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Heróis e vilões

Heróis e vilões

Já testemunhei o pior lado do ser humano em diversos momentos de minha vida. Eu vi o ódio gratuito, o olhar pronto para ferir, o egoísmo exacerbado com a maldade sem noção do caos e o prazer de alguém que gosta de vivenciar a infelicidade alheia. Às vezes, pergunto-me como devem ser os sonos dessas pessoas, se são tempestuosos e escuros como suas almas ou se por acaso suas mentes estão tranquilas com o fato de arruinar vidas.

Não acreditava nessa ideologia maniqueísta que o mundo estabeleceu graças à histórias de heróis e vilões, nunca dando uma chance de haver um meio termo, no entanto, ao presenciar de perto tantas atrocidades, me questiono se não é verdade que algumas pessoas são simplesmente más e nada pode mudar isso. Na ficção há sempre o ex namorado ou a ex namorada que atrapalham o romance entre o casal principal e as novelas, livros e filmes, parecem seguir a mesma fórmula de sempre – provavelmente porque funciona. Mas e se, em uma retratação da própria vida real, mostrassem que os nossos vilões podem ser nós mesmos?

Somos nós mesmos que nos sabotamos, perdemos oportunidades – seja por orgulho ou imaturidade – partimos corações e fazemos as piores escolhas. É claro que acontece de ter pessoas que vão querer nos derrubar e semear o mal, mas e se em algum momento também fomos os vilões de alguma história? O fato, é que só porque alguém te causou mal, não significa que essa pessoa seja má, pode querer dizer que é um indivíduo bom que tomou decisões ruins. E nem sempre todo mundo é só uma coisa.

Tudo possui uma motivação, embora, na maioria das vezes, nem sempre justifica. Existem heróis e vilões, gente realmente ruim que espalha o mal por onde caminha, mas nem tudo é preto no branco. Eu costumava oscilar entre 8 ou 80, achar que ou somos algo ou somos nada, mas a verdade é que nas nossas histórias só não podemos aceitar os papeis de coadjuvantes, porque seria muita covardia deixar os caras maus escrevem por nós e os mocinhos ganharem a glória.

Nas ficções os mocinhos e mocinhas não cometem erros, são perfeitos, exemplos de caráter e bondade, mas em contrapartida, os vilões são os horríveis indivíduos que fazem de tudo para separar o casal. Com isso, coloca-se as pessoas em caixinhas e define-se que se for bonzinho, não pode ter raiva, não pode cometer erros ou simplesmente ter sentimentos negativos, como se o que definisse alguém ser bom ou ruim, fosse o fato de que qualquer coisa em seu coração é 100% pura e tal ser humano é incapaz de desejar, nem que em alguns momentos, que o faustão cale a boca dele e deixe os convidados falarem.

Por conseguinte, ficamos presos em um estigma de não poder ter emoções consideradas ruins, pois de alguma forma, parece que precisamos e temos que ser 100% felizes e não cometer erros. Então, se eu fosse me definir, diria que sou uma anti-heroína. Eu não sou perfeita, não sou completamente madura e nem sempre vou ter atitudes boas em relação a vida e seus desafios, tenho inveja, raiva, rancor, emfim… eu sou ser humano e estou bem longe de ser uma mocinha.

Portanto, apesar de pensar que há sim pessoas muito ruins, penso que nós todos somos anti-heróis e vilões, mas nunca mocinhos, pois todo mundo está bem longe de ser perfeito.

Aniversário

Aniversário

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Pipoca quentinha, o gosto de sal enquanto mastigo
O trenzinho com comida gordurosa de festa de criança
Tão boa a mini pizza
e a pipoquinha.
E a lista que a cada ano se reduzia.
Até estar em branco.

Recordo-me da alegria no amanhecer
e na tristeza quando o sol ia dormir.
Da solidão que se adentrava junto com a noite
e as passagens de tempo,
juntamente com a vida adulta.
A epifania mais dolorosa
foi perceber que a cada aniversário
mais cadeiras vazias eu tinha.

Na maioridade
o silêncio das bocas mastigando
eu olhando para longe
digitando em meu celular, desejando que alguém aparecesse.
Uma surpresa
um bolo
uma fugida dali.
Eu esperei
e ninguém veio.

No espelho eu me olho
mais velha, mais sábia, mais exausta.
Eu queria tanto ser adulta
e agora que sou
só gostaria de ser criança de novo,
Quando fazer aniversário significava
estar mais próxima de ser livre
mas agora que eu devia estar livre
me sinto mais presa do que nunca.

À medos.
À inseguranças.
À minha carreira.
E toda aquela liberdade era bem mais fácil
quando ela ainda não existia
e só se tratava de uma idealização
vinda de uma criança
que só sonhava em ser “grande”.

O eu te amo mais difícil de todos

O eu te amo mais difícil de todos

Há uma ferida em minha pele. Um desconforto, um embaraço sobre mim mesma. Eu quero puxar e arrancar cada centímetro de mim. Todas as arestas, cantos e imperfeições. Toda essa camada de constrangimento que me reveste…

Eu gostaria de tirar tudo isso de mim.

Não só a aparência, os detalhes de meu nariz, a minha genética com olhos muito apertados. Estou falando de todo esse desgosto por minha existência.

Eu me vejo através do olhar dos outros, em uma caixa de vidro, usando uma lupa, analisando cada um dos detalhes que mais odeio e que me fazem ser quem sou.

Em outras palavras, eu não consigo parar de me odiar.

Recordo-me, embora seja uma dolorida lembrança, de quando passava com a cabeça abaixada pelo o espelho ao lado da porta de saída/entrada da escola. Tinha dor no meu coração, em meu corpo, braços e pés. Mal conseguia me manter firme. Não era capaz de parar de me evitar, de desviar dos meus próprios olhos. Eu não podia me encarar e enxergar o quanto desprezo possuía por mim. Eu queria muito, muito me amar. Tanto, que até doía.

Algumas vezes eu tento escrever isso em palavras, versos, poemas, haicais… eu tento, no entanto, me parece inútil. Às vezes, nada consegue traduzir a falta de amor que paira no ar em que respiro. Por mim mesma. Pelo o jeito que ando. Pelo o meu cabelo sem formato. Pelo a forma como eu sinto. Por tudo o que poderia ser e não sou ou por tudo o que queria ser e nunca serei.

Todo dia é uma luta. Para sair de casa, para encarar pessoas, para não me sentir julgada por todo mundo…
para viver.

Eu vejo nos olhos das pessoas. Feia. Horrorosa.

Muitos não tem noção de que só um olhar diz tudo e eu sei, em toda a minha vivência, o quanto uma palavra pode destruir alguém. Todavia, não é sobre o que dizem, mas o que não dizem. O inseguro se torna mais inseguro ainda quando lhe dão a certeza que não é merecedor (a).

Ele nunca ficaria com você.

Olhe para você.

Você não pode estar escolhendo, né?

Palavras. Palavras. Fotos do instagram. Propagandas. Padrões.

Tem tanta coisa que eu podia dizer que me afeta, mas será que você ia me entender?

Será que pararia para pensar que a frase que saiu da sua boca, ainda que sem intenção nenhuma, pode ter me destruído?

Esqueça o seu namorado ou namorado. Esqueça seus pais.

Este é o eu te amo mais difícil que dirá.

O para você mesma (o).

Pra você vestibulando

Pra você vestibulando

Eu não sou um número. Eu não sou uma nota. Eu não sou uma questão certa e muito menos uma errada. Eu não sou o concorrente de ninguém, porque o meu único adversário sou eu mesmo. O meu futuro sou eu quem faço e não importa o que acontecer nesses 2 dias, naqueles 2 dias ou em outros dias, tenho que ter a consciência que posso e sou capaz de qualquer coisa. Posso se eu querer e tentar fazer. Sei que pode ser injusto, desigual, medido em uma meritocracia que não existe, mas é um mal que necessito. É um mal que me julga por coisas que não definem se serei bom profissional, mas é o que eu tenho. E o pior disso tudo é que tem gente que nem pode ter. Gente que nem pensa nessa possibilidade ou a considera, porque disseram que não tinham chance nenhuma. Mas tenho sorte, nós temos sorte; Temos alguém que acredita no nosso potencial, uma pessoa que investe no futuro em que podemos chegar a ter. E mesmo que esse alguém seja eu, pelo menos há alguém.

Quando eu chegar lá não vou pensar no que não sei, no que deveria ter estudado e não consegui, porque estava exausto e esgotado. Não irei me cobrar e me condenar se não acertar uma coisa que eu sabia, porque tenho conhecimento da minha capacidade. Não irei dar ouvidos à pessoas que me dizem e condenam-me por ter ou não ido bem, porque só eu sei do meu esforço, do que posso fazer e das minhas dificuldades. Afinal, a vida não acaba porque nós falhamos, pelo o contrário. Quando falhamos é só a vida dando uma oportunidade de fazer diferente.

Mutualismo e Parasitismo

Mutualismo e Parasitismo

A humanidade vive em uma relação de Mutualismo constante. Isso quer dizer que dependemos uns dos outros para sobreviver. Seja emocionalmente, economicamente, profissionalmente, etc. No entanto, há algumas relações em que um dos indivíduos caracteriza-se por sugar a energia do outro. É quando ele se hospeda, se beneficia do que o indivíduo tem a oferecer e implicitamente, age como se ninguém notasse. Como se não fosse perceptível, acredita? Na biologia, conhecemos isso como Parasitismo. Nas relações humanas, chamamos de oportunismo ou popularmente, falta de vergonha na cara.

Para que uma sociedade funcione, devemos todos colaborar uns com os outros e nos ajudar. Com ajudar, quero dizer auxiliar. Mas isso não significa que deve-se explorar alguém ou permitir-se ser explorado. Ninguém tem direito de se aproveitar da sua boa vontade e nem você de utilizar-se da do outro. É uma via de mão dupla, não faça com os outros o que não quer que faça com você. Simples.

Contudo, nem todo mundo leva essa ação na prática. Nem todos conseguiram enxergar que o planeta não gira em torno de seus umbigos, portanto, não percebem que as suas obrigações e responsabilidades são só suas e não dos outros. Eles não tem a capacidade – ou não querem – de notar que não é dever dos seus amigos, da sua família, das pessoas do seu ciclo social, ter que assumir algo que lhe cabe. Porque há uma diferença gritante entre pedir ajuda porque não se consegue e se aproveitar da situação.

Não é missão sua ajudar todo mundo. Não é dever do outro assumir a responsabilidade que cabe a você. Não é amizade, não é namoro, não é saudável se alguém deposita em você o dever de ter que ajudá-la. Não é saudável se chega em um ponto que impede você de fazer o que te cabe.

É o que dizem;

Seja boa, mas não seja boba.

Vai lá e passa

Vai lá e passa

Uma linha que decide o futuro inteiro. Linha reta, quase um ângulo de 90º graus. É simples, eles te dizem. E não há tempo para duvidar, deve-se querer. Quem não quer? É a entrada para o mundo adulto e saída do universo da liberdade. Prende-se a alma e a vende para alguém que vai explorar o que você sabe fazer ou que você precisa fazer pra sobreviver. Essa é a vida. É o sistema.
Mas bem… antes de chegar aqui pega aqueles livros, as tabelas, os poemas. Analisa, decodifica, decora as casas IA e IIA. Não esquece dos gases nobres, os que já estão instáveis! Na redação, diga o que eles querem ouvir. Deem soluções que você sabe que o governo nunca fará ou que são politicamente corretas. Dê sua alma e seu dinheiro para pessoas que não vão se importar se você estiver aqui ano que vem ,- novamente -, porque tudo o que fazem é comercializar seu sonho.
Sonho ou imposição? Será que é mesmo o que todos querem? Ou é necessário… um mal necessário?
E eles gritam, reclamam, dizem à você para se dedicar mais. Mais?!

Perde-se os amigos, os filmes no cinema, os shows e a season finale da série que ao vivo é mais emocionante. Perde-se 11 meses e energia o suficiente para não ter mais sanidade. Saúde emocional nota zero, disposição e sono em dia nota 0, média final nota 1000. E tudo bem, né? Isso que importa no final de tudo.

Revisa, revisa, revisa, boceja, reclama, revisa, revisa, cai de sono, fica de saco cheio, para e ouve reclamarem. Vai revisar!

E é simples assim. Talvez você esteja lá ano que vem, mas é só fazer tudo de novo, eles dizem. Dessa vez vai.

É só isso, meu filho.

 

Vai lá e passa.

 

 

 

 

 

 

O que esperam de mim

O que esperam de mim

Diariamente, “ouço” conselhos, comentários e sugestões. Algumas dessas palavras atravessam meus ouvidos e nem ao menos as absorvo. São coisas demais que eu deveria mudar e não posso. Ou não quero. Mas o ser humano é assim, sempre dando palpite e achando que sabe o que é o melhor para o outro. Acho que você deveria emagrecer um pouco, deveria estudar mais, arranjar um namorado, sair mais, falar mais com as pessoas. Você deveria, poderia, deveria, deveria, deveria…

Isso, vindo de gente que acha que te conhece, que pensa que sabe de tudo e pode decidir o que é mais certo pra SUA vida.

Porque as pessoas esperam algo de nós. Eles esperam entrar no facebook e ver você fora de forma, distante do padrão insensível que a sociedade coloca. Esperam lhe ver mal, pior do que eles. No fundo, isso faz todo mundo se sentir melhor consigo mesmo, porque pelo menos eu tô melhor que fulano.

Esperam que uma mulher seja mãe, case, saiba cozinhar. Ela só será feliz e completa quando ter o grande amor da sua vida e cumprir sua missão biológica.  Esperam que os estudantes de 17 anos decidam suas vidas, estejam prontos para o mundo e sejam maduros. Esperam que idosos não façam mais nada, não se divirtam, não mexam em celulares, não tenham energia. Esperam que sejamos certinhos e se surpreendem quando descobrem que, bem, nós cometemos erros.

Expectativas são colocadas em nós de forma injusta e cruel. E muitas vezes, isso vêm de pessoas que dão palpite demais e acabam esquecendo-se de viverem SUAS vidas. Mas não se dão conta de que somos nós quem estamos no volante, no controle de tudo.

Por isso, o que eles esperam é problema deles.

Vida: um comercial de margarina… ou não?

Vida: um comercial de margarina… ou não?

Dizem para termos esperança e acreditar nos nossos sonhos. E todas as novelas com finais bonitinhos, os jovens que estudam 12 horas por dia e aparecem na TV sendo chamados de heróis ou o texto motivador que muitas vezes te deu uma imagem romantizada, lhe dizendo que todo esforço terá sempre um resultado positivo. Isso tudo te ajudou a acreditar. Ou só a iludir? Afinal, a realidade é muito diferente do que lemos nos livros, vemos nos filmes e idealizamos para nós mesmos. Ela é cruel e ordinária.

Temos sonhos. Alguns querem uma TV de plasma, outros desejam formar uma família ou almejam o topo de sua carreira. Essa é a vida. Nem todo mundo tem sonhos grandes ou sonha alto, mas mesmo assim são sonhos. No entanto, as necessidades – ás vezes ou quase sempre – são maiores que um plano.  Um grande, pequeno ou médio plano. Em algumas situações vamos perceber que a imprescindibilidade de certas coisas acabam deixando a realização pessoal pra depois. E o sonho, o desejo de conquista, o fazer o que se ama, vai se esvaindo, assim como a sede de alcançar o universo.

É por isso que o faça o que você ama é como carregar um mundo. Ás vezes o que você ama não coloca comida no prato, não paga sua internet e nem metade da sua conta de celular. O que fazer quando o que você ama, na verdade parece distante de lhe oferecer uma vida instável? É essa a vida adulta. Adulto pensa nessas coisas. É isso o que é crescer. Crescer é perceber que os nossos sonhos são importantes, mas exigem muitos riscos que só valem a pena se você realmente ama o que pretende fazer.

Eles vão perguntar o que você quer ser quando crescer. Mas ei, não se iluda! Não irão lhe informar dos ônibus lotados que pegará as 5 da manhã, nem no pós-ensino médio que deixa todo mundo sem direção e muito menos dos “nãos” que você receberá. Ninguém vai te dizer, porque faz parte. Faz parte descobrir que a vida não é tão bonita assim, mas que é isso o que a fazer ser bonita. 

Ela não é um comercial de margarina, é só a vida. A vida em que pessoas desistem do que amam por necessidade, por precisar. A vida que ás vezes o seu esforço não vai ser o suficiente e você vai ter de tentar de novo – ou não. A vida em que vão querer ditar sua inteligência. A vida que tem decepções, que te machuca e te quebra. Mas é a vida.

Murinho do egoísmo

Murinho do egoísmo

Construímos muros ao redor de outras pessoas e fazemos delas o nosso centro. O problema de erguer algo em volta de alguém é não ter a chave para entrar, enquanto de forma espontânea, damos a nossa chave para que as pessoas utilizem quando quiserem ou precisarem. É a mania de sempre ser quem ajuda mas nunca ter quem nos ajude. É exatamente por isso que devemos alocar os tijolos e construir o nosso muro do egoísmo, colocando-nos como prioridade de determinadas situações.

Ajudar alguém não é prejudicar a si mesmo para que isso aconteça, o nome disso é auto-sabotagem. Dizer não é necessário e se o indivíduo em questão não entender, coloque como bem-vindo a cair fora. Tente não realizar ações para se julgar caridoso, bondoso, prestativo, mas em função de algo maior, uma coisa que vai muito além do seu próprio ego e satisfação.

Muitas vezes achamos que precisamos mudar os outros apenas porque o jeito deles, o modo como vivem ou pensam não se encaixa no que achamos que é certo. O que tem de “errado” com o outro é responsabilidade dele e não cabe você dizer o que se deve modificar ou não. Ás vezes esse tipo de ajuda só acaba atrapalhando. Certifique-se se o motivo de querer fazer isso é o outro ou você mesmo.

Ajudar também requer a vontade do outro em querer ser ajudado. Insistir em alguém que parece desvalorizar as suas tentativas de ajuda na verdade só gasta o seu tempo. 

A presunção de achar que você tem de ser responsável por ser “a mãe de todos” só deve ser redirecionada a si mesmo (a). É preciso parar de tentar ajudar os outros apenas para suprir uma carência ou um dever que você acha que tem com todo mundo.

Se for para ajudar, que seja pelo os motivos certos.

Quando se é Idealista demais

Quando se é Idealista demais

Demorei um tempo para aceitar que sou alguém idealista, romântico e apaixonado por um monte de coisas que ninguém que conheço liga. Me sinto um pouco como a música do Cazuza, vagando pelo os cantos procurando uma ideologia para viver, e de pouquinho em pouquinho, me decepcionando. Além de claro, frustrar-me e discutir por pensamentos com os quais as outras pessoas não compartilham comigo.

Idealistas e o seu maior defeito; pensar que só a visão deles está certa.

Em alguns momentos – ou em quase todos – eu passei a sentir-me sozinha, como se de alguma forma nenhuma pessoa do mundo conseguisse conectar-se comigo para repartir ideais e ideias. E nos idealistas isso causa uma grande sensação de solidão e falta identificação com indivíduos próximos. Na maioria das vezes há uma grande vontade de mudar o mundo, a sede de querer ser notado e fazer a diferença.

No entanto, ser idealista em um mundo que rejeita os sensíveis e valoriza quem esconde seus sentimentos é como viver em um campo minado. Ás vezes sinto que tento ao máximo provar-me para outras pessoas, lutar pelo o que acredito e no final, noto que a minha fúria em querer sempre atestar o que penso é só uma insegurança ou uma constatação de que Eu sempre preciso ter razão. 

Está aí na história que muitos líderes e seus ideais trouxeram guerras, mortes e barbaridades. Tudo porquê ideais cegam pessoas e pessoas cegas causam destruição. Esse é o lado negativo de ser alguém idealista e sonhador demais, porque pensamos que o bom para nós é o bom para o outro e nem sempre isso é verdade. É o ato de quase sem querer tentar modificar as pessoas para funcionarem de acordo com o que desejamos. Esta é a parte sombria de quem tem um espírito idealizador.

Intensidade faz parte de alguém que idealiza muito. Alguém que dificilmente muda suas convicções, caracterizando-se como inflexível. E um dos grandes pontos negativos de ser intenso é exigir e esperar o mesmo comportamento das outras pessoas. Porque para os intensos e idealistas, ser superficial e neutro faz de um indivíduo alguém extremamente desinteressante. Eles querem paixões, ódios e amores violentos e não coisas rasas.

E a frustração. A necessidade de encontrar alguém que nós nunca encontramos e que resulta em uma grande decepção interna. Quem é idealista, por momentos ou por longos períodos, sente-se vazio de conteúdo porque simplesmente não achou ninguém para compartilhar esse ideal.

Ainda sim, sinto que a convivência com pessoas não idealistas acaba tirando um pouco da minha essência sonhadora. Indivíduos que talvez não tenham realmente nenhum propósito ou que talvez só não possuam o mesmo que o meu. No entanto, a falta de motivação se alia a quem sou e modifica um espírito de alguém que tudo que deseja é deixar sua marca e viver por uma paixão.

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