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Ter um sonho não é fácil

Ter um sonho não é fácil

Estamos o tempo inteiro procurando os nossos “dons”, buscando coisas para nos sentirmos úteis. Essas coisas têm como objetivo dar algum valor para a nossa existência neste planeta. O nome disso é propósito. O achado dele pode ser esclarecedor, mas a sua ausência possui o poder avassalador de provocar vazios. É assim que pessoas se matam – quando elas pensam que suas vidas não possuem utilidade e que em nada acrescenta o fato de estarem vivas.

No caminho oposto, o ato de descobrir seu propósito de viver parece incrível,  mas o não poder realizá-lo leva o ser humano a amargura. Os sentimentos podem causar dor física e a frustração é uma das piores dores que temos a infelicidade de sentir. A sensação de insuficiência, de falha, de fracasso. É como correr em ciclos. Machuca nos ossos.
Isso acontece mais frequentemente que imaginamos, especialmente com os nossos pais. Às vezes, a necessidade de sobrevivência fala mais alto que a auto realização, então acabamos por deixar os nossos sonhos de lado para nos mantermos vivos.

Ocasionalmente ou quase sempre, o mundo real é cruel e as frases coloridas e feitas, como “siga seu sonho” ou “nunca desista”, acabam parecendo impraticáveis diante a tantas dificuldades. As chances são de 1 em 1 milhão e quem chega têm sorte. Isso significa que há quem não chega nunca e essa é a pior parte e o maior medo da maioria das pessoas
não ser uma entre esses milhões.

É por isso – acredito eu – que quase 90% desiste dos sonhos,
porque é muito menos doloroso não tentar do que se arriscar e perceber que não há nenhuma possibilidade de dar certo.

A pior parte de ter um sonho é não conseguir se sentir realizado ou feliz fazendo mais nada, pois todo o seu corpo sabe que a única coisa que te faz sentir útil, como se houvesse alguma importância, é esse sonho impossível e distante.

Escultor

Escultor

Quando você foi embora, levou também, um pedaço meu.
Ao mesmo tempo, que me libertou,
para que eu descobrisse por conta própria,
uma parte de mim que não sabia que existia.

Por muito tempo, você me aprisionou em um labirinto assustador
de pesadelos e manipulação
de dependência e conveniência
de toxicidade e crueldade.

Eu não era boa o suficiente para te fazer ficar
mas você fez com que eu achasse que o problema era comigo
e tentou me mudar, moldar, esculpir,
como um artista falido
que só quer lucrar em cima de clientes desesperados
e transformá-los em algo que deseja que eles fossem.

Eu me calei por tanto tempo porque achava que precisava de você
para me amar.
Eu pensava que,
sem você, eu não teria mais ninguém para me fazer sentir preenchida.
Então eu descobri que entre ser mal acompanhada e sozinha,
prefiro mil vezes o meu vazio,
do que o seu copo pela a metade
e a alma insípida que você carrega.

Antes,
eu tinha ódio.
Agora
eu tenho mágoa.
Talvez um dia
eu chegue só a ter pena de você
por ter que me fazer sentir menor
porque você também se sentia da mesma maneira.
Eu sinto muito por você ter me perdido
pois sou a única
que te aturou em todas as suas melhores e piores versões
e eu duvido que alguém, nem por 1 minuto, queira se submeter ao que eu sujeitei.

Dentro de toda concha, há uma pérola

Dentro de toda concha, há uma pérola

Quando minha avó morreu, eu não chorei. Enquanto as pessoas ao meu redor se emocionavam em volta do corpo desfalecido dela, eu só conseguia ficar impassível. Havia uma tempestade dentro de mim, mas o meu rosto mostrava apenas um dia nublado, como qualquer outro. Em nada a minha face fazia jus ao dilúvio que era meu coração naquele momento. Então eu me senti culpada e me amaldiçoei. Eu não conseguia ser que nem todo mundo era, não possuía a capacidade de me sentir livre e à vontade para chorar, espernear, ficar despedaçada. Eu simplesmente não conseguia ser vulnerável.

A minha vida inteira foi assim, eu tinha uma habilidade incrível para deixar todos saberem o que eu pensava, no entanto, se pudesse classificar o meu talento para expressar o que eu sentia, diria que é um -3. Ninguém realmente chega 100% em mim – do meu coração, quero dizer. O máximo que conseguiram alcançar foi 98% e o resto dos 2% eu guardo para mim mesma. Tem que haver isso, se não, não sobra nada que eu não tenha compartilhado. Outra coisa importante é que eu não reajo como “todo mundo”. Não que eu realmente pense que todas as pessoas do universo sentem da mesma forma, mas o modo padrão de emoções é que quando ocorra uma tragédia, você se desespere e no momento que alguém vai embora da sua vida, as lágrimas escorram por sua bochecha.

Mas comigo é diferente, eu não reajo, eu não choro e nem grito. Não que eu esteja me segurando, pois não faço isso – ou talvez eu não queira assumir que faço. O fato, é que eu não levo as coisas a sério quando elas acontecem. Eu demorei 4 meses para “descobrir”, ou melhor, ver a minha ficha cair sobre a minha avó. Só depois de muito tempo percebi que ela não ia voltar. Mais de 60 dias depois do luto dos meus familiares estar acontecendo, o meu havia começado. Então eu sofri em silêncio, como sempre.
Talvez você esteja se perguntando se eu já contei para as pessoas o que eu sinto.

A resposta é sim, na maioria das vezes eu sou sincera em relação aos meus sentimentos, especialmente quando escrevo. Lembro-me de desde pequena escrever cartas para os meus pais, na tentativa de pedir desculpas por algum mal comportamento ou burrada que havia feito. Eu não sabia como explicar que eu sentia muito, então, o meu modo de me expressar era com palavras. As palavras sempre foram minhas amigas.
Eu não tenho uma conclusão para isso, talvez você possa me ajudar a chegar em uma. A única coisa que sei é que sentimentos não são o meu forte, pois embora saiba que eles existam, não faço ideia de como lidar com eles. Eu ainda estou aprendendo a não afastar todo mundo de mim ou a não ficar em silêncio quando eu deveria dizer o que está acontecendo.

Viver em uma concha é muito mais difícil do que todo mundo acha, mas é muito sortudo aquele que tem paciência e acaba descobrindo que dentro de toda aquela proteção, existe uma pérola.

Perguntas sem respostas

Perguntas sem respostas

O quanto vale uma desculpa não sincera para não criar coflitos?
O quanto dói um “estou quebrado” disfarçado de “ta tudo bem“?
O quanto me arrependo de quando eu queimei minha mão, pois disse que a colocava no fogo,
por quem me deixou ser queimada viva?
Quantas vezes eu me sacrifiquei, para ser sacrificada logo em seguida?
Quantas vezes mais vou ter que me fazer passar por isso, até perceber que para a maioria das pessoas, eu sou o momento do “por enquanto” antes do “para sempre”?

Quanto rancor eu vou guardar, até constatar que a única que ainda se importa sou eu?
Qual o número de poemas que escreverei, até chegar a conclusão que alguns versos nunca substituirão um grito de alívio?
Quando eu vou parar de mentir para mim mesma e assumir que não, eu não posso passar por tudo isso sozinha?
Quando eu vou parar de sugar as coisas das pessoas e buscar o amor dentro de mim?
Quando eu vou descobrir que eu cresci e que não posso me esconder por muito tempo?

Quantas situações eu desperdicei por medo de me machucar?
E quantos dias vão ter que passar, para eu notar que a única que pode mudar a minha própria vida sou eu?
Quantas perguntas desse poema eu não respondi?
Quantas delas eu tenho respostas das quais não quero ouvir?

Um amargo adeus

Um amargo adeus

Quando você me ama,
você não me preenche,
só me esvazia.
Então,
se o seu amor depende de eu corresponder as suas expectativas frustradas,
de viver por ti, a vida que você nunca conseguiu viver,
e de me calar diante das suas opiniões autoritárias que eu não concordo,
eu prefiro o meu bom e velho rancor.

Eu não me surpreendi quando você foi embora.
Eu não fico surpresa em nada em relação as suas atitudes.
Estou anestesiada, gelada, petrificada.
Eu não sinto nada.
Nem a sua falta de coragem.
Nem a sua ausência,
pois tudo permanece a mesma coisa,
afinal, mesmo quando ainda estava aqui,
não estava realmente aqui.

Você não me queria.
Não quis a nenhum de nós.
Você era sempre muito si mesmo para ser qualquer um.
Você é um idealista amargo que culpa o mundo por suas não realizações.
A distância agora é o meu remédio.
Chame de fuga, eu prefiro apelidar de cura.
Cura para mim, que estou me desintoxicando do seu veneno.
Cura para os meus pulmões, que agora respiram aliviados, sem pressão.
Cura para a minha alma, que pode ser livre sem ter medo de errar.
Eu fui presa em uma armadilha de rancor e raiva.
Eu me libertei e trouxe a mim mesma a paz que eu procurava.
A paz que eu nunca encontrei na sua presença.

Inevitavelmente o meu DNA é o seu também.
Eu não tenho como mudar isso.
Agradeço por ter me feito, mas não vou dizer obrigada.
Eu vivi com “não’s”.
Não, não, não, não.
Agora eu só enxergo sim.
Possibilidades, esperança, os meus sim’s.
Eu sei que tenho muito de você,
mas eu olho para a sua cara e não me reconheço,
não te vejo mais em nada.
Daquele que me levou para ver Nárnia,
Que foi para as minhas feiras culturais
e me disse que acreditava em mim.

Eu enxergo alguém que nunca me quis
e me deixou carregar toda uma carga que não era minha.
Eu te pago o ódio que você me ensinou e os nãos que você cuspiu
com a indiferença que você merece.

Alvorecer (parte 1)

Alvorecer (parte 1)

Gosto da sensação em meus tímpanos quando há apenas o som do ventilador de teto.
O silêncio calmante, na companhia dos meus próprios pensamentos,
enquanto eu me derramo em palavras, digitando, forçando a caneta,
na tentativa de aliviar toda a carga,
que os dias depositam sobre minhas costas.
Eu amo poder fazer sugestões malucas para mim mesma,
como preparar um brigadeiro ás 02, me sentindo culpada por ter saído da dieta,
ainda que, verdadeiramente, eu não me importe,
por mais que devesse.

Eu gosto da madrugada porque sou só eu e eu mesma.
Eu gosta da madrugada porque ela dá coragem para as pessoas dizerem o que jamais falariam na luz do dia,
na trilha sonora do trânsito caótico das grandes cidades.
É ás 03 que eu escrevo os meus melhores poemas,
mas também é ás 03 que tomo minhas piores decisões,
como continuar acordada e arruinar meu relógio biológico.

Se me perguntassem se me considero diurna, noturna ou matutina,
eu diria que sou mais alvorecer,
quando só os corajosos continuam acordados,
seja enfrentando suas insônias,
ouvindo a playlist que faz lembrar alguém
ou se lamentando por não ter dito aquilo, naquela conversa.

Tudo bem, não precisa me dizer.
Eu sei que minha mãe vai brigar comigo quando me ver aqui, digitando e com os olhos esbugalhados,
mas ela não sabe que eu não posso dormir sem ouvir os passarinhos cantarem,
como se estivessem me dando uma bronca por ter perdido mais uma noite,
junto com os outros corajosos do alvorecer,
criando sei lá o quê,
para quem sabe alguém ler.

Obrigada por não ter se matado hoje

Obrigada por não ter se matado hoje

Obrigada por não ter se matado hoje, sei que houve muito esforço da sua parte. Você lutou para não chorar, prendendo a dor na garganta para poder sofrer mais tarde, na própria solidão. Suas notas estão ruins, seus pais brigam constantemente, os amigos parecem ser inexistentes… tudo está errado, péssimo.

Mas você não fala nada, né?

Acha que consegue forte sem precisar de outra pessoa. A gente tem dessas, de se achar autossuficiente e não querer precisar de ninguém. Depender dos outros é criar vínculos e permitir a existência de um mutualismo que, na maioria das vezes, só vêm de um lado e acaba por ser tóxico.

E, obviamente, resulta em um não mutualismo

Bom, mas

eu te agradeço por ter resistido, por acordar com a luz no rosto às 6 da manhã para ir para a escola, faculdade ou simplesmente para exercer sua função no trabalho. O sol te convidava para mais um dia que você não tinha a menor intenção de viver, mas seus pés levantaram… talvez por estarem no piloto automático – é o que pensa, não é? – porém, algo dentro de ti reluz, querendo sair, gritando para ser ouvido

você quer falar.

só que às vezes ninguém quer escutar
ou quem escuta não faz esforço para entender,
talvez por ignorância – eles não fazem por mal
ou só por falta de empatia mesmo, acontece demais.
então você se tranca no silêncio profundo da sua dor, até que não consiga mais acordar, não aguentando levantar da própria cama e fingir que está tudo bem.

mas ouça

você resistiu e foi forte.
você não se matou hoje.

então alguma coisa dentro de você te diz para permanecer aqui

e essa coisa sou eu
estou te dizendo
não se mate hoje
e grite para quem puder

eu não estou bem.

Calendário

Calendário

Estou escrevendo, escrevendo, escrevendo…
Liberando minha alma do que a aprisona,
mas você continua entre minhas artérias,
como uma bactéria que se aloja
e suga o que tem dentro,
me consumindo aos poucos…
Até que não reste mais nenhuma parte
do que um dia eu fui.

Eu me cobro algum verso poético
que possa derramar meu rancor nestas páginas,
de forma que as sílabas digam o que eu não consigo falar,
de maneira que todas as palavras possam mostrar
a tamanha dor de viver,
uma mágoa,
dia após dia,
enquanto os meses e anos se passam para ele,
e eu continuo naquela mesma data,
sofrendo pelo o mesmo motivo
como se fosse a 1ª vez.

Ele disse “me desculpa”,
mas todo o meu bom senso que ainda resta disse “não!”.
Então,
eu falei que o tempo pode curar.
mas como, se para mim ele nem passou?
Pois sim,
eu revivo, revivo, revivo e revivo aqueles dias,
e após isso, a mágoa surge de novo, ainda mais forte,
e eu o odeio cada vez mais.
Sim,
eu marquei no calendário
o aniversário
do meu rancor.

No gatilho

No gatilho

O que eu faria,
Se tivesse a arma na mão?
Eu dispararia, com toda a dor do meu sofrimento
Da minha solidão,
Da raiva e rancor que eu guardei
Nas camadas mais profundas de mim?

O que eu faria,
O que eu diria para aquela garota de 10 anos
Perdida, intoxicada, envergonhada
da própria existência?
Eu sabia que ela queria gritar,
Mas ela preferiu fazer isso em silêncio.
Ela estava sofrendo, mas não sarou sua ferida causando dor.

Eles não disseram que sentiam muito,
pois não sentiam.
A maldade em seus ossos, o ódio em seu sangue, a crueldade correndo pelas veias.
Eu não vou perdoar o que não tem perdão.
Desejo que o karma faça seu trabalho, pois não pretendo sujar minhas mãos.
Mas o que eu faria?
Apertaria o gatilho e os explodiria,
junto com a minha angústia?

A ironia do amor

A ironia do amor

Mãos dadas, sentimentos transbordando, coração acelerado.
Como será que é estar apaixonado?
Um crush, talvez dois, foi tudo o que tive.
Só para passar o tempo, contemplar o mais próximo de um romance,
Ou uma rejeição.
Seja por não ser bonita o suficiente, engraçada o bastante ou consideravelmente legal.
Nunca consegui ser o “eu” de alguém,
E ninguém também nunca foi “meu”.

Amor é superestimado.
É o combustível que alimenta o mundo,
É o único motivo pelo o qual continuas aquele livro chato, a novela sem graça ou o filme clichê,
você quer saber se eles vão ficar juntos.

E se talvez estejamos nos distraindo da verdade,
de que ninguém nunca vai chegar?
Esperando na porta, afogando santo e instalando tinder
Para o ouvir o mesmo papo de “um dia vai acontecer”?
Será que esse dia sequer existe,
Ou talvez é o amor que não existe para você?

Eu confesso.
Sonho com um menino diferente toda noite.
A idealização magnífica do garoto perfeito, do cara que eu desejo para mim,
E que me faz acordar todos os dias mais triste, simplesmente pelo o fato de não ser real.
Eu confesso que quero amar, mas sinto-me estranha demais.
A garota que escreve poesia e resmunga da vida
Que não acredita em nada mas pensa em tudo
E que não se ama mas quer ser amada.
O quão irônico é isso?

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