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Você está na defensiva

Você está na defensiva

Quando ouvimos um tom de voz elevado, imediatamente gritamos para nos igualar. Subimos no caixote para sermos vistos ou tentamos impor o respeito através do medo. Todas essas ações são defesas do ser humano em diversos modos. No entanto, às vezes – no meu caso, quase sempre – nós atacamos de volta porque sentimos que precisamos nos defender, embora nem sempre haja essa necessidade.

A minha vida inteira eu fui atacada de forma pessoal, especialmente por conta da minha aparência. Vivi cercada de gente desagradável que fazia questão de me colocar para baixo, pessoas que possuíam o prazer de ver que eu me enxergava cada vez menor e conforme o tempo passava, me encolhia mais e mais dentro de mim mesma.

Isso me marcou de forma negativa, eu passei a olhar todos a minha volta como meus inimigos, como se eles pudessem me atacar a qualquer momento. Eu não consigo compreender a crítica ou a brincadeira inocente com uma parte minha que incomoda, de modo natural, já é uma característica minha que eu rebata como se fosse uma ofensa.

Por isso, sinto que estou sempre com o meu escudo, eu e a minha obrigação de sempre defender a mim mesma. Penso que pelo o fato de eu ter ficado muito tempo calada e nunca ter dito nada para as pessoas que me perseguiram na escola, o meio que escolhi para sobreviver é sempre disparar de volta, mesmo sabendo que talvez não valha a pena. Talvez eu tenha me silenciado tanto, que não consigo mais não falar ou não responder.

Estar sempre na defensiva é uma maneira que as pessoas acham de não se machucarem novamente, porque na maioria das vezes, elas já estão cansadas de sentir que precisam se defender.

Expectativas irreais e idealismo

Expectativas irreais e idealismo

 Quando eu escrevo, tudo na minha mente fica em paz. Eu, que sempre procurei me encaixar em algum grupo, sinto que pertenço a algo maior quando estou escrevendo, como se tudo na minha vida fizesse sentido. Eu amo essa sensação e todo o conforto que me traz, no entanto, quando ela não funciona, as coisas em mim param de fazer nexo. Escrever não é a única coisa que eu sou boa, mas definitivamente é a única que me faz sentir que tenho um propósito. Porém, quando um texto não é bom ou algo que criei não me agrada, fico frustrada.

Afinal, se nem no que sou boa eu consigo ir bem, o que será de mim?

Eu me fiz esse questionamento 1 milhão de vezes, faço ele todos os dias, inclusive. Há vários textos e poesias aqui que se pudesse, deletava para sempre – aliás, eu já fiz isso com alguns. A questão é que ir bem não significa acertar todas as vezes. Muito do que postei não era bom e eu sei disso. Em algumas situações, senti inveja daquelas páginas gigantes e famosas que postam frases feitas e ganham centenas, até milhares de compartilhamentos.

Eu perguntava “por que não eu?” Eu deixava a insegurança me atingir e pensava que eu era a ignorada do mundo, a única que passava por isso. A minha ingenuidade me despertou para o meu egocentrismo exagerado e a minha falta de noção perante o mundo real.

Confesso que achei realmente que seria fácil ter um blog de sucesso, especialmente com os seguidores que conquistei no meu antigo, mas eu me enganei. Tudo o que vale a pena requer esforço, ninguém surge do nada e eu não serei a exceção. Contudo, não vou mentir, fiquei triste e pensei em parar, deletar tudo e dar ouvidos às pessoas que me disseram que não daria certo, mas se escrever é tudo o que amo, não posso desistir.

Uma forte descoberta a respeito de mim mesma – que me surpreendeu, tenho que dizer – é que eu tenho medo do caminho mais longo, não quero fazer nada do que eu não goste, só gosto das partes boas. Talvez isso deva soar um pouco mimado, não é? Talvez sim. Mas sabe, eu gosto de falar sobre os meus defeitos, assim, as pessoas não ficam com a ilusão de que não possuo consciência da existência deles.

Eu idealizo tudo, de fato. Algumas pessoas me chamam de otimista ou idealista, eu acho que só fico pulando de plano em plano para não ter que assumir que fracassei ou só para deixar pela a metade e dizer que já esperava que desse errado. Aquela letra da música da Vanessa da Mata nunca fez tanto sentido para mim,

eu realmente tenho expectativas irreais.

Nem sempre o que eu escrevo vai ser bom, a maioria provavelmente será mediana para mais ou menos, mas se nem que por 1 minuto eu tenha te tocado com algo que criei, já valeu a pena.

Por que queremos consertar todo mundo?

Por que queremos consertar todo mundo?

Nos romances adolescentes – ou young adults, para quem está familiarizado com o mundo da leitura atual – eles estão em todos os lugares… os vulneráveis, porém casca grossas, os sensíveis, mas só com as garotas que gostam, os que geralmente usam jaqueta de couro e pilotam uma moto. Se você ainda não adivinhou, lhe apresento os bad boys, a estereotipização do ser humano que precisa ser salvo.

O amor muda as pessoas, nós ouvimos desde sempre.

Esse pensamento deu munição para a construção de moldes perfeitos para cada um, já que ao escutarmos que as pessoas mudam por estarem amando, acabamos por querer moldar os outros usando o amor como desculpa.

De fato, as pessoas realmente se modificam, mas não deveria ser por alguém, só por si mesmas.

Às vezes, nos adaptamos aos outros pensando que é o nosso dever fazer eles se sentirem confortáveis, ainda que isso signifique NOS deixar desconfortáveis.

Podemos consertar objetos com cola, pregos ou fita, mas isso não se aplica aos seres humanos, pois ninguém aqui está quebrado. Se você me diz que amar é aceitar o outro com os seus defeitos, qualidades e crescer com o relacionamento, amadurecendo como ser humano, eu concordo. Todavia, se você constantemente quer moldar alguém para se encaixar no seu conceito de perfeição, te digo que você não ama essa pessoa de verdade.

É quase – ou totalmente – como uma arrogância pensar que você, entre bilhões de pessoas, possui o poder de “guiar” alguém para o que acha ser o caminho certo. Talvez seja um sinal de que se quer tanto “salvar alguém”, pode significar que a única pessoa que precisa de salvação seja você mesma.

Empatia

Empatia

Perspectiva.
Modo de olhar.
Visão.
Ângulo.

Todas essas palavras têm seus significados atrelados de acordo com a posição de quem as define. Posição no sentido da forma que alguém vê uma situação. Na maioria das vezes, a maneira que olhamos para os acontecimentos da vida de outras pessoas, é cruel, ditando o que faríamos ou não,  julgando suas decisões e condenando-as por não terem agido da mesma forma que nós supostamente faríamos.  Temos a mania de aplicar a nossa realidade aos outros e nos irritamos se as pessoas não agem conforme queremos. Somos egoístas e pensamos sempre no que é melhor para nós mesmos, com a função contínua de nos fazer sentir confortáveis, ainda que isso sacrifique a felicidade de alguém.
Tentar se colocar no lugar de um individuo que está sentindo coisas que você nunca sentiu, é como ouvir uma pessoa falar um idioma que não conhece, pode até ser que escute, mas não vai absorver ou entender, a não ser que aprenda – ou no caso, passe por isso.

Você nunca vai entender, então não diga “eu sei que o está passando“, se não sabe de verdade. Isso invalida completamente um sentimento que não tem ideia do que seja. Não é sobre você e o quanto sente muito, mas sim a respeito de alguém que se deixou ser vulnerável o suficiente para lhe deixar entrar. O mínimo que deve fazer é escutar e deixar claro que está presente, que continua escutando, mesmo que não compreenda.
Afinal, nem sempre quem te ama te entende, os seus pais – sejam de qual configuração de família for – são um exemplo disso.

Eles não fazem de propósito,  no entanto. Às vezes, é questão de não parar para ouvir, outras, de ignorância ou apenas falta de sensibilidade, o que acontece bastante. As pessoas não tem um olhar humano em relação às outras, elas não enxergam que em algum momentos, tudo o que o outro precisa é ser escutado e não esmurrado de palavras clichês ou sermões morais. Não existem palavras certas, mas há o silêncio que conforta e reafirma

Eu estou aqui, mesmo que não consiga te entender. Eu não estaria chorando se fosse você,  mas não sou eu, então tudo bem… porque eu tenho empatia por você e isso é tudo o que importa.

Monotonia

Monotonia

Os passarinhos estão piando, em sincronia, quase como
uma sinfonia
ao vivo
orquestrada pela a natureza.
Estou abrindo meus olhos,
constatando que falhei novamente.
Não deveria acordar tão tarde
mesmo nas férias.
O relógio está parado, acordo na mesma hora todo dia
e bebo refrigerante no almoço
escrevo coisas que nunca postarei
todo dia.

Sinto-me como se estivesse flutuando.
Eu não evoluí, continuei a mesma
meu cabelo não foi cortado
ainda não consegui dinheiro com a única coisa que sou boa.
Aparentemente, todo mundo anda para frente
e eu estou sendo puxada para trás
presa no tempo,
junto com quem eu era 2 anos atrás.
Com os mesmo problemas,
os mesmos dilemas
os mesmos traumas
e a mesma mania de dormir mal.
Hoje é como todo dia
e todos os dias são como hoje.

Pergunto-me se conseguirei achar uma porta
neste quarto escuro.
Pergunto-me se é só comigo que a vida não parece ter caminhado.
Pergunto-me se todo mundo sente, assim como eu,
que hoje foi como ontem.
Pergunto-me de que maneira acharei uma saída
se nem eu mesma acredito que ela exista?

Aniversário

Aniversário

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Pipoca quentinha, o gosto de sal enquanto mastigo
O trenzinho com comida gordurosa de festa de criança
Tão boa a mini pizza
e a pipoquinha.
E a lista que a cada ano se reduzia.
Até estar em branco.

Recordo-me da alegria no amanhecer
e na tristeza quando o sol ia dormir.
Da solidão que se adentrava junto com a noite
e as passagens de tempo,
juntamente com a vida adulta.
A epifania mais dolorosa
foi perceber que a cada aniversário
mais cadeiras vazias eu tinha.

Na maioridade
o silêncio das bocas mastigando
eu olhando para longe
digitando em meu celular, desejando que alguém aparecesse.
Uma surpresa
um bolo
uma fugida dali.
Eu esperei
e ninguém veio.

No espelho eu me olho
mais velha, mais sábia, mais exausta.
Eu queria tanto ser adulta
e agora que sou
só gostaria de ser criança de novo,
Quando fazer aniversário significava
estar mais próxima de ser livre
mas agora que eu devia estar livre
me sinto mais presa do que nunca.

À medos.
À inseguranças.
À minha carreira.
E toda aquela liberdade era bem mais fácil
quando ela ainda não existia
e só se tratava de uma idealização
vinda de uma criança
que só sonhava em ser “grande”.

O Poema final

O Poema final

Não quero mais ter raiva.
Cansei de gritar os meus pulmões
e receber o silêncio em troca.
Estou exausta de ser a única que ainda se importa o bastante
para ter que encerrar algo
cuja a importância realmente só existe
para mim.

Eu peço desculpas por ter exigido algo que não podia cumprir.
Eu peço desculpas por sugar o seu amor, procurando em você que não havia em mim.
Mas eu não sinto muito por ter sido eu
ou por ter sentido
da maneira como eu sei,
seja intensa e exagerada,
é a única que conheço.
Eu não estou perdindo perdão
por ter esperado o mínimo
de amizade e sensibilidade
que você nunca teve
e garanto que não terá com ninguém.
Eu não peço desculpas por ter sido amiga
ainda que você não tenha merecido.
Eu não peço desculpas por ter sido quem eu aprendi a ser.

Ter rancor dá trabalho,
exige esforço e empenho
para manter um sentimento
que só corrói e nenhum bem faz.
Eu não sei vou te perdoar um dia
mas eu vou
me perdoar.
Você me feriu de maneiras que nenhum poema vai traduzir
e só a minha distância pode explicar
que às vezes
quando a dor invade todas as lembranças e as apaga como borracha,
não sobra nada além da tristeza
de não poder voltar
para algo que um dia
chegou a ser bom.

Esse é o último poema que eu escrevo sobre você.
Essa é a última vez que eu fico mal por você.
Essa é a última vez que eu me importo o suficiente
para relembrar tudo, mesmo sabendo que vai doer,
só porque eu quero encerrar algo
que só me machuca em vez de ensinar.
Essa é última vez que eu vou lembrar das nossas risadas
e essa é a última vez que eu me permiti
não estar magoada o suficiente
para te deixar ler.

Esse é o último poema
dos outros centenas
que eu escrevi
sobre você.

A flor lilás

A flor lilás

A pequena muda lilás,
frágil por fora, fortalecida por dentro.
Eu a via na chuva,
entre as pedras do asfalto
e os pisões de sapatos de couro
vindos de pessoas que iam e voltavam, seja lá de onde for.
Eu sempre a enxerguei,
se mantendo tão plena
mesmo no frio da mais forte tempestade
e no incendiar do mais quente dia.
Quem imaginaria que a flor lilás
um dia se partiria?

Quem pensaria
que onde havia tanta vida
e uma fortaleza imensa de rebeldia
de uma flor qualquer
que insistiu e não desistiu
de ousar a continuar em lugar na cidade,
poderia ter tanta dor?

Eu esqueci
de perguntar
“você está bem?”
enquanto ela se balançava contra o vento,
cansada de estar parada.
Parecia que ela só queria ser levada
para longe.

Aquela flor lilás
atordoada.

Quem se importa? Eu sim

Quem se importa? Eu sim

Eu deveria ficar ou ir embora?
Como eu faço para parar o que está doendo em você?
A sua dor me machuca mais do que a minha própria.
Posso lidar comigo sofrendo, posso aguentar minhas lágrimas,
mas não consigo suportar te ver com suas feridas.
Parece que alguém rasga meu coração toda vez que você chora.

Esta chuva que está lá fora,
eu espero que ela varra toda a sua angústia
e às vezes, eu queria poder sofrer no seu lugar.
Mas me disseram
cada um tem que passar por sua própria dor
e não é responsabilidade de ninguém
salvar ninguém.

A força das águas

A força das águas

Um copo vazio é apenas uma superfície sem nenhum conteúdo.

Uma pessoa vazia é alguém se afogando em si mesma.

Nadar contra a corrente parece quase impossível diante da força das ondas, elas insistem em nos jogar para longe, onde não há borda.
Então nadamos, batemos as pernas, pegamos fôlego e tentamos resistir, mas nem sempre há um final feliz imediato.
Às vezes, a onda é tão devastadora que quase leva todo o nosso oxigênio. É pouca a chance de respirar, para tanta água de uma vez.

E é verdade…
em alguns momentos, não dá para dar conta.

Não é só uma questão de escolha, mas de saúde mental. O ser humano tem algo em comum com máquinas;

ele também entra em colapso.

Nesse quase desfalecimento, nada parece funcionar. Os movimentos ficam mais cansativos de se fazer, todas as coisas estão tão longe de ser alcançadas e a vida não dá sinais que vai lhe deixar caminhar, pelo o contrário, só aparenta que vai te jogar mais para tras.

O problema é que para ser forte, é preciso ter essa força.

Não é sobre capacidade, mas sim limite.

O quanto você pode aguentar?

Ninguém tem que ser inabalável.

Tudo bem chorar,

lava a alma de dentro para fora.

E acho que nossas almas estão tão pesadas, que necessitam de uma limpeza.

Porque é verdade quando dizem que

não tem nada de errado em não estar bem,
tem algo errôneo em fingir que está bem de forma tão convencente,
que até você mesmo passa a acreditar nisso.

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