Telespectadora

Telespectadora

Todos parecem estar se divertindo. Pelo menos, é isso o que a visão da minha janela mostra. Tenho uma ótima vista, aliás. Daqui, vejo os carros indo e vindo e destinos sendo traçados. Consegui presenciar términos de namoros, traições de melhores amigos, despedidas de famílias e lágrimas jogadas ao vento. Observo tudo. Observo tanto, que acabo nem sabendo qual a minha própria história. Ás vezes pergunto-me o que faço aqui parada, olhando e presenciando outras pessoas escreverem suas próprias memórias, mas nem ao menos fazendo as minhas.

Mesmo que questione a mim mesma, até agora a resposta não foi obtida. Talvez seja a rotina. O desenrolar dos dias com o desfecho semelhante; dias sempre quentes, noites igualmente abafadas e os olhos voltados para o silêncio ensurdecedor. Ou, por fim, seja só a frustração e a mesmice me intoxicando, me entediando e me arrastando para o conformismo, a aceitação de que nada vai mudar.

E eu continuo aqui; vivendo a vida de gente fictícia, de castelos, vampiros, caçadores de demônios. É mais fácil a fantasia do que o nada da realidade. A realidade de uma eterna telespectadora que sonha em um dia ser a atriz principal.

 

Compartilhe!
Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Tumblr
Comments are closed.