Quando você abre a porta

Quando você abre a porta

Queria ser um livro aberto, uma daquelas pessoas que se sentam e despejam sobre todas as suas inseguranças e medos, mas em vez disso, sou um diário com cadeado. E o pior disso tudo? Eu nunca dou a chave para ninguém.

 Essa chave tem o segredo para os meus maiores machucados, as coisas que me assombram todas as noites e que ninguém faz a mínima ideia. Acho que me acostumei a manter tudo trancado, então agora não sei se um dia conseguirei abrir novamente.

 A causa?

Bem…

Eu já fui um livro aberto antes, senti na pele os efeitos de deixar alguém me ler.

O julgamento, olhares desconfiados, indagações. Tudo é consequência de se  deixar ser vulnerável. E na verdade, isso se assemelha um pouco com quando recebemos as pessoas em nossas casas; deixamos que elas entrem em nossos “mundos”, onde paredes sussurram memórias que só nós temos conhecimento.

 E dói. Dói quando alguém pega um sentimento seu, seja bom ou ruim e usa isso para te colocar pra baixo, em vez de apenas dizer que está tudo bem.

Porém, adivinha só? Não está. Eu mudei. Mas não foi uma mudança pra mim e sim em função deles, que me fizeram optar por nunca mais abri a porta para ninguém.

Chega de visitas, a partir de agora só fica a dona da casa.

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