Fragmentos de alguém despedaçado

Fragmentos de alguém despedaçado

Todos os dias.
Toda hora.
Cada instante.
Isso me acompanha nos passos que dou,
Nos pensamentos que tenho,
E na forma que me vejo no espelho.
Eu fui quebrada.
Eu sou quebrada mais um pouco,
todos os dias,
toda hora,
cada instante.
Isso me parte mais e mais, mesmo que eu não queira,
pois não tem cura e eu não tenho como esquecer.
Não vou deixar para lá a forma como pisaram em mim,
Ou mudaram o jeito que me enxergo, me olho, me amo,
ou melhor, não me amo.

Queria ser o tipo de pessoa que perdoa,
No entanto, tudo o que restou em mim é uma vontade de fazer pagar
Quem me fez pensar
que eu não sou boa o suficiente.
Mas não, eu não farei nada.
Sou a vingança de fala, não a de ação.

É complicado, é uma cicatriz, é um trauma que sempre levarei comigo.
Não me diga que é fácil, não me fale para superar.
Quem foi humilhado e sentiu isso na pele,
carrega para sempre a sensação de um machucado que nunca vai sarar.
Uma ferida aberta, que de vez em quando abre,
Uma palavra de nada, que às vezes fere mais que devia,
Uma decepção como qualquer outra da vida, que destrói à toa.

Eu aprendi que o ódio é uma arma
e as palavras são munições.
Não sei quantas vezes atiraram em mim,
a única certeza que tenho é que ainda carrego a dor da bala em meu peito,
latejando, como se tivesse sido recém atirada
por alguém que só estava afim de rir um pouco
às custas da dor de outra pessoa.

Agora eu estou em busca da chave,
A Chave mestra.
A libertação daquela menina, que ainda vive presa no mesmo mundo
De horror e maldade.
Que grita calada e sofre em silêncio.
Que precisa urgentemente ser consertada.

Estou a caminho, garota.

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