Lembra daquela vez?

Lembra daquela vez?

Eu via uma miragem nos meus sonhos,
o ambiente escuro em plena 06 da noite,
eu de volta ao sétimo ano,
na doblô azul, uma van escolar barulhenta que abrigava nossas brigas em tom de humor.
Eu pedia desculpas e você falava o que eu queria ouvir,
mas não foi assim.
Na realidade, eu apaguei o skype, saí correndo o mais rápido que pude
e você me deixou ir.
Afastei todo mundo que me lembrava aquele lugar.
Empurrei todo mundo porque eles me recordavam o que eu era quando estava lá,
o quanto fui fraca e me senti humilhada.
Eu tirei eles da minha vida porque eu não suportava olhá-los e ter de sentir a mesma dor pela a primeira vez,
sabendo que estavam felizes onde nunca consegui ser.
Eu os cortei da minha mente, mas deixei você…
mas, em seus olhos, nas suas atitudes, não havia nada que dissesse que fazia questão de ficar.
Então você foi,
sem olhar para trás.

Mas eu continuei olhando para trás.
Para ver se eu te via, mesmo sabendo o que você fez
e na forma que me humilhou para que alguém te enxergasse.
Eu entendo essa necessidade do ser humano em querer ser aceito,
só não compreendo pisar em alguém para alcançar isso.
Você queria tanto que te amassem,
que acabou machucando quem realmente te amava.
A troco de que?
Uns aplausos de gente que não ligava para quem você era, só para o que tinha a oferecer.
Todavia, sim,
a conveniência nos faz submeter a qualquer coisa para manter o conforto.

Desde então, eu tenho sonhado com a gente se reencontrando,
pois, apesar de tudo,
você foi o único que me fez sentir bem vinda
em uma alcatéia de lobos que não hestaria em me devorar viva.
Eu podia me defender sozinha como sempre pude,
mas você trouxe seu escudo
e, juntos, nós erámos os dois quebra cabeças que não se encaixavam,
em meio a tantas peças iguais e montadas.
Só que aí você decidiu achar um meio de caber naquilo
e eu fiquei sobrando.
Como sempre, eu era uma parte que nunca teve encaixe.

Eu sei que o seu email ainda é o mesmo.
A sua casa ainda é a mesma.
O seu irmão hoje em dia já possui a nossa idade quando vivemos aquilo.
Eu sei muita coisa sobre você,
mas hoje não sei mais quem é.
Tenho essa mania de amar as pessoas pelo o que elas já foram,
mas eu esqueço que embora as memórias sejam eternas,
as pessoas não.
Elas mudam, elas se modificam.
E talvez eu deva parar de sentir falta de quem você já foi
e me conformar que quem tu és hoje, eu não faço ideia de quem seja.
Se você foi embora sem olhar duas vezes,
eu finalmente atravesso a rua mirando o que tem em frente, não atrás.

 

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