofrimento do outro e agem em função do próprio benefício.

Bem-vindo ao nosso mundo cruel.

Somos jovens demais, até nos tornamos velhos demais para sermos jovens

Somos jovens demais, até nos tornamos velhos demais para sermos jovens

Desde pequenos, nos ensinam a não ouvir conversas de adultos, pois acham que os assuntos são sérios demais para uma criança entender. Nossos responsáveis nos protegem do fogo, dos desconhecidos e dos perigos, visto que somos muito novos para conhecer a dor.

Ah.. a infância, a inocência, as brincadeiras.. onde tudo é tão bonito. Quando crianças, estamos em um mundo colorido onde ser adulto é dominar o mundo de todos. Ser adulto é legal, porque quero comer chocolate o tempo inteiro, não gosto de dormir cedo e nem de comer legumes.. então quero ser grande pra não fazer isso tudo.

          Durante toda a nossa infância, eles não nos contam dos perigos reais, não nos falam dos corações partidos, nem dos futuros amigos ruins ou das matérias que podem nos ferrar no ensino médio. Ninguém fala isso pra você, porque não é dever deles impedir que a gente caia, mas sim nos ensinar a levantar.

Ninguém vai te dizer como lidar com um coração partido, nenhuma pessoa vai te explicar passo a passo de como lidar com a perda do seu melhor amigo e muito menos te dar dicas da forma mais fácil pra fazer a transição do ensino fundamental para o médio. Aprender essas coisas é um dever seu, porque agora você é grande demais pra te dizerem o que fazer.

Os nossos pais tentam nos poupar quando somos crianças, porque o mundo é cruel demais pra alguém que é tão novo, que tem tenta pureza e esperança no coração, descobrir que as pessoas são más ou que umas vão nos usar e outras até partir nosso coração.

Quando você cresce, a responsabilidade da sua vida é só sua, de mais ninguém. Agora que já sabe sobre os perigosos, sobre os corações partidos e sobre como crescer não é só poder comer chocolate á vontade, você já sabe porque ninguém contou, não é?

Bem-vindo ao mundo real.

Limitar-se, pra quê?

Limitar-se, pra quê?

Sentir-se invisível é um estado de espírito.

Não há uma definição sobre o ser humano. Ninguém é só tímido ou só calmo, todo mundo tem um pouco de cada coisa, de cada característica. Até o mais sereno um dia explode e mesmo o mais extrovertido um dia se envergonha.

Eu gosto de dias de sol, gosto de dias de frio e não preciso preferir só um deles. Amo macarrão com molho de tomate, porém não recuso um molho branco á parisiense.

Uma das grandes limitações do ser humano é tentar se definir em uma coisa só, limitar-se em ser um só adjetivo quando ele pode ser vários.

Andar só com um tipo de pessoa e conhecer só um tipo de música, enxergar só um lado da história e abraçar apenas o seu modo de pensar.
Fazemos os mesmos caminhos todos os dias, convivemos com as mesmas pessoas e ouvimos as mesmas reclamações.

Limitar-se é apenas uma desculpa a si mesmo para não arriscar?

Se você vive em um padrão, permanecerás em um padrão.
Se apenas te contentas com pouco, terás só o pouco.

Se culpas os outros por seus erros, irá repeti-los todos os dias.

O ser humano que priva o mundo da sua visão com medo dos julgamentos não vai longe, pois só quem se expõe e tem coragem de enfrentar qualquer mudança de rotina, consegue não se limitar-se a ser limitado.

 
(isso não se aplica a transtornos psicológicos, se trata de uma postura diante da sociedade)

A arte da reciprocidade

A arte da reciprocidade

Em Fevereiro de 2015 na cidade infernalmente tropical, ruas e avenidas lotavam de turistas no aquecimento para o carnaval, inclusive, a minha calçada comprovava isso com latas de cervejas espalhadas por todo os meios fios.  Certa manhã – uma quarta-feira, se não me engano – ouvi o choro de uma menina desesperada e magoada com o namorado. Na janela, que ficava em frente a minha sala, estava a pequena cabocla adolescente, de telefone em mãos e gritaria estridente.

Por dias, a menina – Samantha, consegui descobrir – perdia suas tardes observando o telefone, calada e triste. E claro, eu perdi as minhas sendo telespectadora daquelas cenas interessantes. No entanto, com o fim do carnaval e as aulas voltando, o meu tempo livre diminuiu, mas no fundo eu sabia que Sam continuaria ali na mesma janela, nos mesmos horários e com o mesmo telefone na mão.

Já na Páscoa eu vi um garoto com cabelo muito espetado e carranca – isso na frente da minha porta, como se fosse dono do mundo – e Sam nunca mais apareceu na janela, muito menos na rua. Pensara eu que a garota tinha morrido, mas minha mãe como sempre informada não perdeu tempo para me corrigir.

“Sam foi embora para a Irlanda, ela conseguiu um ótimo emprego lá”

“E o leo?”

“Ele finalmente percebeu o que perdeu”.

 

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