No mundo da lua

No mundo da lua

Ouço em volta todos esses zumbidos, o tempo inteiro, a cada dia. Pessoas fofocando umas sobre as outras, criticando o modo que se vestem, comportam-se, relacionam-se, julgando a maneira como seu próximo deve levar sua vida. Isso me parece tão inútil! Sempre fico alheia da maioria das coisas quando estou em um ambiente, e, acredite, demorou um tempo para me dar conta que isso pode ser considerada uma qualidade.

Tudo bem.

Tenho que confessar que sou observadora, do tipo que sabe mas não fala, que espera a hora certa e a pessoa certa para contar. Eu sei, eu vejo, mas não necessariamente significa que me preocupo com o que todos fazem das suas próprias existências, porque para ser sincera, eu não poderia ligar menos.

Quando você passa tempo demais apontando as coisas que estão erradas nas pessoas, isso fala mais sobre você do que sobre elas.

Estar no mundo da lua é algo que necessito, assim como muitos seres humanos essencialmente precisam dizer o que está errado no outro para se sentirem melhores consigo mesmos.

Você pode pensar muitas coisas sobre mim.

Que talvez eu seja introspectiva? Inflexível? Radical demais? Possessiva? Obcecada com qualquer coisa? Preguiçosa? Carinhosa? Intensa? Com certeza tudo isso e muito mais. Todavia, ninguém nunca vai te dizer que cuido da vida dos outros, pois não faço isso. Eu não comento quem está mais gordo. Eu não sei quem casou. Eu não dou a mínima para quem “saiu do armário”. Eu não poderia ligar menos se fulana está solteira faz anos. Afinal, quem liga?.

E sabe por quê? O meu mundo da lua é muito melhor.

Sim, eu não reparo em nada.

Aliás, demorou o ano inteiro para que eu notasse que minha colega de classe estava grávida. Precisou que alguém me falasse isso, tendo em vista que eu nunca me dei ao trabalho de reparar na barriga dela ou em qualquer comportamento que a menina tivesse.

Eu nunca reparo.

Prefiro meu mundo da lua. O mundo no qual qualquer um pode ser feliz como quer.

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