Talvez um dia

Talvez um dia

 

Talvez um dia não tenha mais raiva deles, nem queira dar-lhes um soco. Talvez um dia não me lembre de suas palavras cruéis, as facas, as lanças que até hoje me ferem. Talvez um dia esqueça os apelidos. Talvez um dia não me lembre mais da sensação de estar quebrada, escura e oca por dentro. Talvez um dia eu não me recorde mais dos olhares de nojo sobre mim. Talvez um dia não me sinta mais como naqueles mesmos dias. Talvez um dia.

Talvez um dia nós possamos parar de gritar e ferir. Talvez um dia você parará de jogar suas pedras sobre mim, só porque jogaram em ti. Talvez um dia compreenda que apenas precisa ouvir mais. Talvez um dia perceba que ela só quer sua atenção. Talvez um dia voltemos a sair de novo como era antes. Talvez um dia consiga enxergar que sou capaz. Talvez um dia fale de mim sem citar as palavras “não” e “não acredito”. Talvez um dia sejamos unidos. Talvez um dia.

Talvez um dia consiga olhar para você e não sentir raiva, não lembrar e nem remoer nada. Talvez um dia essa dor incômoda passe, a mágoa desapareça e a saudade que me causa se dissipe no ar. Talvez um dia o seu sorriso com outro alguém não me incomode e nem me tire algumas noites de sono. Talvez um dia não me sentirei sufocada na sua presença. Talvez um dia não tenha mais a sensação de estar despedaçada, sem parte de mim e um terço das minhas memórias. Talvez um dia.

Talvez um dia ele seja mais nítido. Talvez um dia eu seja capaz de encará-lo. Talvez um dia não seja tão assustador. Talvez um dia esqueça as palavras das quais levei como verdade. Talvez um dia goste do que vejo. Talvez um dia.

Talvez um dia tenha finalmente te perdoado

Me perdoado.

Talvez um dia.

 

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