Eu quero falar

Eu quero falar

Estou presa a tanto tempo!
Acorrentada por um fio invisível que eu sei que está aqui.
Com a minha boca tapada com uma fita isolante
que isola
o som da minha voz
e me impede de poder falar por mim.
Por esse motivo, outros estão falando em meu lugar.
Eu não quero mais isso.
Eu não gosto de não falar.
Eu quero falar.

Há marcas na minha pele,
feitas por pessoas que queriam me controlar
e dizer que eu as pertencia.
Como se o único motivo de eu existir, fosse para as agradar.
Eu tive que lutar por coisas que alguns já nasceram possuindo como um direito,
e eu me pergunto
como acham isso injusto?
Talvez
os que enchem-se de medo da isonomia,
na verdade
têm consciência do seu privilégio.
E deve doer demais saber
que o mundo não gira em torno de você.

Eu escolho.
Eu sei o que é melhor para mim.
Eu sou livre.
E se eu quiser me “prender’, vai ser por minha escolha.
Eu posso sonhar.
Eu posso me aventurar.
Eu não nasci para “servir” se eu não quiser.
Eu posso chefiar.

Não tem a ver com superioridade,
mas equidade.
Não tem como objetivo te tirar de onde você está,
e sim
te dizer
que você não tem de estar aí porque supostamente é sua obrigação
mas porque é sua escolha.

Eu quero falar
que eu não sou uma propriedade.
Eu quero falar
que eu não me visto para ninguém além de mim.
Eu quero falar
que eu não sou um prêmio, objeto ou seu entretenimento.
Eu quero falar
que eu não me importo se você não concorda.
Eu quero falar
que eu ter uma voz
não é um privilégio
mas um direito.
Eu quero falar
que jamais deixarei alguém
falar
por mim
de novo.

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