Expectativas irreais e idealismo

Expectativas irreais e idealismo

 Quando eu escrevo, tudo na minha mente fica em paz. Eu, que sempre procurei me encaixar em algum grupo, sinto que pertenço a algo maior quando estou escrevendo, como se tudo na minha vida fizesse sentido. Eu amo essa sensação e todo o conforto que me traz, no entanto, quando ela não funciona, as coisas em mim param de fazer nexo. Escrever não é a única coisa que eu sou boa, mas definitivamente é a única que me faz sentir que tenho um propósito. Porém, quando um texto não é bom ou algo que criei não me agrada, fico frustrada.

Afinal, se nem no que sou boa eu consigo ir bem, o que será de mim?

Eu me fiz esse questionamento 1 milhão de vezes, faço ele todos os dias, inclusive. Há vários textos e poesias aqui que se pudesse, deletava para sempre – aliás, eu já fiz isso com alguns. A questão é que ir bem não significa acertar todas as vezes. Muito do que postei não era bom e eu sei disso. Em algumas situações, senti inveja daquelas páginas gigantes e famosas que postam frases feitas e ganham centenas, até milhares de compartilhamentos.

Eu perguntava “por que não eu?” Eu deixava a insegurança me atingir e pensava que eu era a ignorada do mundo, a única que passava por isso. A minha ingenuidade me despertou para o meu egocentrismo exagerado e a minha falta de noção perante o mundo real.

Confesso que achei realmente que seria fácil ter um blog de sucesso, especialmente com os seguidores que conquistei no meu antigo, mas eu me enganei. Tudo o que vale a pena requer esforço, ninguém surge do nada e eu não serei a exceção. Contudo, não vou mentir, fiquei triste e pensei em parar, deletar tudo e dar ouvidos às pessoas que me disseram que não daria certo, mas se escrever é tudo o que amo, não posso desistir.

Uma forte descoberta a respeito de mim mesma – que me surpreendeu, tenho que dizer – é que eu tenho medo do caminho mais longo, não quero fazer nada do que eu não goste, só gosto das partes boas. Talvez isso deva soar um pouco mimado, não é? Talvez sim. Mas sabe, eu gosto de falar sobre os meus defeitos, assim, as pessoas não ficam com a ilusão de que não possuo consciência da existência deles.

Eu idealizo tudo, de fato. Algumas pessoas me chamam de otimista ou idealista, eu acho que só fico pulando de plano em plano para não ter que assumir que fracassei ou só para deixar pela a metade e dizer que já esperava que desse errado. Aquela letra da música da Vanessa da Mata nunca fez tanto sentido para mim,

eu realmente tenho expectativas irreais.

Nem sempre o que eu escrevo vai ser bom, a maioria provavelmente será mediana para mais ou menos, mas se nem que por 1 minuto eu tenha te tocado com algo que criei, já valeu a pena.

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