Força Nula

Força Nula

Você diz que sabe quem é, mas a sua covardia te corrói por dentro.

 Com passos discretos deixa rastros sobre suas ações, mas elas não são boas. Há pessoas que preferem a evidência. Você gosta do vago, de nunca ter certeza de nada. Fica na sombra não querendo aparecer, sendo guiada entre o medo de errar e o de tentar.

 Medo de encarar o próprio reflexo, pavor, fobia, pânico, horror. Quando ela se aproxima, você treme, pinga de suor e insegurança, porque o cheiro da própria coação assombra todos a sua volta. Pula, corre e espreita, receosa de um olhar indiscreto, raivoso, julgador.

 Quando a onda vem ela corre, escapa e diz que não pode, não consegue. Ela é assim, hidrófoba, com aversão a grande elevação do mar, que pode engoli-la a qualquer instante.

Mantida em cativeiro, o seu entrever é triste, melancólico, indiferente. E por quê? Porque a limitam, a ocultam da luz do sul com medo que ela se queime.

Você garota, você não vive, tu existe.

[entrever] = olhar

[aversão] = contrário

[vago] = simples, incompleto

[hidrófoba] = fobia de água

[coação] = Imposição ou intimidação

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