Geração do não amor

Geração do não amor

Não é mais interessante, isso já é velho. Estou tentando ajustar-me com os novos memes, expressões, pensamentos e ideais. Talvez eu não faça parte dessa geração, nem sei ao menos o que significa ser uma tumblr girl, então acho que estou na vantagem.  Sinto-me muito perdida e deslocada. Tenho minhas questões existenciais, meus medos e anseios, mas ás vezes possuo a sensação que estou fora desses padrões. Esses padrões de não quero absolutamente nada, não sou ninguém e não mereço esse mundo. É tão estranho como ao mesmo tempo que não me sinto parte disso, ainda sim estou incluída. Luto ferozmente contra essa vontade de desistir de mim mesma. Uma vontade que todos parecem ter adotado para as suas vidas.

Não, eu não sou assim. Mesmo que tenham me ensinado que o amor é errado, ainda quero amar.

Eles nos dizem que somos o futuro do mundo. Erguem os punhos com a esperança de que podemos mudar, mas como fazer isso se nem ao menos sabemos quem somos? Vivemos cercados de máquinas e tanta tecnologia que dizemos dominar, mas acabamos sendo dominados por ela. Na palma da mão temos tudo o que quisermos, porque as coisas mudaram. Não olhamos mais nos olhos e nem sorrimos cara a cara. Estamos presos em uma realidade limitada a uma tela. Aprisionados dentro de nós mesmos. E a única “face” que vemos são fotos distorcidas de nós.

Gritam a falta de amor e a de esperança. Marcha uma geração que aprendeu a se frustrar com pequenas coisas e carregar o peso de ser a mudança, mas é jovem demais para entender tanta possibilidade. Ensinam-nos como fazer equações mas não nos ensinam a nos amar. Perdemos o respeito pela a nossa auto imagem, pois nesse século, nada que não seja menos que perfeito será aceito. Somos todos perdidos que não foram incluídos. Temos tanto medo de não sermos vistos, que nos tornamos as piores versões de nós. Eles nos veem e não nos veem, porque não somos nós.

Livros jogados e mentes mergulhadas em mundos fictícios. Amamos a fantasia porque nela podemos nos esconder e esquecer a monótona realidade. O vazio que cerca nossa existência juntou-se adentro de nossas almas, transformando-nos em indivíduos sedentos por um mundo que não seja o nosso. Um mundo que dê certo. Somos desinteressados, muitas vezes, nem nos esforçamos. A alienação à vida adulta é grande e pensamos que a juventude é eterna. Ou, bem, pelo menos fingimos que é. Além disso, a maioria de nós não liga. Grande parte não se importa de simplesmente existir. Lutamos por causas certas mas de formas erradas. Dizemos que respeitamos mas odiamos o diferente. Espalhamos o ódio com o intuito de termos razão, mesmo que signifique ferir alguém.

Temos medo. Medo de amar, medo de arriscar e medo de sofrer. Eita, esse medo! Pra que? O que tanto tememos? Este medo da dor instalou-se em nós e alojou-se em nossas peles. Estamos em pânico, apavorados por estarmos sentindo. Queremos nos molhar mas temos medo de sair na chuva. Nós somos imediatistas, superficiais e apaixonados pelo o agora. Somos a Geração do Não Amor.

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  • Pode ficar tranquila, está escrevendo seus sentimentos e vontades num blog, é super nossa geração!

    • Obrigada por isso! Você tem razão… mas não curto tanto a nossa geração assim, tem muitas coisas que me fazem sentir distante dela.
      Emfim, agradeço muito pelo o comentário.
      Abraços.

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