Prisioneiros de um sistema

Prisioneiros de um sistema

Todos os dias, antes do nascer do sol.

Todos os dias, quando o sol fica mais forte e os raios queimam meu rosto.

Mesas, cadeiras, bancos e rabiscos. Paredes inteiras, descascadas, pintadas ou novas, são as mesmas paredes em todos os lugares. As mesmas pessoas em todos os arredores, os mesmos rostos e jeitos de todos os trejeitos.

6 horas, 8 ou o dia inteiro, de qualquer maneira, é exaustivo. Os ponteiros – que transformaram-se em números digitais, tenho que acrescentar – mexem-se em passos lentos, assim como o tempo que se arrasta e o conteúdo que quase nunca é atrativo. Eles nos obrigam a abrir os olhos mesmo sabendo que o sol ainda nem está no topo.

Quando somos crianças, parece divertido – para mim, nunca fui – mas as coisas são menos realistas, menos catastróficas e mais bonitas. No entanto, nada é o que parece ser. A verdade é que eles escondem de nós até que estejamos grandes o suficiente para nos dar que é de infinitas guerras que o mundo vive.

Casinhas, recreio, bonecos, hora da soneca e tapetinhos. Titios, titias, soma, subtração e divisão.

Carteiras, intervalo, celulares, professores, mestres, equações exponenciais, log e funções.

Tudo o que aprendemos, de repente é pouco, insuficiente, incompleto. De maneira abrupta e repentina, sem nem mesmo um mínimo de aviso, jogam todo o peso do mundo em nossas costas e esperam que, em um passe de mágica, nos tornemos adultos suficientes para lidar com coisas que nem antes conhecíamos.

Papéis ditam nossa capacidade, nos indicam no que somos bons e no que somos ruins. Mas é claro, com uma ressalva; só os melhores chegam no topo. Além disso, eles te fazem pensar que aquilo tudo é a coisa mais importante da vida, que se talvez um número te faça não estar entre os melhores, então é porque você não tem capacidade e não será um bom profissional.

Burro, insuficiente, incapaz, desmotivado e cansado.

Palavras parecidas ecoam na mente de pessoas que não nasceram com um dom em determinada coisa, mas são jogadas para escanteio como não aproveitáveis, porque eles estão nos ditando nossa inteligência e dizendo que o certo é nos trancar em um cômodo escuro e virarmos gênios sobre todos os assuntos. E tudo para que você se torne um bom engenheiro, médico ou advogada.

Aliás, não importa se gosta de pintar, escrever, dançar ou tocar música, você vai morrer de fome. O importante é memorizar assuntos, fórmulas, gráficos e esquemas, tópicos desses quais, você só precisa para que um papel te diga que é apto.

Esta prisão te diz no que você é bom e lhe dita a sua capacidade pelos números grifados no seu papel. Todavia, não deves deixar que um pedaço de folha te fale no que pode ou não passar. Não seja outro prisioneiro.

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