Quando não há mais palavras

Quando não há mais palavras

Você deveria ser alguém com o qual eu iria contar. Bom, pelo menos é isso o que costumavam chamar de amigo antigamente. No entanto, se a procura de motivos pra te fazer permanecer é bem maior que o seu esforço para ficar, quem está mais errado, eu ou você? Nessa manhã, soube que você descobriu sobre a festa que eu iria dar, então não tinha como disfarçar que, na verdade, eu não queria te convidar. O fato, é que quando não há mais palavras, só sobra a mágoa que nos cala e distancia uns dos outros.

Assim como você não compreende meu excesso de sentimentos, não engulo a sua aparente falta deles. Nisso, entramos em um ciclo eterno para descobrir qual dos dois se aceita menos e no final, um deles sai machucado. É claro que as paredes nos dizem segredos e os olhos que encontram-se a sós sussurram verdades, mas a exaustão de empurrar uma carroça que já não sai do lugar a muito tempo, apenas tira minhas energias e mantém as suas. Contudo, se o propósito é ser uma balança, por quê você parece extrapolar o peso?

Eu pensei muito se entregaria meu bilhete ou falaria cara a cara, mas há pessoas que sofrem de um problema sério, elas só percebem as coisas quando alguém fala. O mais surpreendente é que há tantas merdas acumuladas, que você nem sabe mais por qual delas eu ainda derramo lágrimas. Não é sobre ter um buraco de ódio dentro de mim, é uma grande extensão de sentimentos enterrados e soterrados em uma caixa. Um dia, socada e entupida de coisas, a caixa simplesmente não aguentará e vai ceder. É mais ou menos isso o que acontece quando você guarda coisas tão fortes, mas que ao mesmo tempo, tão insípidas para serem ditas em voz alta.

Não curto muito quando as pessoas andam em bando, isso porque, me parece que são mais animais do que pessoas. Gosto de quando sou individual, original, diferente. O que me leva a crer que:

1. não sei por qual motivo somos amigos, considerando que você é a mais uma sombra do que um indivíduo.

2. Você me irrita com essa mania de nunca agir individualmente e precisar de outras pessoas para coexistir.

Levando em consideração que apesar de você ter me feito rir em muitos momentos trevosos da minha vida, ainda insisto que se eu quisesse um hobby, iria pescar. O que me faz concluir que pessoas não são distrações.

Acho que tenho muita coisa dentro de mim. É, estou falando isso de novo, até porque, esse texto é meu. Não é arrogância, perdoe-me pelo o que pareceu, é só que eu não quero mais te ver na minha frente. Nem o seu sorriso irônico, nem a sua cara esquisita, a sua coleção de casacos iguais que só mudam a cor ou a sua nítida vontade de fingir que é feliz. Eu só quero me ver livre do que me faz duvidar de mim mesma e da minha capacidade de me sentir confiante.

Não vou te falar o que fazer, se é isso que espera. Há coisas que as pessoas devem perceber sozinhas e uma delas é quando devem se retirar discretamente.

Penso que existe uma força dentro de mim que se cansa rápido de coisas auto destrutivas e isso definitivamente não exclui você.

Aliás, gostaria de perguntar se alguma vez considerou perguntar o porquê.

Por que nos relacionamos com algumas pessoas, mesmo sabendo que isso vai nos destruir?

Porque o vazio das nossas almas é muito maior do que o que está eminente e precisamos preenchê-la com o máximo de coisas que pudermos, inclusive, as que não nos levam a lugar nenhum.

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