Etiqueta: amizades

Por que queremos consertar todo mundo?

Por que queremos consertar todo mundo?

Nos romances adolescentes – ou young adults, para quem está familiarizado com o mundo da leitura atual – eles estão em todos os lugares… os vulneráveis, porém casca grossas, os sensíveis, mas só com as garotas que gostam, os que geralmente usam jaqueta de couro e pilotam uma moto. Se você ainda não adivinhou, lhe apresento os bad boys, a estereotipização do ser humano que precisa ser salvo.

O amor muda as pessoas, nós ouvimos desde sempre.

Esse pensamento deu munição para a construção de moldes perfeitos para cada um, já que ao escutarmos que as pessoas mudam por estarem amando, acabamos por querer moldar os outros usando o amor como desculpa.

De fato, as pessoas realmente se modificam, mas não deveria ser por alguém, só por si mesmas.

Às vezes, nos adaptamos aos outros pensando que é o nosso dever fazer eles se sentirem confortáveis, ainda que isso signifique NOS deixar desconfortáveis.

Podemos consertar objetos com cola, pregos ou fita, mas isso não se aplica aos seres humanos, pois ninguém aqui está quebrado. Se você me diz que amar é aceitar o outro com os seus defeitos, qualidades e crescer com o relacionamento, amadurecendo como ser humano, eu concordo. Todavia, se você constantemente quer moldar alguém para se encaixar no seu conceito de perfeição, te digo que você não ama essa pessoa de verdade.

É quase – ou totalmente – como uma arrogância pensar que você, entre bilhões de pessoas, possui o poder de “guiar” alguém para o que acha ser o caminho certo. Talvez seja um sinal de que se quer tanto “salvar alguém”, pode significar que a única pessoa que precisa de salvação seja você mesma.

O Poema final

O Poema final

Não quero mais ter raiva.
Cansei de gritar os meus pulmões
e receber o silêncio em troca.
Estou exausta de ser a única que ainda se importa o bastante
para ter que encerrar algo
cuja a importância realmente só existe
para mim.

Eu peço desculpas por ter exigido algo que não podia cumprir.
Eu peço desculpas por sugar o seu amor, procurando em você que não havia em mim.
Mas eu não sinto muito por ter sido eu
ou por ter sentido
da maneira como eu sei,
seja intensa e exagerada,
é a única que conheço.
Eu não estou perdindo perdão
por ter esperado o mínimo
de amizade e sensibilidade
que você nunca teve
e garanto que não terá com ninguém.
Eu não peço desculpas por ter sido amiga
ainda que você não tenha merecido.
Eu não peço desculpas por ter sido quem eu aprendi a ser.

Ter rancor dá trabalho,
exige esforço e empenho
para manter um sentimento
que só corrói e nenhum bem faz.
Eu não sei vou te perdoar um dia
mas eu vou
me perdoar.
Você me feriu de maneiras que nenhum poema vai traduzir
e só a minha distância pode explicar
que às vezes
quando a dor invade todas as lembranças e as apaga como borracha,
não sobra nada além da tristeza
de não poder voltar
para algo que um dia
chegou a ser bom.

Esse é o último poema que eu escrevo sobre você.
Essa é a última vez que eu fico mal por você.
Essa é a última vez que eu me importo o suficiente
para relembrar tudo, mesmo sabendo que vai doer,
só porque eu quero encerrar algo
que só me machuca em vez de ensinar.
Essa é última vez que eu vou lembrar das nossas risadas
e essa é a última vez que eu me permiti
não estar magoada o suficiente
para te deixar ler.

Esse é o último poema
dos outros centenas
que eu escrevi
sobre você.

Quem se importa? Eu sim

Quem se importa? Eu sim

Eu deveria ficar ou ir embora?
Como eu faço para parar o que está doendo em você?
A sua dor me machuca mais do que a minha própria.
Posso lidar comigo sofrendo, posso aguentar minhas lágrimas,
mas não consigo suportar te ver com suas feridas.
Parece que alguém rasga meu coração toda vez que você chora.

Esta chuva que está lá fora,
eu espero que ela varra toda a sua angústia
e às vezes, eu queria poder sofrer no seu lugar.
Mas me disseram
cada um tem que passar por sua própria dor
e não é responsabilidade de ninguém
salvar ninguém.

Longas linhas de indignação

Longas linhas de indignação

Tem uma dor
rasgando meu peito.
Uma dor em forma de lembranças
E perdas
que eu nunca vou conseguir reparar.

Tem um rosto em minha mente
que é o motivo do caos
e de toda a insegurança
que eu não sei se posso evitar.
Porque eu acho que esses traços em sua face
levaram toda a minha energia.

Não foi só o que você disse
mas também o que deixou de fazer
e o jeito que me fez sentir
como se eu fosse errada
por ainda tentar.

Não foi só o que você não disse
mas também o que você fez
e a maneira como não se importava
em não se importar,
como se eu fosse descartável
e fácil demais de deixar de lado.

Você não se preocupou
pois sabe da minha frequência em me doar
para quem não se incomoda
em não retribuir.
Porque é verdade
ninguém tem dúvidas
de que eu sempre volto.

Como você pode
me deixar ir
com a facilidade que você respira?
Ainda não entendo.
Ainda não compreendo.
A única coisa que eu sei e tenho certeza
é que você me machucou
e nunca se deu ao trabalho
de oferecer um curativo.

Eu estou cansada de me sentir com raiva
especialmente se você
não sente nada.
E a ironia é que
no final,
as pessoas que nos ferem
são as que menos peso carregam.
E eu já sinto as minhas costas curvadas
pelo o volume de mágoa
que eu tenho em minha bagagem.

Reféns

Reféns

Eu me sinto como uma criminosa.
Colocando uma arma na cabeça das pessoas e as fazendo de reféns, para que elas mantenham uma conversa comigo.
*Câmbio* – alguém aí?
Nada. Só silêncio. A quietude ensurcedora.
Talvez se eu gritar, eles vão me ouvir?
É…
Eu tenho a impressão de que só assim me notarão.
A verdade é que por mais que eu me esforce,
não consigo fazer ninguém perceber
o quanto eu preciso realmente de alguém.

Os meus amigos estão longe, lá do outro lado.
Eu os amo, sei que me amam…
mas e se eu não chamar, será que o meu telefone vai vibrar sem que eu implore?
Às vezes eu tenho medo de nunca mais ouvir nada do outro lado.
Eu tenho medo de ficar sozinha de verdade
e perceber que ninguém faz questão que eu permaneça.

Não quero mais fazer reféns,
eu gostaria mesmo é de parceiros de crime.
Estou cansada de ter que suplicar por amor,
eu não gosto de ser do tipo que recolhe migalhas.

A História de Insípida e denguinho

A História de Insípida e denguinho

O seu shorts
As tinturas
A sua mãe e o purê de batata dela
que eu comi a contra gosto,
pois tinha que fazer trabalho da escola com você.
Eu te odiava porque você me odiava,
não te olhava de cara feia pelo o fato de você ter feito eu me sentir menor
por não saber que a mão fica na nuca e a língua mexe de uma determinada forma.
Eu nunca soube disso, eu não me importava,
mas talvez você e todos eles fizeram parecer importante.
Então eu procurava preencher todo o vazio dessas coisas
para tentar me igualar a quem eu sabia que não podia alcançar…
ou, pelo menos,
eles fizeram com que parecesse que era alto demais para mim.

No entanto,
eu descobri em você, um pouco de mim.
O seu vazio se refletia nos seus olhos, quando sorria para um garoto da série mais velha,
tentando mostrar suas pernas nuas, cobertas apenas por um fino pano de tecido do uniforme da escola.
Eu me perguntava o porquê de você fazer aquilo para eles e não para si mesma, pelo o simples motivo de gostar daquela roupa.
Por que era tão importante que eles te desejassem?
Talvez fosse isso o que esperavam de você,
então foi isso o que fez.
Todo mundo esperava que eu me escondesse,
foi isso o que eu fiz.
No final, estávamos tentando sobreviver.
Mas você ainda era insípida por si só, da sua maneira
e eu também.
Você me odiava e eu nunca soube o motivo.

Eu lembro de sentir inveja do quarto dela,
das coisas que tinha, dos seus brinquedos
e da sua pele de porcelana.
Ela era minha amiga, mas não gostava de mim.
Não que eu tenha gostado, igualmente,
eu sabia que era uma troca.
Ambas tínhamos medo de estarmos sozinhas,
então nos submetíamos a qualquer coisa que impedisse a nossa sombra de se projetar sem uma do lado.
Meu telefone tocava e eu tinha certeza que era ela para falar mal da menina insípida,
as duas eram igualmente falsas e possuíam uma amizade tóxica,
mas, no final, sobrou para mim.
Eu fui a esfaqueada por duas pessoas com a faca nas costas.

Não sei por onde elas andam.
Eu não me importo.
Confesso que guardo muita mágoa de bastante gente, mas esse não é o caso.
Eu sei disso porque
eu não guardo nada de bom do que restou
e só deu 1 poema,
significa que eu realmente não tinha nada a dizer.
Afinal, não dá para fingir relevância para quem faz questão de ser irrelevante
enquanto passa na vida de outras pessoas.

 

Calendário

Calendário

Estou escrevendo, escrevendo, escrevendo…
Liberando minha alma do que a aprisona,
mas você continua entre minhas artérias,
como uma bactéria que se aloja
e suga o que tem dentro,
me consumindo aos poucos…
Até que não reste mais nenhuma parte
do que um dia eu fui.

Eu me cobro algum verso poético
que possa derramar meu rancor nestas páginas,
de forma que as sílabas digam o que eu não consigo falar,
de maneira que todas as palavras possam mostrar
a tamanha dor de viver,
uma mágoa,
dia após dia,
enquanto os meses e anos se passam para ele,
e eu continuo naquela mesma data,
sofrendo pelo o mesmo motivo
como se fosse a 1ª vez.

Ele disse “me desculpa”,
mas todo o meu bom senso que ainda resta disse “não!”.
Então,
eu falei que o tempo pode curar.
mas como, se para mim ele nem passou?
Pois sim,
eu revivo, revivo, revivo e revivo aqueles dias,
e após isso, a mágoa surge de novo, ainda mais forte,
e eu o odeio cada vez mais.
Sim,
eu marquei no calendário
o aniversário
do meu rancor.

20 vezes amor

20 vezes amor

I Love you.
Vejo seu futuro brilhante,
Seus olhos que enxergam o mundo de maneira linda
Mesmo que ele te faça não se enxergar bonita.
Eu posso te falar que te amo amo em português e inglês,
Mas por quê não em 20 línguas de uma vez?

yo te amo
Ich liebe dich
Kocham cię
Jag älskar dig
Я люблю тебе
eni seviyorum
私はあなたを愛している
Jeg elsker dig
Ti amo
Je t’aime
나는 너를 사랑해.
Я люблю цябе
אני אוהב אותך
أنا أحبك
Ég elska þig
Jeg elsker deg
Volim te
Σ ‘αγαπώ
Mahal kita
Ik hou van je

Mesmo que eu não possa, eu queria
poder te
proteger do mundo
da dor
dos traumas
do ódio
de tudo o que te faz menos
linda
e sorridente
como fica melhor em você.

A irmã
que eu nunca tive
A parceira
da madrugada
A garota que esteve no meu pior
no meu melhor
e na escuridão
você foi a única luz
mesmo quando eu me recusei a acender a lâmpada
foi você minha guia.

Se eu pudesse colocar o seu sorriso nas estrelas
eu diria a elas para brilhar sempre,
mesmo de dia.
Se 20 línguas não forem suficientes
Eu lhe dou 51 linhas
52
para mais 30 e 2 anos
de amor
e enquanto o infinito puder suportar
eu estarei aqui para lhe levantar
quando você não tiver forças para sair do chão.

 

 

Paleta de cores (parte 2)

Paleta de cores (parte 2)

Você terminou de colorir o céu,
E de repente, seus olhos já não faíscavam mais,
Eles não brilhavam como antes,
Quando cintilavam com as constelações da minha forma te fazer reluzir.
Tudo virou breu.

Eu fui a sua tinta vermelha,
Intensa e feroz,
Mas você era só o lápis branco em uma caixa de 48 cores.
E eu te emprestei todos os meus tons,
No entanto, você continuou invisível na folha.

De vermelho para cinza,
Na marca mais óbvia da melancolia,
Você sugou toda a cor em mim,
Enquanto completava sua paleta de cores.

Acho que eu sinto falta de te colorir,
Mas do que adianta,
Se agora eu sou cor de burro quando foge?
Talvez você mereça ser o branco de alguém também,
Tendo em vista que fui o seu o tempo inteiro.
Porém, não conseguia ver isso,
Pois estava ocupada demais preenchendo suas linhas para enxergar meu efeito sob o papel.
O nada.
Assim como o que fui para você.

Salva-Vidas

Salva-Vidas

Lhe joguei a âncora e a corda,
mas você preferiu despencar no mar de tubarões.
Não posso resgatar
alguém que quer estar perdido
e pode fazer eu me perder da saída.

Gritei para que corresse
enquanto te deixava para trás,
parada, na espera de alguém que te carregasse,
pois você tinha medo de pisar em espinhos.

Você temia a dor,
mas causou dor.
E quando eu busquei o antídoto,
você usou suas feridas como desculpa para utilizar, como se sua dor fosse maior,
enquanto eu, dolorida permaneci.

Você prefere ficar entorpecida
a não sentir coisa nenhuma,
porque talvez, o vazio dentro de você te assusta,
ao mesmo tempo, que você assusta os outros com o seu vazio
e os torna mais insípidos que si mesma.

Não posso ser sua salva-vidas.
Estou ocupada salvando a mim mesma,
E cansada demais para te olhar, ao passo que você se auto destrói.
Não posso ser sua salva-vidas,
porque você não quer ser salva,
você quer que alguém que esteja lá,
para testemunhar quando se perder
de si mesma.

 

 

 

%d bloggers like this: