Não viva de passados ou memórias

Não viva de passados ou memórias

As memórias são fragmentos que guardamos sem planejamento. Diferente das marcas e cicatrizes em nosso corpo, as quais desaparecem por consequência do tempo, os quebra cabeças de lembranças habitam nossa mente e são montados de forma aleatória. Há momentos que nos marcam, outros, que esquecemos em 1 dia. O fato, é que amamos amar o passado. Mas mais ainda, nós amamos amar as pessoas pelo o que elas um dia já foram.

Uma foto é como viagem no tempo, mas sem a necessidade de uma máquina. Ela captura quem éramos naquele exato segundo em que posamos – ou não – para a lente. E através daquela imagem, as pessoas enxergam o ângulo mais bonito que querem, excluindo todas arestas negativas, como se não existissem. É uma idealização perfeita de uma vida que talvez não tenha sido tão linda assim. A imagem é um dos tipos de memórias e assim como as nossas recordações, ela também engana e encobre coisas que não podem ser facilmente vistas a olho nu: o sofrimento, a dor, a infelicidade.

Nós idealizamos o passado porque ele é algo que não podemos alterar de maneira concreta e sim imaginativa. Nos convencemos que determinada época foi a melhor e que nada vai superá-la ou dizemos para a nossa mente que só fazemos questão de nos lembrarmos dos melhores lados de alguém. É menos doloroso e nos previne de ter a percepção de que por mais perfeito que o antigamente pareça ter sido, ele tinha o lado escuro que não temos força para reviver.

 Eu sinto saudade de ser criança porque não havia responsabilidades. Eu podia chorar se quisesse, parecer frágil se sentisse vontade ou dizer alguma besteira, pois as pessoas iriam relevar, já que elas me consideravam boba demais para saber ou não o que é certo a se falar. Há dezenas de coisas que eu posso citar para dizer o quanto queria voltar a minha infância, mas duas me fazem parar aqui mesmo: a falta do poder de escolha e a ausência de independência.

É mágico se eu ver apenas pelo o lado da falta de preocupação, mas não consigo lidar com a opção de não ter uma voz ou não poder escolher o que quero fazer.

Lidar com as nossas memórias é a melhor e a pior forma de descobrir os lados extremamente ruins e os bons de alguém. Mas o melhor dele é que ele pode definir quem você foi, mas nunca o que sempre será.

 

 

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