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Por que queremos consertar todo mundo?

Por que queremos consertar todo mundo?

Nos romances adolescentes – ou young adults, para quem está familiarizado com o mundo da leitura atual – eles estão em todos os lugares… os vulneráveis, porém casca grossas, os sensíveis, mas só com as garotas que gostam, os que geralmente usam jaqueta de couro e pilotam uma moto. Se você ainda não adivinhou, lhe apresento os bad boys, a estereotipização do ser humano que precisa ser salvo.

O amor muda as pessoas, nós ouvimos desde sempre.

Esse pensamento deu munição para a construção de moldes perfeitos para cada um, já que ao escutarmos que as pessoas mudam por estarem amando, acabamos por querer moldar os outros usando o amor como desculpa.

De fato, as pessoas realmente se modificam, mas não deveria ser por alguém, só por si mesmas.

Às vezes, nos adaptamos aos outros pensando que é o nosso dever fazer eles se sentirem confortáveis, ainda que isso signifique NOS deixar desconfortáveis.

Podemos consertar objetos com cola, pregos ou fita, mas isso não se aplica aos seres humanos, pois ninguém aqui está quebrado. Se você me diz que amar é aceitar o outro com os seus defeitos, qualidades e crescer com o relacionamento, amadurecendo como ser humano, eu concordo. Todavia, se você constantemente quer moldar alguém para se encaixar no seu conceito de perfeição, te digo que você não ama essa pessoa de verdade.

É quase – ou totalmente – como uma arrogância pensar que você, entre bilhões de pessoas, possui o poder de “guiar” alguém para o que acha ser o caminho certo. Talvez seja um sinal de que se quer tanto “salvar alguém”, pode significar que a única pessoa que precisa de salvação seja você mesma.

10 coisas aos 19 anos

10 coisas aos 19 anos

1. As pessoas vão te cobrar uma maturidade que talvez você ainda não tenha.

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“eu não quero crescer”

2. Não é a escola em si que faz falta, mas sim a sensação de ter tudo definido para você, sem que tenha que se preocupar.

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fugindo da responsabilidade

3. Os amigos da escola não são para sempre.

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“Ela não é mais uma parte da minha vida. Talvez isso seja uma coisa boa”

4. É difícil fazer amizades conforme vamos crescendo.

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“Eu não tenho nenhum amigo”

5. Você começa a sentir medo de ser infantil demais.

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6. A primeira vez no banco é horrível e todo mundo espera que você saiba o que fazer.

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Confissão: Eu não sei o que estou fazendo

7. Haverá uma pressão para ser bem sucedido em tudo o que faz, como se qualquer coisa que fizer fosse definir sua vida.

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“Eu não posso, eu não posso fazer isso. Não posso”

8. Todo mundo vai começar a perguntar sobre faculdade e vestibular, isso é costumeiro.

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9. Se não passar no vestibular, vai te dar um pânico sobre o que fazer da sua vida depois disso.

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“Eu nunca sou bom ou boa o suficiente. Não importa o que eu diga ou faça”

10. Ver seus colegas de escola seguindo a vida e ter a sensação que nada na sua vida mudou.

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“A vida continua seguindo/passando e eu estou presa/preso aqui”

extra: 11: o medo da casa dos 20 é real, você realmente se sente velho (a)

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O que você aprendeu nos seus 19 anos? Caso se sinta confortável, compartilhe conosco.

                                                                Obrigada por ler isto.

Volte sempre.

Aniversário

Aniversário

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Pipoca quentinha, o gosto de sal enquanto mastigo
O trenzinho com comida gordurosa de festa de criança
Tão boa a mini pizza
e a pipoquinha.
E a lista que a cada ano se reduzia.
Até estar em branco.

Recordo-me da alegria no amanhecer
e na tristeza quando o sol ia dormir.
Da solidão que se adentrava junto com a noite
e as passagens de tempo,
juntamente com a vida adulta.
A epifania mais dolorosa
foi perceber que a cada aniversário
mais cadeiras vazias eu tinha.

Na maioridade
o silêncio das bocas mastigando
eu olhando para longe
digitando em meu celular, desejando que alguém aparecesse.
Uma surpresa
um bolo
uma fugida dali.
Eu esperei
e ninguém veio.

No espelho eu me olho
mais velha, mais sábia, mais exausta.
Eu queria tanto ser adulta
e agora que sou
só gostaria de ser criança de novo,
Quando fazer aniversário significava
estar mais próxima de ser livre
mas agora que eu devia estar livre
me sinto mais presa do que nunca.

À medos.
À inseguranças.
À minha carreira.
E toda aquela liberdade era bem mais fácil
quando ela ainda não existia
e só se tratava de uma idealização
vinda de uma criança
que só sonhava em ser “grande”.

Régua da felicidade

Régua da felicidade

Por favor,
abaixe sua régua
e pare de medir minha felicidade
de acordo com o que acha
que é
melhor para mim
baseado no que é melhor para você.

Eu não estou procurando por opinião
ou amor
ou filhos
ou casamento.
Eu quero a liberdade
de por enquanto
poder pensar apenas em mim
e no meu propósito de existir.

Eu não vou cometer o mesmo erro
de colocar alguém no mundo
sem saber o meu lugar nele
ou não tendo realizações
para contar.

Eu não sou a miss simpatia
nem a luz que irradia em um cômodo escuro.
Eu sou uma poeta
uma introvertida
um castelo, uma fortaleza
uma jovem com medo
mas com vontade de fazer alguma coisa
que o mundo se lembre.

Eu não estou interessada
nas suas medidas
de felicidade.
Eu prefiro criar as minhas.

 

 

2017

2017

2017.
Ano ímpar. Tenho más experiências com anos ímpares. Em 2015, quase fui reprovada em física. Em 2011, minha cantora favorita entrou na reabilitação. Em 2013, eu passei pelo o pior momento da minha vida. Em 2017, eu perdi muita gente e precisei amadurecer a força.

Não foi um ano fácil, nem mesmo para quem está rico, viajando pelo o Caribe e desfrutando de coisas boas. Não foi um ano simples porque, de alguma forma, mesmo que você esteja feliz, o mundo afundou em atrocidades, barbaridades e ódio. É impossível não absorver tudo em volta ou não ser afetado pelo o que se está consumindo.

Enquanto estamos tendo nossos momentos felizes, há pessoas que nem esses momentos possuem, nem paz elas tem. E às vezes nos concentramos tanto em nós mesmos, que nem reparamos no que está a nossa volta. A pobreza, a fome, a infelicidade, a desigualdade, a crueldade…

2017 nos forçou mudanças goela a abaixo. Algumas boas, outras péssimas. E nos fez enxergar também, ainda que contra nossa vontade. Nossos olhos se acostumaram tanto com coisas ruins, como derramamento de sangue, gente matando, gente roubando, que quando acontecia algo bom, ninguém realmente ligava.

É muita maldade em meio ao que parece uma faísca de esperança e, sinceramente, nem mesmo o mais otimista consegue ver uma luz.

2018 não será fácil, pois é apenas uma mudança simbólica, nada vai magicamente se transformar, depende de cada um de nós mudar as coisas. Depende de todo mundo pensar no coletivo e não só em si mesmo, no que beneficia primeiro seu eu.
O que houve é que 2017 foi a representação do pior lado do ser humano
que é quando ele decide esquecer qualquer um que o cerca
e viver em busca do seu próprio benefício.

Medo de crescer

Medo de crescer

Achei que não sentiria falta do Ensino Médio.

Estava certa, pois não sinto. O que me faz falta mesmo é a rotina, as coisas definidas e prontas para que eu apenas realizasse.

Havia uma prova com o conteúdo tal, trabalho com o aquele tema lá e tudo o que eu precisava é fazê-los e me ver livre.

No entanto, a partir do momento em que me formei na escola, as coisas ficaram sobre o meu controle e é óbvio que eu não sabia o que fazer, afinal, a vida inteira sempre houve um planejamento para mim e de repente, BUM,

estou por contra própria.

É assustador.

Eu diria apavorante.

Logo eu, que sempre quis crescer, ser independente, não sei o que fazer quando finalmente atingi esse ponto.

Eu sinto falta da rotina, dos acontecimentos que me pareciam o fim do mundo naquela época, mas que hoje sei que não são nada.

Sinto falta da sensação de poder fingir que eu não era uma adulta. De por um momento, ter a permissão para ser uma criança.

Eu tenho medo de crescer,

mas quem não tem?

Ser adulto é…

Ser adulto é…

Dos muitos churrascos dos quais aconteceram em minha casa, no grande quintal com utensílios e pia para eventos, em praticamente 100% deles, repetia-se um ciclo:

Eu ficava sentada, com os meus ossos doloridos por conta das cadeiras ruins, tomava refrigerante e ouvia os adultos falarem da vida uns dos outros. Logo depois, os mesmos que falavam mal abraçavam-se e beijavam-se as bochechas. 

De épocas em épocas, surgiam perguntas sobre meu futuro, minha personalidade, meu jeito.  Aos 15 anos, o tópico do momento era “Quando vai arranjar um namorado?”. É aquela coisa chata das pessoas quererem que você siga um padrão para fazê-las se sentirem menos piores com suas vidas medíocres.

A vida tem daquelas pessoas que vão te dizer que quando você cresce fica mais maduro, porém, convivendo com grande maioria de adultos e pessoas de idade – tendo em vista que meu bairro é feito praticamente de idosos-, durante toda a minha existência, constatei que quanto mais o tempo passa, mais sensibilidade ele lhe toma.

Quando se é jovem você sonha, porque não existe limite do certo e do errado, do possível e impossível. Não temos noção nenhuma do quanto a vida é cruel e de como o mundo nos derruba de forma que, muitas vezes, demoramos a levantar. Queremos viver e batemos de frente com os obstáculos que tentarão nos parar e desistir das nossas ideologias.

Ser adulto é perder aquela capacidade de sonhar, de imaginar, de não ter medo de ser ridículo. Eles estão preocupados demais em fazer com que você desista da sua vida, assim como eles desistiram das deles, pois, só assim, se sentirão melhores por não estarem sozinhos em suas existências sem propósito.

Falam que as crianças são cruéis. É verdade? Sim, mas lembre-se que todo indivíduo em formação é reflexo do que enxerga, do que vive, do que escuta. Portanto, crianças são pequenos adultos, as cópias de seus pais.

Eu aprendi muito sobre ser adulto, mas principalmente, constatei que não quero ser uma adulta. Não quero ser como eles, de mundo pequeno, de mente fechada, de língua afiada. Sou livre, quero igualdade e não me incomodo com a felicidade dos outros.

Não sou uma adulta, sou uma jovem que luta para não ser amanhã o que esses adultos são hoje.

Aos 18 anos (parte 1)

Aos 18 anos (parte 1)

Aos 18 anos, mesmo não bebendo, queria falar para todos que eu podia beber se quisesse.

Aos 18 anos, já não era mais divertido fazer aniversário.

Aos 18 anos, eu não sabia se era adulta ou uma adolescente

Aos 18 anos, eu era madura o suficiente mas criança demais para ser tão madura assim.

Aos 18 anos, eu só queria que meus pais marcassem consultas médicas para mim de novo.

Aos 18 anos, eu aprendi que adulto não chora.

Aos 18 anos, eu passei a não falar alto que queria matar alguém (no sentido figurado)

Aos 18 anos, eu comecei a me achar velha perto de pré-adolescentes

Aos 18 anos, eu perguntava-me constantemente o que muda em um espaço de 1 dígito.

Aos 18 anos, eu só queria voltar a ter 5 para andar no pula-pula de novo.

Aos 18 anos, o vestibular foi o motivo dos meus pesadelos 7 dias por semana.

Aos 18 anos, eu só não queria ter 18 anos.

Vomitando borboletas

Vomitando borboletas

Como escrever sobre amor, se você nunca sentiu o calor arder em seu peito ou o fogo queimar, juntamente com as borboletas em seu estômago?

Talvez eu prefira vomitá-las.

Talvez eu não queira abrir a porta, já que fui muitas vezes deixada do lado de fora. Embora, mais do que isso, minha preocupação é ficar vulnerável o suficiente e me tornar transparente, dando as armas para que alguém me destrua.

Vai ver, é preguiça. Todo esse ritual de conhecer, convencer, jogar, fingir para o outro o desinteressar, as conversas repetidas e os mesmos flertes de sempre. Ficou chato. Ou talvez eu seja a chata. Ou eu só tenha achado chatos até agora. Ou tudo isso junto.

 É trabalhoso se esforçar, abrir sua caixa de traumas e entregar para alguém, esperando que abra e receber de volta com o lacre e papelão intactos. A verdade é que as pessoas não querem bagagem, mas sabe…

eu sou uma malaria inteira.

Eu sou o problema, a ferida, a cicatriz, o nó no estômago que nunca desata. Por isso, constato que seja menos complexo afastar quem se aproxima ou me afastar de quem conseguiu uma certa proximidade, porque é muita bagagem pra pouca carga. É muita gente vazia juntando com gente vazia.

Vocês já ouviram dizer que 0+0 continua sendo 0?

 Eu não achei ele ainda. E se você não achou ele, ela ou quem for, não tem problema. Enquanto isso, continuamos escrevendo versos e cantando músicas de amor que nunca vivemos.

Maturidade

Maturidade

Maturidade.
Falar um tom mais baixo,
quando o outro insiste em gritar.
Assumir sua responsabilidade
mesmo que seja mais fácil ter quem culpar.
Pedir desculpas
ainda que não haja garantia de perdão.

Perdoar aqueles que te machucam.
Aprender a sair da sua bolha e ouvir outra opinião.
Doar-se pra alguém independente da dor passada.
Usar a honestidade, mesmo que ela não te beneficie.

Melhor a verdade cruel do que uma mentira doce mal contada.
Maturidade.
Seguir em frente com o ego ferido.
E aprender a se sacrificar para alcançar o impossível, que é possível.
Saber que a tristeza é necessária
E que a palavra não consigo é só pra quem tentou demais,
não pra quem tem medo do fracasso.

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