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Você está na defensiva

Você está na defensiva

Quando ouvimos um tom de voz elevado, imediatamente gritamos para nos igualar. Subimos no caixote para sermos vistos ou tentamos impor o respeito através do medo. Todas essas ações são defesas do ser humano em diversos modos. No entanto, às vezes – no meu caso, quase sempre – nós atacamos de volta porque sentimos que precisamos nos defender, embora nem sempre haja essa necessidade.

A minha vida inteira eu fui atacada de forma pessoal, especialmente por conta da minha aparência. Vivi cercada de gente desagradável que fazia questão de me colocar para baixo, pessoas que possuíam o prazer de ver que eu me enxergava cada vez menor e conforme o tempo passava, me encolhia mais e mais dentro de mim mesma.

Isso me marcou de forma negativa, eu passei a olhar todos a minha volta como meus inimigos, como se eles pudessem me atacar a qualquer momento. Eu não consigo compreender a crítica ou a brincadeira inocente com uma parte minha que incomoda, de modo natural, já é uma característica minha que eu rebata como se fosse uma ofensa.

Por isso, sinto que estou sempre com o meu escudo, eu e a minha obrigação de sempre defender a mim mesma. Penso que pelo o fato de eu ter ficado muito tempo calada e nunca ter dito nada para as pessoas que me perseguiram na escola, o meio que escolhi para sobreviver é sempre disparar de volta, mesmo sabendo que talvez não valha a pena. Talvez eu tenha me silenciado tanto, que não consigo mais não falar ou não responder.

Estar sempre na defensiva é uma maneira que as pessoas acham de não se machucarem novamente, porque na maioria das vezes, elas já estão cansadas de sentir que precisam se defender.

Tanta coisa para dizer, mas nada sei falar

Tanta coisa para dizer, mas nada sei falar

Eu mentiria se dissesse que não me sinto culpada em ficar sem escrever no blog. Estou numa fuga contra a improdutividade, ao mesmo tempo que fujo da frustração de não conseguir parar de ser improdutiva. Não encarar o fato de que eu estou passando por uma fase ruim na escrita, é o modo de fingir que não estou desistindo.

Tenho essa tendência de largar as coisas quando tudo fica difícil – assim como quase todo ser humano já fez na vida. Acho que é medo. Medo de me machucar ou simplesmente da decepção sobre mim mesma por não ser boa como eu desejo.

Eu tinha coisas para dizer para muita gente. Pessoas que mesmo não merecendo explicações, ainda sim deveriam ouvir a respeito dos impactos das suas ações. Mas há coisas que não devem ser ditas, já que na maiorias das vezes, os que mais necessitam de umas verdades, são os menos dignos de vulnerabilidade alheia.

Penso que sempre escolhemos duas opções

ou a fuga ou a verdade que destrói.

Ainda que escolha um dos dois, o resultado sempre será dará em algum ferimento, afinal, não se pode fugir para sempre.

Lápis sobre a mesa

Lápis sobre a mesa

Sinto-me enferrujada, como se não conseguisse escrever mais nada que fizesse sentido. Sei que há coisas para dizer, mas não faço ideia de como falá-las. Eu digito o que vêm de meu coração, mas não me parece o suficiente, então apago e me arrependo. São ciclos e ciclos de frustração até chegar em algo que valha a pena ser mostrado para o mundo – ou simplesmente para 100 pessoas que o habita. A questão, é que às vezes fracassarei como escritora, assim como fiz esses dias.

Escrever, para mim, é como cozinhar para alguns e dançar para outros. Quando escrevo, me conheço. Quando escrevo, descubro coisas que não sabia que sentia até tornar em um texto. É como se eu me conectasse diretamente com a minha alma – e é a única forma de eu ter certeza que ela existe.

Hoje, eu coloquei meu lápis sobre a mesa, fechei o bloco de notas do celular e não abri o word. Tenho consciência, possuo muitas coisas para colocar para fora, mas nem sempre elas valem a pena serem ditas ou, sei lá, não é todo dia que sou capaz de fazer uma poesia que expresse exatamente o que quero falar. Não basta ser linda e metafórica, precisa dizer algo – em grande parte do tempo.

 

Eu sempre disse que não queria ser boa e que meu único objetivo é escrever e é verdade. Continuo digitando, mas sei que não é uma das melhores coisas que já fiz – longe disso, inclusive. No entanto, contanto que eu possa escrever, não ligo de estar tão ruim, o que importa mesmo é escrever.

Mas hoje, eu coloquei meu lápis sobre a mesa.

Expectativas irreais e idealismo

Expectativas irreais e idealismo

 Quando eu escrevo, tudo na minha mente fica em paz. Eu, que sempre procurei me encaixar em algum grupo, sinto que pertenço a algo maior quando estou escrevendo, como se tudo na minha vida fizesse sentido. Eu amo essa sensação e todo o conforto que me traz, no entanto, quando ela não funciona, as coisas em mim param de fazer nexo. Escrever não é a única coisa que eu sou boa, mas definitivamente é a única que me faz sentir que tenho um propósito. Porém, quando um texto não é bom ou algo que criei não me agrada, fico frustrada.

Afinal, se nem no que sou boa eu consigo ir bem, o que será de mim?

Eu me fiz esse questionamento 1 milhão de vezes, faço ele todos os dias, inclusive. Há vários textos e poesias aqui que se pudesse, deletava para sempre – aliás, eu já fiz isso com alguns. A questão é que ir bem não significa acertar todas as vezes. Muito do que postei não era bom e eu sei disso. Em algumas situações, senti inveja daquelas páginas gigantes e famosas que postam frases feitas e ganham centenas, até milhares de compartilhamentos.

Eu perguntava “por que não eu?” Eu deixava a insegurança me atingir e pensava que eu era a ignorada do mundo, a única que passava por isso. A minha ingenuidade me despertou para o meu egocentrismo exagerado e a minha falta de noção perante o mundo real.

Confesso que achei realmente que seria fácil ter um blog de sucesso, especialmente com os seguidores que conquistei no meu antigo, mas eu me enganei. Tudo o que vale a pena requer esforço, ninguém surge do nada e eu não serei a exceção. Contudo, não vou mentir, fiquei triste e pensei em parar, deletar tudo e dar ouvidos às pessoas que me disseram que não daria certo, mas se escrever é tudo o que amo, não posso desistir.

Uma forte descoberta a respeito de mim mesma – que me surpreendeu, tenho que dizer – é que eu tenho medo do caminho mais longo, não quero fazer nada do que eu não goste, só gosto das partes boas. Talvez isso deva soar um pouco mimado, não é? Talvez sim. Mas sabe, eu gosto de falar sobre os meus defeitos, assim, as pessoas não ficam com a ilusão de que não possuo consciência da existência deles.

Eu idealizo tudo, de fato. Algumas pessoas me chamam de otimista ou idealista, eu acho que só fico pulando de plano em plano para não ter que assumir que fracassei ou só para deixar pela a metade e dizer que já esperava que desse errado. Aquela letra da música da Vanessa da Mata nunca fez tanto sentido para mim,

eu realmente tenho expectativas irreais.

Nem sempre o que eu escrevo vai ser bom, a maioria provavelmente será mediana para mais ou menos, mas se nem que por 1 minuto eu tenha te tocado com algo que criei, já valeu a pena.

Por que queremos consertar todo mundo?

Por que queremos consertar todo mundo?

Nos romances adolescentes – ou young adults, para quem está familiarizado com o mundo da leitura atual – eles estão em todos os lugares… os vulneráveis, porém casca grossas, os sensíveis, mas só com as garotas que gostam, os que geralmente usam jaqueta de couro e pilotam uma moto. Se você ainda não adivinhou, lhe apresento os bad boys, a estereotipização do ser humano que precisa ser salvo.

O amor muda as pessoas, nós ouvimos desde sempre.

Esse pensamento deu munição para a construção de moldes perfeitos para cada um, já que ao escutarmos que as pessoas mudam por estarem amando, acabamos por querer moldar os outros usando o amor como desculpa.

De fato, as pessoas realmente se modificam, mas não deveria ser por alguém, só por si mesmas.

Às vezes, nos adaptamos aos outros pensando que é o nosso dever fazer eles se sentirem confortáveis, ainda que isso signifique NOS deixar desconfortáveis.

Podemos consertar objetos com cola, pregos ou fita, mas isso não se aplica aos seres humanos, pois ninguém aqui está quebrado. Se você me diz que amar é aceitar o outro com os seus defeitos, qualidades e crescer com o relacionamento, amadurecendo como ser humano, eu concordo. Todavia, se você constantemente quer moldar alguém para se encaixar no seu conceito de perfeição, te digo que você não ama essa pessoa de verdade.

É quase – ou totalmente – como uma arrogância pensar que você, entre bilhões de pessoas, possui o poder de “guiar” alguém para o que acha ser o caminho certo. Talvez seja um sinal de que se quer tanto “salvar alguém”, pode significar que a única pessoa que precisa de salvação seja você mesma.

Monotonia

Monotonia

Os passarinhos estão piando, em sincronia, quase como
uma sinfonia
ao vivo
orquestrada pela a natureza.
Estou abrindo meus olhos,
constatando que falhei novamente.
Não deveria acordar tão tarde
mesmo nas férias.
O relógio está parado, acordo na mesma hora todo dia
e bebo refrigerante no almoço
escrevo coisas que nunca postarei
todo dia.

Sinto-me como se estivesse flutuando.
Eu não evoluí, continuei a mesma
meu cabelo não foi cortado
ainda não consegui dinheiro com a única coisa que sou boa.
Aparentemente, todo mundo anda para frente
e eu estou sendo puxada para trás
presa no tempo,
junto com quem eu era 2 anos atrás.
Com os mesmo problemas,
os mesmos dilemas
os mesmos traumas
e a mesma mania de dormir mal.
Hoje é como todo dia
e todos os dias são como hoje.

Pergunto-me se conseguirei achar uma porta
neste quarto escuro.
Pergunto-me se é só comigo que a vida não parece ter caminhado.
Pergunto-me se todo mundo sente, assim como eu,
que hoje foi como ontem.
Pergunto-me de que maneira acharei uma saída
se nem eu mesma acredito que ela exista?

As espadas estão apontadas para o lado errado

As espadas estão apontadas para o lado errado

Está tudo tão sombrio. Eu sinto a dor, a chuva, o pesar das pessoas. Elas estão cansadas de tentar, exaustas de se importar. É aquele tipo de ciclo no qual você enxerga que, por mais que se desenrole, parece que as coisas nunca sairão do lugar. É um gasto de energia sem retorno, um futuro sem luz, um problema crônico que aparentemente não tem solução, já que foi dado como natural. Há medo, ódio e uma luta silenciosa.
Eu sinto como se estivesse na arquibancada e observasse todos se matando, sem poder fazer nada. Eu temo pelo o que estar por vir e não tenho esperança em algo que já acontece. Eu não vejo saída.

As espadas estão apontadas para o lado errado.

 

 

2017

2017

2017.
Ano ímpar. Tenho más experiências com anos ímpares. Em 2015, quase fui reprovada em física. Em 2011, minha cantora favorita entrou na reabilitação. Em 2013, eu passei pelo o pior momento da minha vida. Em 2017, eu perdi muita gente e precisei amadurecer a força.

Não foi um ano fácil, nem mesmo para quem está rico, viajando pelo o Caribe e desfrutando de coisas boas. Não foi um ano simples porque, de alguma forma, mesmo que você esteja feliz, o mundo afundou em atrocidades, barbaridades e ódio. É impossível não absorver tudo em volta ou não ser afetado pelo o que se está consumindo.

Enquanto estamos tendo nossos momentos felizes, há pessoas que nem esses momentos possuem, nem paz elas tem. E às vezes nos concentramos tanto em nós mesmos, que nem reparamos no que está a nossa volta. A pobreza, a fome, a infelicidade, a desigualdade, a crueldade…

2017 nos forçou mudanças goela a abaixo. Algumas boas, outras péssimas. E nos fez enxergar também, ainda que contra nossa vontade. Nossos olhos se acostumaram tanto com coisas ruins, como derramamento de sangue, gente matando, gente roubando, que quando acontecia algo bom, ninguém realmente ligava.

É muita maldade em meio ao que parece uma faísca de esperança e, sinceramente, nem mesmo o mais otimista consegue ver uma luz.

2018 não será fácil, pois é apenas uma mudança simbólica, nada vai magicamente se transformar, depende de cada um de nós mudar as coisas. Depende de todo mundo pensar no coletivo e não só em si mesmo, no que beneficia primeiro seu eu.
O que houve é que 2017 foi a representação do pior lado do ser humano
que é quando ele decide esquecer qualquer um que o cerca
e viver em busca do seu próprio benefício.

Mutualismo e Parasitismo

Mutualismo e Parasitismo

A humanidade vive em uma relação de Mutualismo constante. Isso quer dizer que dependemos uns dos outros para sobreviver. Seja emocionalmente, economicamente, profissionalmente, etc. No entanto, há algumas relações em que um dos indivíduos caracteriza-se por sugar a energia do outro. É quando ele se hospeda, se beneficia do que o indivíduo tem a oferecer e implicitamente, age como se ninguém notasse. Como se não fosse perceptível, acredita? Na biologia, conhecemos isso como Parasitismo. Nas relações humanas, chamamos de oportunismo ou popularmente, falta de vergonha na cara.

Para que uma sociedade funcione, devemos todos colaborar uns com os outros e nos ajudar. Com ajudar, quero dizer auxiliar. Mas isso não significa que deve-se explorar alguém ou permitir-se ser explorado. Ninguém tem direito de se aproveitar da sua boa vontade e nem você de utilizar-se da do outro. É uma via de mão dupla, não faça com os outros o que não quer que faça com você. Simples.

Contudo, nem todo mundo leva essa ação na prática. Nem todos conseguiram enxergar que o planeta não gira em torno de seus umbigos, portanto, não percebem que as suas obrigações e responsabilidades são só suas e não dos outros. Eles não tem a capacidade – ou não querem – de notar que não é dever dos seus amigos, da sua família, das pessoas do seu ciclo social, ter que assumir algo que lhe cabe. Porque há uma diferença gritante entre pedir ajuda porque não se consegue e se aproveitar da situação.

Não é missão sua ajudar todo mundo. Não é dever do outro assumir a responsabilidade que cabe a você. Não é amizade, não é namoro, não é saudável se alguém deposita em você o dever de ter que ajudá-la. Não é saudável se chega em um ponto que impede você de fazer o que te cabe.

É o que dizem;

Seja boa, mas não seja boba.

Vida: um comercial de margarina… ou não?

Vida: um comercial de margarina… ou não?

Dizem para termos esperança e acreditar nos nossos sonhos. E todas as novelas com finais bonitinhos, os jovens que estudam 12 horas por dia e aparecem na TV sendo chamados de heróis ou o texto motivador que muitas vezes te deu uma imagem romantizada, lhe dizendo que todo esforço terá sempre um resultado positivo. Isso tudo te ajudou a acreditar. Ou só a iludir? Afinal, a realidade é muito diferente do que lemos nos livros, vemos nos filmes e idealizamos para nós mesmos. Ela é cruel e ordinária.

Temos sonhos. Alguns querem uma TV de plasma, outros desejam formar uma família ou almejam o topo de sua carreira. Essa é a vida. Nem todo mundo tem sonhos grandes ou sonha alto, mas mesmo assim são sonhos. No entanto, as necessidades – ás vezes ou quase sempre – são maiores que um plano.  Um grande, pequeno ou médio plano. Em algumas situações vamos perceber que a imprescindibilidade de certas coisas acabam deixando a realização pessoal pra depois. E o sonho, o desejo de conquista, o fazer o que se ama, vai se esvaindo, assim como a sede de alcançar o universo.

É por isso que o faça o que você ama é como carregar um mundo. Ás vezes o que você ama não coloca comida no prato, não paga sua internet e nem metade da sua conta de celular. O que fazer quando o que você ama, na verdade parece distante de lhe oferecer uma vida instável? É essa a vida adulta. Adulto pensa nessas coisas. É isso o que é crescer. Crescer é perceber que os nossos sonhos são importantes, mas exigem muitos riscos que só valem a pena se você realmente ama o que pretende fazer.

Eles vão perguntar o que você quer ser quando crescer. Mas ei, não se iluda! Não irão lhe informar dos ônibus lotados que pegará as 5 da manhã, nem no pós-ensino médio que deixa todo mundo sem direção e muito menos dos “nãos” que você receberá. Ninguém vai te dizer, porque faz parte. Faz parte descobrir que a vida não é tão bonita assim, mas que é isso o que a fazer ser bonita. 

Ela não é um comercial de margarina, é só a vida. A vida em que pessoas desistem do que amam por necessidade, por precisar. A vida que ás vezes o seu esforço não vai ser o suficiente e você vai ter de tentar de novo – ou não. A vida em que vão querer ditar sua inteligência. A vida que tem decepções, que te machuca e te quebra. Mas é a vida.

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