Suzana

Suzana

Suzana, por que você não me ouve?

Olhe nos meus olhos e me diga que compreende,

e se não puder, minta.

Suzana, você é quem deveria me dizer que está tudo bem,

quando ninguém mais diz.

Em vez disso, faz ficar pior

porque nós não sabemos como resolver nossas diferenças

e gritamos para nos entender.

 

Inconsequente.

Eu, que sou jovem e livre demais

não quero te ouvir.

Você, retrógrada, cheia dos seus ideiais do passado

que perpetuam e te impedem de ver

que estou quebrada e não consigo juntar os pedaços.

E termina de estilhaçar o vidro,

atirando contra mim, a sua ignorância.

 

Suzana, você não vê?

Nascemos todos como peças,

e vamos, aos poucos, sendo montadas por alguém.

Mas quando toda a montagem sai errada

tudo o que temos que fazer é nos desconstruir.

Suzana, estou cercada de muros.

Estou com medo.

Eles estão marchando.

Eles tem suas tochas e foices pra cima

e carregam o ódio para combater o amor.

 

Suzana, eu estou paralisada.

Os meus pés colaram no chão e eu não consigo respirar,

mas você grita comigo e de repente é um dos meus demônios,

porque assim como eles, você me faz sentir como se eu não merecesse esse lugar.

Suzana, eu estou gritando e você está surda, cega, muda.

Suzana, me ouça e pare de gritar,

antes que tudo fique em silêncio eternamente.

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