O vazio de existir

O vazio de existir

Eu não me sinto completa. Olho para a vida das pessoas e me pergunto se sou só eu que tenho a sensação de que não me encaixo em nenhum lugar. Porque é, por mais que tente negar quero me encaixar, quero fazer parte de alguma coisa maior… como uma família, como algo que me acolha e me faça sentir um pouco menos sozinha no mundo.

Questiono-me também se sou a única que nunca sabe se está certa ou errada em minhas decisões. Parece que quanto mais eu ando, menos sei como voltar. É como se estivesse perdendo lentamente a consciência de quem sou e de qual caminho seguir. Com todos esses sentimentos, acabo frustrando a mim mesma. É como se houvesse uma cobrança gigante de mim sobre mim pra que a minha vida seja maravilhosa, mas não faço ideia de como chegar a esse patamar. Eu nem ao menos sei o que estou escrevendo, mas continuo aqui digitando e esperando que o desapontamento que possuo consiga sair nessas palavras.

Eu leio livros e filmes e tudo parece tão lindo. As histórias tristes, em sua maioria, tem um final feliz. Os personagens “perdidos/excluídos” encontram seu grande amor e vão para grandes faculdades. Nessas narrativas todos os adolescentes possuem melhores amigos incríveis e vivem coisas que parecem surreais, porque esse ideal de “bom” parece estar longe demais. Na vida real ficamos em casa, nossos amigos são chatos demais e se escondem do mundo, enquanto alguns só querem ser engolidos por ele. As expectativas de fazer memórias são altas demais pra realidades tão monótonas. No mundo real tenho amigos virtuais do sul, sudeste, até de outros países, mas no cotidiano me sinto sozinha e cercada por pessoas tão desinteressadas em viver, que me fazem cansar delas. O que me leva a conclusão de que o vazio de experiências se assemelha também as personalidades que tenho conhecimento. Mesmo sabendo que fazer amizade nunca foi uma especialidade minha, continuo na espera por aquela pessoa que vai mudar minhas expectativas, opiniões e filosofias de vida,  ainda que tenha a consciência de que ela deveria ser eu.

 

Tenho aquela imensa sede de viver e sair por aí, ao mesmo tempo que morro de medo de fazer tudo errado. Eu queria também tentar compreender pessoas que tem outros tipos de escolha, como o fato de que pra mim não faz sentido você não dar a cara a tapa. Mas no fundo, tenho a consciência de que devo entender que as pessoas não vão agir do jeito que espero. Mesmo que eu cobre essa coisa de “viva intensamente, faça memórias” de um monte de pessoas que conheço, preciso começar a colocar na minha cabeça que algumas simplesmente não querem isso pra vida delas… e bom, apesar de achar que é uma loucura agir como se você não fosse morrer a qualquer momento e basicamente cagar pra sua própria existência, é totalmente direito seu.  Só que eu constatei uma bela verdade sobre mim; Não quero esse tipo de indivíduo perto de mim. Eu quero pessoas que queiram um papo de madrugada sobre a vida, alguém que sente comigo apenas pra conversar sobre o nada ou algum louco que queira fugir do mundo por um instante, sabe? Parece que nunca vai fazer sentido se você for ler isso, mas o grande objetivo desse texto é mostrar o quanto tô cansada de ter pessoas vazias na minha vida. Literalmente, vazias de experiência, conteúdo e existência. Daquelas pessoas que sei que vão embora mas não foram porque não querem se sentir sozinhas, assim como eu me sinto. No entanto, se o objetivo de uma relação é justamente te fazer parte de algo, por que parece que quanto mais ao lado fica, menos conectado se sente?

Eu busco desesperadamente por viver e nunca vou parar. Essa sou eu, lutando contra o vazio da alma, do dia a dia, da própria existência e do que me cerca.

E você, o que está procurando?

Compartilhe!
Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Tumblr
Comments are closed.