Etiqueta: coragem

Você está na defensiva

Você está na defensiva

Quando ouvimos um tom de voz elevado, imediatamente gritamos para nos igualar. Subimos no caixote para sermos vistos ou tentamos impor o respeito através do medo. Todas essas ações são defesas do ser humano em diversos modos. No entanto, às vezes – no meu caso, quase sempre – nós atacamos de volta porque sentimos que precisamos nos defender, embora nem sempre haja essa necessidade.

A minha vida inteira eu fui atacada de forma pessoal, especialmente por conta da minha aparência. Vivi cercada de gente desagradável que fazia questão de me colocar para baixo, pessoas que possuíam o prazer de ver que eu me enxergava cada vez menor e conforme o tempo passava, me encolhia mais e mais dentro de mim mesma.

Isso me marcou de forma negativa, eu passei a olhar todos a minha volta como meus inimigos, como se eles pudessem me atacar a qualquer momento. Eu não consigo compreender a crítica ou a brincadeira inocente com uma parte minha que incomoda, de modo natural, já é uma característica minha que eu rebata como se fosse uma ofensa.

Por isso, sinto que estou sempre com o meu escudo, eu e a minha obrigação de sempre defender a mim mesma. Penso que pelo o fato de eu ter ficado muito tempo calada e nunca ter dito nada para as pessoas que me perseguiram na escola, o meio que escolhi para sobreviver é sempre disparar de volta, mesmo sabendo que talvez não valha a pena. Talvez eu tenha me silenciado tanto, que não consigo mais não falar ou não responder.

Estar sempre na defensiva é uma maneira que as pessoas acham de não se machucarem novamente, porque na maioria das vezes, elas já estão cansadas de sentir que precisam se defender.

Heróis e vilões

Heróis e vilões

Já testemunhei o pior lado do ser humano em diversos momentos de minha vida. Eu vi o ódio gratuito, o olhar pronto para ferir, o egoísmo exacerbado com a maldade sem noção do caos e o prazer de alguém que gosta de vivenciar a infelicidade alheia. Às vezes, pergunto-me como devem ser os sonos dessas pessoas, se são tempestuosos e escuros como suas almas ou se por acaso suas mentes estão tranquilas com o fato de arruinar vidas.

Não acreditava nessa ideologia maniqueísta que o mundo estabeleceu graças à histórias de heróis e vilões, nunca dando uma chance de haver um meio termo, no entanto, ao presenciar de perto tantas atrocidades, me questiono se não é verdade que algumas pessoas são simplesmente más e nada pode mudar isso. Na ficção há sempre o ex namorado ou a ex namorada que atrapalham o romance entre o casal principal e as novelas, livros e filmes, parecem seguir a mesma fórmula de sempre – provavelmente porque funciona. Mas e se, em uma retratação da própria vida real, mostrassem que os nossos vilões podem ser nós mesmos?

Somos nós mesmos que nos sabotamos, perdemos oportunidades – seja por orgulho ou imaturidade – partimos corações e fazemos as piores escolhas. É claro que acontece de ter pessoas que vão querer nos derrubar e semear o mal, mas e se em algum momento também fomos os vilões de alguma história? O fato, é que só porque alguém te causou mal, não significa que essa pessoa seja má, pode querer dizer que é um indivíduo bom que tomou decisões ruins. E nem sempre todo mundo é só uma coisa.

Tudo possui uma motivação, embora, na maioria das vezes, nem sempre justifica. Existem heróis e vilões, gente realmente ruim que espalha o mal por onde caminha, mas nem tudo é preto no branco. Eu costumava oscilar entre 8 ou 80, achar que ou somos algo ou somos nada, mas a verdade é que nas nossas histórias só não podemos aceitar os papeis de coadjuvantes, porque seria muita covardia deixar os caras maus escrevem por nós e os mocinhos ganharem a glória.

Nas ficções os mocinhos e mocinhas não cometem erros, são perfeitos, exemplos de caráter e bondade, mas em contrapartida, os vilões são os horríveis indivíduos que fazem de tudo para separar o casal. Com isso, coloca-se as pessoas em caixinhas e define-se que se for bonzinho, não pode ter raiva, não pode cometer erros ou simplesmente ter sentimentos negativos, como se o que definisse alguém ser bom ou ruim, fosse o fato de que qualquer coisa em seu coração é 100% pura e tal ser humano é incapaz de desejar, nem que em alguns momentos, que o faustão cale a boca dele e deixe os convidados falarem.

Por conseguinte, ficamos presos em um estigma de não poder ter emoções consideradas ruins, pois de alguma forma, parece que precisamos e temos que ser 100% felizes e não cometer erros. Então, se eu fosse me definir, diria que sou uma anti-heroína. Eu não sou perfeita, não sou completamente madura e nem sempre vou ter atitudes boas em relação a vida e seus desafios, tenho inveja, raiva, rancor, emfim… eu sou ser humano e estou bem longe de ser uma mocinha.

Portanto, apesar de pensar que há sim pessoas muito ruins, penso que nós todos somos anti-heróis e vilões, mas nunca mocinhos, pois todo mundo está bem longe de ser perfeito.

Expectativas irreais e idealismo

Expectativas irreais e idealismo

 Quando eu escrevo, tudo na minha mente fica em paz. Eu, que sempre procurei me encaixar em algum grupo, sinto que pertenço a algo maior quando estou escrevendo, como se tudo na minha vida fizesse sentido. Eu amo essa sensação e todo o conforto que me traz, no entanto, quando ela não funciona, as coisas em mim param de fazer nexo. Escrever não é a única coisa que eu sou boa, mas definitivamente é a única que me faz sentir que tenho um propósito. Porém, quando um texto não é bom ou algo que criei não me agrada, fico frustrada.

Afinal, se nem no que sou boa eu consigo ir bem, o que será de mim?

Eu me fiz esse questionamento 1 milhão de vezes, faço ele todos os dias, inclusive. Há vários textos e poesias aqui que se pudesse, deletava para sempre – aliás, eu já fiz isso com alguns. A questão é que ir bem não significa acertar todas as vezes. Muito do que postei não era bom e eu sei disso. Em algumas situações, senti inveja daquelas páginas gigantes e famosas que postam frases feitas e ganham centenas, até milhares de compartilhamentos.

Eu perguntava “por que não eu?” Eu deixava a insegurança me atingir e pensava que eu era a ignorada do mundo, a única que passava por isso. A minha ingenuidade me despertou para o meu egocentrismo exagerado e a minha falta de noção perante o mundo real.

Confesso que achei realmente que seria fácil ter um blog de sucesso, especialmente com os seguidores que conquistei no meu antigo, mas eu me enganei. Tudo o que vale a pena requer esforço, ninguém surge do nada e eu não serei a exceção. Contudo, não vou mentir, fiquei triste e pensei em parar, deletar tudo e dar ouvidos às pessoas que me disseram que não daria certo, mas se escrever é tudo o que amo, não posso desistir.

Uma forte descoberta a respeito de mim mesma – que me surpreendeu, tenho que dizer – é que eu tenho medo do caminho mais longo, não quero fazer nada do que eu não goste, só gosto das partes boas. Talvez isso deva soar um pouco mimado, não é? Talvez sim. Mas sabe, eu gosto de falar sobre os meus defeitos, assim, as pessoas não ficam com a ilusão de que não possuo consciência da existência deles.

Eu idealizo tudo, de fato. Algumas pessoas me chamam de otimista ou idealista, eu acho que só fico pulando de plano em plano para não ter que assumir que fracassei ou só para deixar pela a metade e dizer que já esperava que desse errado. Aquela letra da música da Vanessa da Mata nunca fez tanto sentido para mim,

eu realmente tenho expectativas irreais.

Nem sempre o que eu escrevo vai ser bom, a maioria provavelmente será mediana para mais ou menos, mas se nem que por 1 minuto eu tenha te tocado com algo que criei, já valeu a pena.

Monotonia

Monotonia

Os passarinhos estão piando, em sincronia, quase como
uma sinfonia
ao vivo
orquestrada pela a natureza.
Estou abrindo meus olhos,
constatando que falhei novamente.
Não deveria acordar tão tarde
mesmo nas férias.
O relógio está parado, acordo na mesma hora todo dia
e bebo refrigerante no almoço
escrevo coisas que nunca postarei
todo dia.

Sinto-me como se estivesse flutuando.
Eu não evoluí, continuei a mesma
meu cabelo não foi cortado
ainda não consegui dinheiro com a única coisa que sou boa.
Aparentemente, todo mundo anda para frente
e eu estou sendo puxada para trás
presa no tempo,
junto com quem eu era 2 anos atrás.
Com os mesmo problemas,
os mesmos dilemas
os mesmos traumas
e a mesma mania de dormir mal.
Hoje é como todo dia
e todos os dias são como hoje.

Pergunto-me se conseguirei achar uma porta
neste quarto escuro.
Pergunto-me se é só comigo que a vida não parece ter caminhado.
Pergunto-me se todo mundo sente, assim como eu,
que hoje foi como ontem.
Pergunto-me de que maneira acharei uma saída
se nem eu mesma acredito que ela exista?

Aniversário

Aniversário

tumblr_mtluvyxs1i1shxeyio1_500.jpg

Pipoca quentinha, o gosto de sal enquanto mastigo
O trenzinho com comida gordurosa de festa de criança
Tão boa a mini pizza
e a pipoquinha.
E a lista que a cada ano se reduzia.
Até estar em branco.

Recordo-me da alegria no amanhecer
e na tristeza quando o sol ia dormir.
Da solidão que se adentrava junto com a noite
e as passagens de tempo,
juntamente com a vida adulta.
A epifania mais dolorosa
foi perceber que a cada aniversário
mais cadeiras vazias eu tinha.

Na maioridade
o silêncio das bocas mastigando
eu olhando para longe
digitando em meu celular, desejando que alguém aparecesse.
Uma surpresa
um bolo
uma fugida dali.
Eu esperei
e ninguém veio.

No espelho eu me olho
mais velha, mais sábia, mais exausta.
Eu queria tanto ser adulta
e agora que sou
só gostaria de ser criança de novo,
Quando fazer aniversário significava
estar mais próxima de ser livre
mas agora que eu devia estar livre
me sinto mais presa do que nunca.

À medos.
À inseguranças.
À minha carreira.
E toda aquela liberdade era bem mais fácil
quando ela ainda não existia
e só se tratava de uma idealização
vinda de uma criança
que só sonhava em ser “grande”.

Eu quero fugir

Eu quero fugir

Eu quero fugir. Sentir os meus cabelos voarem, sem o peso de me importar se alguém vai ver ele bagunçado, me concentrar em escutar o silêncio, como uma melodia de uma música que me acalma e tira toda a angústia do meu peito. Eu quero fugir. Correr sem destino, respirar fundo sem a dor de me preocupar em me sentir culpada porque estou em paz, deitar na grama e olhar para o céu com um único pensamento despreocupado sobre as nuvens em forma de bichinhos. Eu quero fugir. Conseguir dormir bem sem acordar às 5 da manhã e passar o resto do dia cansada, não me sentir tão sufocada por tudo e por todos, esquecer, nem que por 10 minutos, todos os problemas que assombram meus pesadelos. Eu quero fugir. Com alguém, qualquer pessoa, a qualquer hora, para qualquer lugar. Eu só quero fugir e correr, correr e correr, até que meus pulmões não estejam mais cheios desse ar pesado que eu carrego. Eu quero fugir. Poder falar em voz alta o que eu sinto e nunca mais sentir medo de ser vulnerável, ter a coragem de usar qualquer roupa sem ficar com pavor de ser olhada e julgada, estar em segurança para me vestir como eu quiser e não esquentar se alguém vai tocar em mim sem que eu queira. Eu quero fugir. Eu quero fugir e nunca mais voltar. Fugir de toda essa pressão de ser perfeita e 100% madura. Fugir de tudo o que eu não aguento mais ter que suportar. Eu quero fugir.

Eu quero falar

Eu quero falar

Estou presa a tanto tempo!
Acorrentada por um fio invisível que eu sei que está aqui.
Com a minha boca tapada com uma fita isolante
que isola
o som da minha voz
e me impede de poder falar por mim.
Por esse motivo, outros estão falando em meu lugar.
Eu não quero mais isso.
Eu não gosto de não falar.
Eu quero falar.

Há marcas na minha pele,
feitas por pessoas que queriam me controlar
e dizer que eu as pertencia.
Como se o único motivo de eu existir, fosse para as agradar.
Eu tive que lutar por coisas que alguns já nasceram possuindo como um direito,
e eu me pergunto
como acham isso injusto?
Talvez
os que enchem-se de medo da isonomia,
na verdade
têm consciência do seu privilégio.
E deve doer demais saber
que o mundo não gira em torno de você.

Eu escolho.
Eu sei o que é melhor para mim.
Eu sou livre.
E se eu quiser me “prender’, vai ser por minha escolha.
Eu posso sonhar.
Eu posso me aventurar.
Eu não nasci para “servir” se eu não quiser.
Eu posso chefiar.

Não tem a ver com superioridade,
mas equidade.
Não tem como objetivo te tirar de onde você está,
e sim
te dizer
que você não tem de estar aí porque supostamente é sua obrigação
mas porque é sua escolha.

Eu quero falar
que eu não sou uma propriedade.
Eu quero falar
que eu não me visto para ninguém além de mim.
Eu quero falar
que eu não sou um prêmio, objeto ou seu entretenimento.
Eu quero falar
que eu não me importo se você não concorda.
Eu quero falar
que eu ter uma voz
não é um privilégio
mas um direito.
Eu quero falar
que jamais deixarei alguém
falar
por mim
de novo.

A força das águas

A força das águas

Um copo vazio é apenas uma superfície sem nenhum conteúdo.

Uma pessoa vazia é alguém se afogando em si mesma.

Nadar contra a corrente parece quase impossível diante da força das ondas, elas insistem em nos jogar para longe, onde não há borda.
Então nadamos, batemos as pernas, pegamos fôlego e tentamos resistir, mas nem sempre há um final feliz imediato.
Às vezes, a onda é tão devastadora que quase leva todo o nosso oxigênio. É pouca a chance de respirar, para tanta água de uma vez.

E é verdade…
em alguns momentos, não dá para dar conta.

Não é só uma questão de escolha, mas de saúde mental. O ser humano tem algo em comum com máquinas;

ele também entra em colapso.

Nesse quase desfalecimento, nada parece funcionar. Os movimentos ficam mais cansativos de se fazer, todas as coisas estão tão longe de ser alcançadas e a vida não dá sinais que vai lhe deixar caminhar, pelo o contrário, só aparenta que vai te jogar mais para tras.

O problema é que para ser forte, é preciso ter essa força.

Não é sobre capacidade, mas sim limite.

O quanto você pode aguentar?

Ninguém tem que ser inabalável.

Tudo bem chorar,

lava a alma de dentro para fora.

E acho que nossas almas estão tão pesadas, que necessitam de uma limpeza.

Porque é verdade quando dizem que

não tem nada de errado em não estar bem,
tem algo errôneo em fingir que está bem de forma tão convencente,
que até você mesmo passa a acreditar nisso.

2017

2017

2017.
Ano ímpar. Tenho más experiências com anos ímpares. Em 2015, quase fui reprovada em física. Em 2011, minha cantora favorita entrou na reabilitação. Em 2013, eu passei pelo o pior momento da minha vida. Em 2017, eu perdi muita gente e precisei amadurecer a força.

Não foi um ano fácil, nem mesmo para quem está rico, viajando pelo o Caribe e desfrutando de coisas boas. Não foi um ano simples porque, de alguma forma, mesmo que você esteja feliz, o mundo afundou em atrocidades, barbaridades e ódio. É impossível não absorver tudo em volta ou não ser afetado pelo o que se está consumindo.

Enquanto estamos tendo nossos momentos felizes, há pessoas que nem esses momentos possuem, nem paz elas tem. E às vezes nos concentramos tanto em nós mesmos, que nem reparamos no que está a nossa volta. A pobreza, a fome, a infelicidade, a desigualdade, a crueldade…

2017 nos forçou mudanças goela a abaixo. Algumas boas, outras péssimas. E nos fez enxergar também, ainda que contra nossa vontade. Nossos olhos se acostumaram tanto com coisas ruins, como derramamento de sangue, gente matando, gente roubando, que quando acontecia algo bom, ninguém realmente ligava.

É muita maldade em meio ao que parece uma faísca de esperança e, sinceramente, nem mesmo o mais otimista consegue ver uma luz.

2018 não será fácil, pois é apenas uma mudança simbólica, nada vai magicamente se transformar, depende de cada um de nós mudar as coisas. Depende de todo mundo pensar no coletivo e não só em si mesmo, no que beneficia primeiro seu eu.
O que houve é que 2017 foi a representação do pior lado do ser humano
que é quando ele decide esquecer qualquer um que o cerca
e viver em busca do seu próprio benefício.

Vomitando borboletas

Vomitando borboletas

Como escrever sobre amor, se você nunca sentiu o calor arder em seu peito ou o fogo queimar, juntamente com as borboletas em seu estômago?

Talvez eu prefira vomitá-las.

Talvez eu não queira abrir a porta, já que fui muitas vezes deixada do lado de fora. Embora, mais do que isso, minha preocupação é ficar vulnerável o suficiente e me tornar transparente, dando as armas para que alguém me destrua.

Vai ver, é preguiça. Todo esse ritual de conhecer, convencer, jogar, fingir para o outro o desinteressar, as conversas repetidas e os mesmos flertes de sempre. Ficou chato. Ou talvez eu seja a chata. Ou eu só tenha achado chatos até agora. Ou tudo isso junto.

 É trabalhoso se esforçar, abrir sua caixa de traumas e entregar para alguém, esperando que abra e receber de volta com o lacre e papelão intactos. A verdade é que as pessoas não querem bagagem, mas sabe…

eu sou uma malaria inteira.

Eu sou o problema, a ferida, a cicatriz, o nó no estômago que nunca desata. Por isso, constato que seja menos complexo afastar quem se aproxima ou me afastar de quem conseguiu uma certa proximidade, porque é muita bagagem pra pouca carga. É muita gente vazia juntando com gente vazia.

Vocês já ouviram dizer que 0+0 continua sendo 0?

 Eu não achei ele ainda. E se você não achou ele, ela ou quem for, não tem problema. Enquanto isso, continuamos escrevendo versos e cantando músicas de amor que nunca vivemos.

%d bloggers like this: