Mancha de papel

Mancha de papel

Diziam-me que era feita de papel,
“Qualquer descuido rasga, qualquer movimento se parte”.
E aí, quando o agudo invade o coração,
Ignoram para conviver.
Confortam com a falsa preocupação,
Mesmo sem compreender.

Sob quantos fantasmas pode passar?
Em corredores que um dia pertenceram à memórias.
Das vozes que prefere ouvir,
Ainda que sabes que em seu casulo não o conhecem,
Por medo e não por instinto escolheu viver,
Deixou aqui a muda de um sentimento morrer.

Entre paredes que construí e borboletas que tentei caçar,
Foi o primeiro a correr e o último a saber.
Por ter me permitido,
Segurando-me na compensação
Pela a droga que alegra e a culpa que corrói.

Em um vasto aglomerado eu lhe reconheceria,
Pois, não imaginei, este herói não criei.
E disseram-me estar errada,
Mas o que você sabe, se nunca sentiu nada?
Se um dia falarem-te que não é digno,
Abrace seu coração
E decida seu destino.

Em todas as vezes em que causou-me a dor,
Por as outras em que “esqueceu-te” de olhar em volta,
E pelo o meu pranto desperdiçado,
Ninguém que lhe faz pequeno merece o coração dado.

Então não grite aos pulmões,
As palavras vazias, as únicas coisas que sempre foram tuas.
Não jures o que não pode cumprir
E não perguntes o que fez fingindo que não sabe,
Então se ame e se adore com o ego que não lhe cabe.

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