O Poema final

O Poema final

Não quero mais ter raiva.
Cansei de gritar os meus pulmões
e receber o silêncio em troca.
Estou exausta de ser a única que ainda se importa o bastante
para ter que encerrar algo
cuja a importância realmente só existe
para mim.

Eu peço desculpas por ter exigido algo que não podia cumprir.
Eu peço desculpas por sugar o seu amor, procurando em você que não havia em mim.
Mas eu não sinto muito por ter sido eu
ou por ter sentido
da maneira como eu sei,
seja intensa e exagerada,
é a única que conheço.
Eu não estou perdindo perdão
por ter esperado o mínimo
de amizade e sensibilidade
que você nunca teve
e garanto que não terá com ninguém.
Eu não peço desculpas por ter sido amiga
ainda que você não tenha merecido.
Eu não peço desculpas por ter sido quem eu aprendi a ser.

Ter rancor dá trabalho,
exige esforço e empenho
para manter um sentimento
que só corrói e nenhum bem faz.
Eu não sei vou te perdoar um dia
mas eu vou
me perdoar.
Você me feriu de maneiras que nenhum poema vai traduzir
e só a minha distância pode explicar
que às vezes
quando a dor invade todas as lembranças e as apaga como borracha,
não sobra nada além da tristeza
de não poder voltar
para algo que um dia
chegou a ser bom.

Esse é o último poema que eu escrevo sobre você.
Essa é a última vez que eu fico mal por você.
Essa é a última vez que eu me importo o suficiente
para relembrar tudo, mesmo sabendo que vai doer,
só porque eu quero encerrar algo
que só me machuca em vez de ensinar.
Essa é última vez que eu vou lembrar das nossas risadas
e essa é a última vez que eu me permiti
não estar magoada o suficiente
para te deixar ler.

Esse é o último poema
dos outros centenas
que eu escrevi
sobre você.

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