Ser adulto é…

Ser adulto é…

Dos muitos churrascos dos quais aconteceram em minha casa, no grande quintal com utensílios e pia para eventos, em praticamente 100% deles, repetia-se um ciclo:

Eu ficava sentada, com os meus ossos doloridos por conta das cadeiras ruins, tomava refrigerante e ouvia os adultos falarem da vida uns dos outros. Logo depois, os mesmos que falavam mal abraçavam-se e beijavam-se as bochechas. 

De épocas em épocas, surgiam perguntas sobre meu futuro, minha personalidade, meu jeito.  Aos 15 anos, o tópico do momento era “Quando vai arranjar um namorado?”. É aquela coisa chata das pessoas quererem que você siga um padrão para fazê-las se sentirem menos piores com suas vidas medíocres.

A vida tem daquelas pessoas que vão te dizer que quando você cresce fica mais maduro, porém, convivendo com grande maioria de adultos e pessoas de idade – tendo em vista que meu bairro é feito praticamente de idosos-, durante toda a minha existência, constatei que quanto mais o tempo passa, mais sensibilidade ele lhe toma.

Quando se é jovem você sonha, porque não existe limite do certo e do errado, do possível e impossível. Não temos noção nenhuma do quanto a vida é cruel e de como o mundo nos derruba de forma que, muitas vezes, demoramos a levantar. Queremos viver e batemos de frente com os obstáculos que tentarão nos parar e desistir das nossas ideologias.

Ser adulto é perder aquela capacidade de sonhar, de imaginar, de não ter medo de ser ridículo. Eles estão preocupados demais em fazer com que você desista da sua vida, assim como eles desistiram das deles, pois, só assim, se sentirão melhores por não estarem sozinhos em suas existências sem propósito.

Falam que as crianças são cruéis. É verdade? Sim, mas lembre-se que todo indivíduo em formação é reflexo do que enxerga, do que vive, do que escuta. Portanto, crianças são pequenos adultos, as cópias de seus pais.

Eu aprendi muito sobre ser adulto, mas principalmente, constatei que não quero ser uma adulta. Não quero ser como eles, de mundo pequeno, de mente fechada, de língua afiada. Sou livre, quero igualdade e não me incomodo com a felicidade dos outros.

Não sou uma adulta, sou uma jovem que luta para não ser amanhã o que esses adultos são hoje.

Compartilhe!
Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Tumblr
Comments are closed.